segunda-feira, 23 de maio de 2022

Caetano Veloso - Cajuina - por JÚLIO GARCIA


Fonte: *Sobre a música Cajuína, feita por Caetano em homenagem ao poeta Torquato Netoclique AQUI para ler... 

Abertas inscrições do ProITEC, preparatório para Exame de Seleção do IFRN

 Foto: Arquivo

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), através da Edital nº 19/2022, anuncia as inscrições para o Programa de Iniciação Tecnológica e Científica (ProITEC) 2022. As inscrições começam senta segunda, 23, e vão até 16 de junho.

O Programa tem o objetivo de intensificar a aprendizagem de estudantes de escolas da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte. O curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) ocorre na modalidade Educação a Distância (EaD), pelo Campus Natal-Zona Leste, e contempla as disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Ética e Cidadania.

O Programa de Iniciação Tecnológica e Cidadania (ProITEC) é um curso de Formação Inicial e Continuada, na modalidade de Educação a Distância, com carga-horária total de 160 horas.

Através do conteúdo dos cadernos de estudo e da prova realizada, o ProITEC funciona também como uma preparação para o Exame de Seleção do IFRN, processo seletivo que dá entrada para os cursos técnicos integrados ao ensino médio. Todos os estudantes inscritos no ProITEC devem se inscrever também no Edital do Exame de Seleção, que deve ser publicado no dia 26 de setembro de 2022.

Inscrições

Estudantes que estejam regularmente matriculados no 9º ano e que tenham cursado todas as séries (ou anos) anteriores (ou que tenham cursado todo Ensino Fundamental) em escolas públicas municipais, estaduais e federais, podem se inscrever. A ação deve ser realizada, exclusivamente, de forma on-line, na página da Fundação de Apoio ao IFRN (Funcern), inscricoes.funcern.org, no período de 23 de maio a 16 de junho de 2022.

Os candidatos deverão realizar o pagamento da taxa de inscrição, no valor de R$ 30,00, até o dia 17 de junho deste ano. Para solicitar isenção de pagamento da taxa, deve-se preencher o formulário de requerimento de isenção, na Área do Candidato, também no sítio da Funcern, de 23 deste mês de maio a 9 de junho.

No momento da inscrição, o candidato deverá apresentar a seguinte documentação:

Uma foto 3x4 recente;

Documento de identificação (fotocópia e original);

Comprovante de pagamento da taxa de inscrição (fotocópia e original);

Certidão/declaração escolar que comprove a escolaridade (fotocópia e original), conforme modelo no Anexo III do Edital;

Histórico Escolar do Ensino Fundamental (fotocópia e original); e

Conforme o Edital nº 19/2022, os estudantes homologados e matriculados no PorITEC 2022 estarão isentos do pagamento da taxa de inscrição para o processo seletivo de cursos técnicos integrados, para ingresso em 2023.

Material didático e avaliação

Os candidatos homologados no ProITEC 2022 receberão, como material didático, um livro texto para subsidiar seus estudos. No ato de inscrição, o estudante deverá indicar em qual formato deseja receber o material: físico ou virtual. Todos os participantes receberão o material virtual. Para os que optarem também pela versão física, a entrega ocorrerá de forma presencial, no Campus do IFRN selecionado.

A avaliação do ProITEC ocorrerá de forma presencial. Composta por 40 questões de múltipla escolha de Língua Portuguesa, Matemática e Ética e Cidadania, com base nos conteúdos do Ensino Fundamental, a prova será realizada, presencialmente, no Campus do IFRN selecionado na inscrição.

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

Governo Federal compra trator com verba destinada ao amparo a pobres, diz jornal - " O QUÊ??? " - Eduardo Vasconcelos

Foto: Reprodução/redes sociais

O governo Jair Bolsonaro (PL) destinou para a compra de tratores um recurso de R$ 89,8 milhões que deveria ser direcionado para mitigar o impacto da pandemia da Covid-19 em comunidades pobres. Os equipamentos agrícolas viraram símbolo de clientelismo político na atual gestão.

Os tratores foram comprados pelo Ministério da Cidadania no âmbito de uma ação voltada a famílias de extrema pobreza da zona rural.

