sábado, 8 de dezembro de 2018

Assessores movimentaram menos dinheiro que o ex-motorista de Bolsonaro e acabaram presos

MPF não confirma nem nega que Flávio Bolsonaro esteja ou possar vir a ser investigado após jornal revelar movimentações suspeitas detectadas pelo Coaf em contas de seu ex-assessor parlamentar.

Jornal GGN - Ter aparecido na lista de "operações atípicas indicadas pelo Coaf" levou assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro à prisão no final de novembro passado. Segundo a investigação da Operação Furna da Onça, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, três deles, ligados aos deputados Coronel Jairo (MDB) e Marcos Abrahão (Avante), movimentaram R$ 289 mil e R$ 845 mil. 
 
Fabrício José Carlos de Queiroz, que até outubro trabalhava no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro, com salário de R$ 8,5 mil mensais, foi relatado pelo Coaf por movimentar, justamente no mesmo período, quantia superior a dos colegas: R$ 1,2 milhão, sem renda nem patrimônio compatíveis com as operações.
 
Apesar do volume ligeiramente maior, o sargento da reserva - que tem relação de "amizade e confiança" com a família Bolsonaro - foi poupado na Operação Furna da Onça.
 
Procurado pela reportagem para comentar o critério utilizado para denunciar ou não os assessores averiguados pelo Coaf, o Ministério Público Federal informou em comunicado oficial (enviado a toda à imprensa) que "nem todos os nomes ali citados [no relatório do Coaf] foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas."
 
O relatório do Coaf "relaciona um número maior de pessoas" e "nem todos os nomes ali citados foram incluídos nas apurações", reforçou.
 
A Operação Furna da Onça mira em deputados implicados por operadores financeiros que fizeram acordo de delação premiada para denunciar esquema de pagamento de mensalinho na Assembleia do Rio, em troca de benefícios em ações penais.
 
Parlamentares delatados foram presos com vários assessores na Furna da Onça, em novembro passado, e antes disso, na operação Cadeia Velha, que alcançou o cacique Jorge Picciani.
 
Como Flávio Bolsonaro não é citado por delatores, não foi alvo neste processo.
 
A redação questionou ao MPF se existe algum procedimento instaurado para apurar as irregularidades apontadas pelo Coaf em relação ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro após o relatório ter vazado para o Estadão. 
 
Em resposta, o MPF informou apenas que "no caso de deputados da Alerj que não foram alvos das Operações Cadeia Velha e Furna da Onça, o MPF tem por política não confirmar tampouco negar se eventualmente estão investigados ou podem vir a ser."
 
Entre as operações financeiras de Fabrício Queiroz que chamaram atenção das autoridades está o repasse de R$ 24 mil para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de saques em caixas eletrônicos que somam mais de R$ 300 mil - mais da metade do valor foi retirada em agência dentro da Assembleia Legislativa. Há, também, transações entre o ex-assessor e outros funcionários da Assembleia.
 
O MPF confirmou que o nome de Fabrício aparece no relatório do Coaf anexado ao processo na íntegra para evitar questionamentos das defesas dos réus a respeito de eventual edição do documento.
 
"Em função da presença de pessoas não investigadas nesse relatório, o MPF não chancela a divulgação de trechos do documento, exceto se a movimentação relatada pelo Coaf, após examinada com rigor por equipe técnica, revelar atividade financeira ilegal."
 
OS ASSESSORES PRESOS
 
Segundo as investigações, Alcione Chaffin Andrade, chefe de gabinete do deputado Marcos Abrahão, "entre janeiro/2016 e janeiro/2017", "constou de comunicação de instituição bancária ao COAF, transferindo quantia em dinheiro para LEONARDO MENDONÇA ANDRADE."
 
"(...) LEONARDO, assessor no gabinete do deputado estadual MARCOS ABRAHÃO, fez trafegar, em apenas uma conta, R$ 289.524,00, com movimentações atípicas, notadamente grande quantidade de créditos e débitos efetuados por outras pessoas com vínculos funcionais com MARCOS ABRAHÃO – entre elas, ALCIONE."
 
Leonardo é assessor de Abrahão e primo da esposa do parlamentar. "Segundo ligação interceptada de ALCIONE, LEONARDO também é motorista de Uber e Cabify. Assim, é possível que ELE seja utilizado como 'laranja' de MARCOS ABRAHÃO", sustentou o MPF.
 
Já o servidor Jorge Luis de Oliveira Fernandes, lotado no gabinete do Coronel Jairo, está na lista do Coaf por "movimentação suspeita em sua conta corrente, uma vez que movimentou o total de R$ 845.866,00, entre 1º.1.2016 e 31.1.2017, valor a descoberto, considerando suas fontes de renda lícita declaradas. No período mencionado, a conta acolheu o montante de R$ 436.613,00, tendo chamado a atenção o envolvimento de servidores da Alerj nas transferências de pessoas físicas, bem como em pagamentos de cheques nos terminais de caixa."
 
Outras pessoas ligadas a Coronel Jairo teriam movimentado, juntas, um total de R$ 10 milhões, apontou o MPF.
 
OUTRO LADO
 
Na noite de sexta (7), o deputado Flávio Bolsonaro afirmou à imprensa que confia em seu ex-assessor, com quem trabalha há quase uma década, e afirmou que ele tem uma "explicação plausível" para os R$ 1,2 milhão a apresentar ao Ministério Público, quando convocado.
 
Sobre o repasse de R$ 24 mil para Michelle, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que se tratava de uma parcela do pagamento de uma dívida de R$ 40 mil que Fabrício Queiroz nutria com o capitão da reserva há alguns anos. Bolsonaro, contudo, não declarou às autoridades o recebimento dos recursos.

Fonte: jornalggn.com.br - Luis Nassif

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