A operação envolveu drible a uma determinação do TCU (Tribunal de Contas da União), pressão para acelerar a liberação de recursos da União e criação, por portaria, de uma estrutura de mecanização no Sistema de Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em especial no programa de Fomento Rural.

A aquisição de 247 equipamentos foi efetivada no apagar das luzes de 2021. Ocorreu antes mesmo de a pasta definir a relação de municípios beneficiados, o que denota a ausência de critérios técnicos.

A compra de milhares de máquinas agrícolas tem sido motivo de crise no governo Bolsonaro. A partir de processo licitatório do Ministério do Desenvolvimento Regional, políticos aliados usaram as chamadas emendas de relator do Orçamento para direcionar os equipamentos a suas bases eleitorais.

A diferença agora é a digital do governo federal. Os recursos para essa compra são do próprio orçamento da União.

As movimentações na Cidadania para direcionar dinheiro para maquinários começaram em meados do ano passado, segundo relatos e documentos obtidos pela reportagem.

Em junho, o TCU autorizou que sobras de orçamento resultantes da transição do programa Bolsa Família para o Auxílio Brasil pudessem ser liberadas. A decisão atendeu pedido da Cidadania.

Mas o tribunal condicionou sua utilização. O dinheiro, diz o acórdão do TCU, "deverá ser direcionado exclusivamente ao custeio de despesas com enfrentamento do contexto da calamidade relativa à pandemia de Covid-19 e de seus efeitos sociais e econômicos e que tenham a mesma classificação funcional da dotação cancelada ou substituída".

O governo Bolsonaro, entretanto, ignorou as duas coisas: os gastos não têm relação com a Covid e as compras são de investimentos, não de custeio. A relação entre as compras de tratores e o combate à Covid também tem sido questionada internamente por técnicos da pasta.

O crédito suplementar, de R$ 90 milhões, veio em 3 de novembro, em portaria do Ministério da Economia. O recurso foi vinculado à ação orçamentária "20GD- Inclusão Produtiva Rural".

É nessa rubrica que está o programa Fomento Rural, que sempre foi operacionalizado em duas vertentes: apoio técnico aos agricultores e transferência de dinheiro para as famílias —sempre com foco na população rural pobre, inscrita no Cadastro Único. O número de beneficiados desabou sob governo Bolsonaro, que preferiu comprar máquinas a atender milhares de famílias.

Em março, João Roma assinou a portaria 755, que instituiu uma chamada Estrutura de Mecanização Agrícola (MAG-SAN) no Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Não houve qualquer publicidade sobre a nova medida.

"O objetivo específico do MAG-SAN é prover a infraestrutura mecânica para famílias inscritas no CadÚnico e que possuam domicílio rural, com vistas à estruturação das atividades produtivas e contribuir para o incremento da renda e do patrimônio no âmbito dos programas e ações que compõem o Sisan, especialmente por meio do Programa Fomento Rural", diz a portaria.

O ato diz que os equipamentos devem ser usados para ações como preparo do solo, semeadura, plantio, aplicação de adubos e fertilizantes, colheita e escoamento. A compra dos 247 maquinários inclui motoniveladoras e pá-carregadeiras.

Em 23 de março, a coordenadora-geral de Fomento, Andreza Colatto, assinou no sistema eletrônico do governo, às 16h31, o termo de recebimento dos equipamentos (embora eles estejam na empresa). Um minuto depois já aparece no sistema despacho que solicita a liquidação dos pagamentos.

A mesma coordenadora cita o calendário eleitoral para tentar agilizar as transferências, em despacho de 15 de abril.

"Esta área técnica fez gestão para receber de imediato todos os equipamentos para não só garantir o recebimento dos maquinários no prazo entabulado com o fornecedor, mas também para evidenciar esforços de que todos os bens sejam entregues até a data que culmina nos três meses que antecedem o pleito eleitoral", diz o documento, assinado por Andreza Colatto.

Ela é filha do ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC), historicamente ligado ao agronegócio.

Para o professor Silvio Porto, da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), o investimento é totalmente incoerente com as necessidades das famílias do CadÚnico e com as realidades locais.

"Há dispersão dessas famílias no município, o espaço agrícola que elas têm para produzir é muito pequeno [para uso dos maquinários]. Mesmo que houvesse espaço, há muitas outras coisas para fomentar a produção alimentar", disse ele, que é diretor de sistemas alimentares e agroecologia do Instituto Fome Zero.

Porto cita o financiamento de cisternas familiares como uma das respostas muito mais estruturantes e rápidas no desafio da segurança alimentar dessa população. O programa federal com esse fim foi esvaziado no governo Bolsonaro. "O fato é que se trata de uma ação totalmente descabida. Claramente são politicagens sem conexão com a realidade."

A pasta só estabeleceu a quantidade de equipamentos por estado. O maior beneficiado é a Bahia, estado do próprio ex-ministro da Cidadania João Roma, pré-candidato ao governo estadual pelo PL, mesmo partido de Bolsonaro.

Roma negou irregularidade. A pasta não respondeu aos questionamentos da reportagem.

A empresa contratada, no entanto, é a mesma beneficiada pelas emendas: a chinesa XCMG, cuja sede no Brasil fica em Pouso Alegre (MG). A Cidadania aderiu, em 7 de dezembro, a atas de registro de preços resultantes do pregão realizado pelo Desenvolvimento Regional em 2020.

João Roma é quem assina, como ministro na ocasião, o despacho para liberar a compra, em 27 de dezembro de 2021. Já nos dois dias seguintes, o governo efetivou empenhos no valor total de R$ 89,9 milhões em favor da empresa, como se vê no Portal da Transparência. O contrato com a XCMG, no entanto, só foi assinado em 30 de dezembro.

As máquinas estão paradas no pátio da XCMG, segundo documentos do governo obtidos pela Folha. A Cidadania não concluiu as exigências técnicas para escoar os equipamentos aos municípios, como a própria definição de cidades e os termos de doação às prefeituras que ficarão responsáveis pelos equipamentos.

A empresa não recebeu os pagamentos, e técnicos da pasta têm questionado as lideranças políticas sobre o atendimento dos trâmites legais. Apesar disso, há dentro da pasta pressão para que o dinheiro seja depositado para a XCMG.

Enquanto gasta R$ 89,9 milhões na compra de tratores, a Cidadania ainda ignorou pedido da área técnica da pasta para incluir mais 45 mil famílias de extrema pobreza que vivem no campo em iniciativa de transferência de recursos diretos. Essa ação, dentro do Fomento Rural e citada no processo dos maquinários, custaria R$ 108 milhões e não foi atendida até agora.

João Roma disse à Folha que não houve desvio de finalidade na utilização dos recursos, pois a compra de máquinas agrícolas é uma ação que integra a área de fomento rural e que, portanto, atende as pessoas do programa.

O pré-candidato a governador negou que tenha privilegiado a Bahia. Afirmou que a escolha se deu por critérios técnicos, entre eles o tamanho do território e da população baiana.

Sobre a preferência na compra das máquinas e não por incluir novas famílias no programa, afirmou que "uma ação não exclui a outra" e que não se pode "sacrificar por completo" outras ações.

​A XCMG foi procurada e não respondeu.

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

domingo, 22 de maio de 2022

Quase estagnação no Brasil e o novo desenvolvimentismo, Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Fonte: WALTER SORRENTINO

Considerações sobre os obstáculos à retomada do crescimento no Brasil.

A economia brasileira e mais amplamente a economia latino-americana estão quase estagnadas há 40 anos. No Brasil, que, como no Leste da Ásia, o crescimento foi acelerado entre 1950 e 1979, nos anos 1980 estagnou devido à grande crise da dívida externa e à alta inflação e, a partir de 1990 passou a crescer muito lentamente porque, como argumentarei neste artigo, o investimento público foi baixo e a liberalização comercial, ao implicar sobreapreciação da taxa de câmbio no longo prazo, quase inviabilizou o investimento privado na indústria. O novo desenvolvimentismo, que surgiu há 20 anos para dar conta desse problema, tem um diagnóstico pouco conhecido e uma solução para ele.

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A cinco meses da eleição, JN leva os brasileiros para Nárnia

 

Por Eliara Santana*

Abrimos a porta do armário, entramos nele e vamos caminhando por entre casacos, num caminho comprido que desemboca em uma floresta densa, e então caímos numa realidade paralela que não é a realidade do nosso quarto onde estava o armário.

Esse é mais ou menos o começo do filme “Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”.

É um filme ótimo – assim como todos os outros da série – que eu vi com meus filhos e super recomendo.

Mas não estou aqui pra comentar filmes, porque sou péssima nisso. Quero falar sobre a realidade paralela a que somos transportados pelo Jornal Nacional em muitos momentos da vida brasileira, como agora.

Porque essa sensação de abrir o armário e aparecer em Nárnia foi a que eu tive ao sintonizar a TV no JN nestes últimos dias. Me senti sendo levada para aquele lugar mágico (e eu adoraria encontrar o Leão), para uma realidade paralela, onde só existem tartarugas marinhas, roubo de celular, campeonato de kitesurf, futebol americano, guerra lá longe, o frio intenso que leva turistas para a Serra Gaúcha e mobiliza redes de solidariedade etc. etc.

Nessa realidade paralela da Nárnia tupiniquim, não há política, não há economia afundando, não há detalhes da briga intestina do PSDB, não há eleições, não há Jair Bolsonaro confrontando as instituições e a própria democracia a todo o momento, não há discussão sobre a proposta de homeschooling que avança no Congresso, não há terceira via e João Dória.

Em resumo, não há nada que mostre que estamos em um momento de grande tensionamento político, social e econômico.

As edições do JN estão pulverizadas e sem grandes blocos temáticos, como em outros momentos – os grandes temas perdem espaço, e temas periféricos ganham muito destaque.

Um exemplo: na edição de 18/05, uma reportagem de três minutos mostrou vários detalhes sobre a saúde das tartarugas, e outra, de dois minutos, mostrou avanços da Federação Americana de Futebol no pagamento a jogadores.

Editorialmente, é claro que o jornal pode ter uma grade variada, com assuntos diversificados.

Mas o JN não é folhetim, não é Globo Rural nem Globo Repórter. É o telejornal de maior audiência da TV brasileira, assistido ainda por milhões de telespectadores e deve, sim, priorizar os temas da conjuntura nacional, como tão bem fazia em outros momentos e contextos históricos recentes.

Estamos a menos de cinco meses desta que será a eleição mais conturbada desde a redemocratização, e é urgente que os temas políticos, econômicos e sociais sejam colocados em destaque na pauta.

Uma reportagem grande sobre a saúde das tartarugas marinhas – que pode ser feita hoje, amanhã, daqui a um ano – no momento em que o presidente da República dá todos os sinais de que vai tumultuar ao máximo o processo eleitoral (na melhor das hipóteses) e em que a inflação galopante está sem controle não faz sentido algum. Ou faz, quem sabe.

Vamos a alguns pontos das últimas edições:

Política e economia encolhem; violência aumenta

Nas edições, o espaço para os temas de política fica cada vez mais reduzido, e os temas de economia (inflação, desemprego, queda na renda, juros etc.) nem sempre estão na pauta – detalhe: não há ministro que aparece para dizer qualquer coisa – como em Nárnia, não há governo.

Os temas violentos – assaltos, roubos, mortes – ganham mais espaço e mais detalhes, assim como os acidentes de trânsito. A briga do PSDB perde lugar para acidente entre ônibus e caminhão no Mato Grosso.

Notícia é, numa definição bem genérica, algo inédito, que traz “novidade” e tem relevância, é o relato de um fato mais importante ou de maior interesse para o público em geral. Ok.

Mesmo a partir dessa definição técnica e superficial, não se justifica que assuntos como a pesca predatória causando diminuição de tainhas ou o transporte de elefantas entre Brasil e Argentina tenham mais destaque no maior jornal da TV brasileira do que a discussão sobre homeschooling que avança no Congresso ou sobre a disputa cheia de golpes do PSDB, que já foi um dos maiores partidos do Brasil.

Enfim, precisamos estar muito atentos para outros componentes do gênero notícia para além dos meramente técnicos, porque esses últimos não explicam o que ocorre no JN.

Bloco de Internacional tem espaço maior

Os assuntos de outros países passam a ser mais importantes do que discutir todas as questões que temos por aqui.

Além da guerra na Ucrânia – variações sobre um mesmo tema –, há muito destaque para questões bem específicas em outros lugares, exemplos: perda do bebê de Britney Spears, casos de Covid na Coreia, venda de trigo da Índia para outros mercados, fim do inquérito sobre as festas do primeiro-ministro inglês na pandemia e por aí vai.

Vejam: não estou dizendo que temas ou assuntos internacionais não devam estar na grade. Pelo contrário. Mas há uma abordagem excessiva e exagerada em relação a vários temas que nem mereciam estar na pauta e que tomam o lugar dos assuntos que nos interessam de fato.

Além disso, a cobertura é eurocentrada – não há nada sobre América Latina, e quando há é negativo, e a cobertura relativa ao Oriente se dá pelo viés da Covid, como o lockdown na China. Sem considerar que muitas das notícias internacionais (como a perda do bebê pela cantora) deveriam estar no Fantástico e não no JN.

Por fim, nada justifica que a notícia da falta de leite artificial para os bebês norte-americanos tenha destaque por dois dias seguidos no jornal – não faltam assuntos por aqui, vale.

Boletim do Tempo ganha mais tempo

A onda de frio extremo que atinge o sul e o sudeste do país deve estar na pauta sim, é algo inédito mesmo. Mas me parece que a onda de frio foi um bálsamo para o JN escapar dos temas difíceis em política e economia – e a tendência de mais tempo para o Boletim do Tempo não é desta semana apenas.

Quero registrar também que a cobertura do JN até se esforça para mostrar o absurdo da situação dos moradores de rua em São Paulo, destaca as ações de solidariedade, mas não problematiza minimamente a ausência do Estado, do Poder Público – nenhuma autoridade é ouvida, é como se o problema fosse somente o frio extremo.

Não se mostra que o presidente afronta a democracia

É bastante claro que a estratégia de Bolsonaro é criar factóides para alimentar seus seguidores e fugir dos assuntos conjunturais do país. E é ótimo que a imprensa não caia nas armadilhas.

No entanto, simplesmente fingir que não há um governo que afronta a democracia e que está destruindo o país – política, econômica e socialmente – não é o melhor caminho, pelo contrário. É preciso que a população saiba o que ocorre, especialmente em ano eleitoral.

Por fim, ao conduzir os brasileiros para uma realidade paralela, que não reflete a situação de gravidade política, econômica e social que o país vive, o JN contribui para a desinformação e cerceia ou interrompe um debate que poderia e deveria estar sendo feito num ano eleitoral.

*Eliara Santana é jornalista, doutora em Linguística e Língua Portuguesa e pesquisadora colaboradora do IEL/Unicamp. Coordenou o curso “Desinformação, Letramento Midiático e Democracia no Brasil”, promovido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e foi co-coordenadora do I Ciclo de Letramento Midiático do PPGL da Universidade Federal do Rio Grande 

-Fonte: Viomundo

Câmara conclui PL do ensino domiciliar sem alterações; texto vai ao Senado

 

Foto: Reprodução/Pixabay

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (19) o projeto de lei 3179, de 2022, que trata da regulamentação do ensino domiciliar, o homeschooling. O texto-base do PL foi aprovado na noite da última quarta-feira (18), mas a Casa precisava votar os destaques.

Todos os oito destaques propostos, que poderiam promover votações ao texto, foram rejeitados nesta quinta. Com isso, o texto da deputada Luísa Canziani (PSD-PR), a relatora do projeto, foi mantido. A matéria, agora, vai ser discutida e analisada no Senado Federal.

O texto altera a lei nº 9394 de 1996, que estabelece as diretrizes e as bases da educação nacional e passa a permitir que crianças e adolescentes sejam educados em casa. O PL prevê alguns mecanismos de controle, como a necessidade de um dos responsáveis, ou preceptor, ter ensino superior, de a matrícula estar vinculada a uma escola, além de avaliações periódicas.

Enquanto defensores da pauta argumentam que o ensino domiciliar atende o direito das famílias de decidir como educar os filhos, especialistas dizem que esse método fere o direito de frequentar a escola, considerada crucial para a educação integral e socialização.

O texto-base foi aprovado nesta quarta por 264 votos a favor, 144 contra e duas abstenções. O presidente Jair Bolsonaro (PL) é favorável ao projeto, a base aliada defende que o homeschooling permite maior “liberdade” no modelo de ensino.

No entanto, especialistas dizem que esse método fere o direito de frequentar a escola, considerada crucial para a educação integral e socialização. 

Fonte: Potiguar Notícias

Adaptado pelo eduagreste.blogspot.com, em 22/05/2022.

sábado, 21 de maio de 2022

Novas relações de Trabalho e a importância de um RH humanizado nas empresas

 * Luiz Gomes é professor, advogado, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, especialista  em Direito e Processo do Trabalho e Processo Civil.

Ao longo da história, o ser humano tem buscado arduamente equilibrar suas relações com os demais seres humanos, motivo pelo qual foram se estabelecendo critérios norteadores das regras de comportamento social e humano.

Ao analisarmos contextualização e construção histórica do direito do trabalho, podemos observar, todavia, que tanto a globalização quanto a revolução tecnológica, não representam uma novidade plena na história mundial. Já na antiguidade, na época do Império Romano, ou na Renascença, na época dos descobrimentos, a globalização era uma realidade, embora fosse identificada com outros nomes. A Revolução Industrial, por sua vez, causou o mesmo efeito que hoje provoca a revolução tecnológica.          

A história mostra, portanto, não se pode esquecer, que no período anterior ao surgimento do direito do trabalho, foi marcado pela injustiça da escravidão, sem que isso tivesse representado qualquer fator de orgulho para os povos.

Fazer valer o direito do trabalho mais que uma questão de justiça é o resultado inexorável de nossa responsabilidade histórica com a vida digna, espelha pelo respeito aos direitos fundamentais da dignidade humana.

Importa verificar que o direito do trabalho atribui um valor social do trabalho, não em decorrência das possibilidades econômicas, mas em consonância com as necessidades humanas, o que dá ao direito um aspecto ético e moral e essa é uma abordagem jurídica, pois a própria Constituição Federal fixou como "princípio fundamental" da República Federativa do Brasil "a dignidade da pessoa humana" e "os valores sociais do trabalho" (art. 1o., incisos III e IV) e fez menção à justiça social (art. 170) que estabeleceu que a ordem econômica é "fundada na valorização do trabalho humano" e ainda previu que a propriedade privada "atenderá à sua função social" (art. 5o., inc. XXIII, e art. 170, inc. III).

Destarte, não se pode omitir que a transnacionalização das empresas através da globalização dos negócios, está transformando a realidade social de regiões e continentes, na maioria deles, em descompasso com a evolução humana, causando-lhes grandes depressões sociais e econômicas, causando mais desigualdades sociais e precarização nas relações de trabalho.

Neste diapasão é que as empresas têm, no mínimo, a responsabilidade de impedir ofensas aos direitos fundamentais e humanos e de contribuir para que a sociedade se torne mais justa e humanizada, e que a produção de bens e riquezas não sejam transformadas em um novo muro feudal de desigualdades.

É neste jaez que a empresa ganha enorme relevância no mundo contemporâneo em todas as áreas, não somente econômica, e não pode mais ser considerada ou utilizada apenas como uma ferramenta de produzir lucro.

  Assim, uma empresa precisa-se se preocupar com um RH humanizado, que é uma tendência global na gestão de pessoas, e tomar ações efetivas para esse modelo funcionar e humanizar o RH. 

Por muitos anos, líderes de recursos humanos focaram principalmente na eficiência dentro do modelo operacional e mecanico.  Nos últimos tempos, no entanto, houve um aumento na demanda de atender as necessidades de saúde física e mental dos colaboradores e de manter a integração e conexão entre as equipes, sobretudo durante o home office. 

De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, um RH humanizado impacta diretamente no desempenho e na satisfação não só de colaboradores, mas também de clientes.   Segundo o estudo, a gestão mais humanizada eleva o bem-estar dos colaboradores em até 225% e a dos clientes em 240% e ainda elevam a rentabilidade financeira dessas empresas, em relação a outras companhias. 

 Portanto ter um RH humanizado, que valoriza o ser humano, enxergando os colaboradores com visão além do trabalho, aliando o pessoal e profissional, e dando dignidade a vida social do seu trabalhador.  

E como fazer, eis alguns norte importantes: Ser um bom ouvinte dar voz ao colaborador; valorizar a qualidade de vida e o bem-estar dos colaboradores no ambiente de trabalho e fora dele; colocar o colaborador como o centro das atenções, bons resultados dependem de uma boa atuação de seus profissionais e, por isso, cria estratégias para mantê-los felizes e engajados e prezar pelo reconhecimento profissional onde a companhia reconhece e cria ações de gratidão para com a atuação de seus profissionais.

Destarte, Humanizar o departamento de Recursos Humanos e as iniciativas de Gestão de Pessoas significa, essencialmente, investir em ações, processos e ferramentas que aumentem o bem-estar no trabalho. Isso faz com que os colaboradores se sintam acolhidos e mais engajados na sua rotina profissional.  A seguir algumas iniciais ideias para serem analisadas e alguns instrumentos que as viabilizam:  Compreensão e Interação com seus colaboradores , ou seja é compreender a integralidade da vida dos seus colaboradores, e entender em todas as suas dimensões; envolvimento dos gestores da empresa , serão a prima facie da integração de equipe, portanto é o ponto focal da relação entre os colaboradores e a empresa; Investir na capacitação, é fundamental investir continuamente na capacitação da liderança, e criar processos e fluxos de trabalho capazes de gerar satisfação e felicidade dentro do ambiente da empresa.; uma Boa e eficiente comunicação é o fundamento para criar um ambiente onde todos se sintam importantes e tenham voz para contribuir com o crescimento da empresa. Certamente aumentara o nível de sugestões e ideias de aprimoramento e crescimento da empresa, diante do sentimento de humanização e pertencimento e finalmente, importante criar uma política de benefícios, pensar que todos tem uma vida social e familiar fora do trabalho, isso passa a ser importante ter benefícios que possibilitem maior qualidade de vida a seu colaborador e seus familiares.

Isso não é apenas diferencial para a marca da empresa, mas também como um fator de pertencimento e viabilidade de retenção de valores profissionais de qualidade para a empresa com a satisfação do colaborador. 

As novas relações de trabalho no mundo pós contemporâneo, seja virtual ou presencial, precisam compreender a importância de lideranças humanizadas- é um tipo de gestão na qual o líder exerce sua influência e pauta suas ações sobre um grupo de forma mais empática e solidária.

Concluo em dizer ser fundamental que o gestor deve gostar de pessoas, de interagir, de conviver e de tentar entender o outro. Como consequência, o gestor consegue pensar e executar estratégias que impulsionam o engajamento dos colaboradores, estimula a mudança de mindset corporativo e ainda melhora a cultura organizacional da empresa. Assim, todo mundo sai ganhando: tanto os colaboradores, que têm acesso a um ambiente mais acolhedor e menos estressante, quanto a empresa, cujos dados indicarão o aumento da produtividade.

 * Luiz Gomes é professor, advogado, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, especialista  em Direito e Processo do Trabalho e Processo Civil; membro da CNDT da ABA, CNDS e da Comissão Nacional de Direito Luso-brasileiro do CFOAB; Foi Conselheiro Federal da OAB e Secretário Geral da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFOAB; foi Presidente da ANATRA - Associação Norte Rio-grandense dos Advogados Trabalhistas, é Membro da JUTRA – Associação Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho e Autor de vários artigos jurídicos e científicos sobre temáticas relevantes para a Justiça Brasileira.

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

Governo do RN decreta emergência por aumento de casos de dengue, zika e chikungunya

Foto: Ministério da Saúde

O Governo do Rio Grande do Norte publicou, nesta sexta-feira (20), no Diário Oficial do Estado, o decreto de situação de emergência no estado em decorrência do aumento de casos de doenças transmitidas pelo mosquito aedes aegypti definindo como epidemia. O decreto tem validade de 90 dias.

Entre as principais medidas, o Estado cria um comitê para o acompanhamento em tempo real da situação. O Decreto também autoriza a entrada de agentes de endemias em imóveis públicos e particulares abandonados.

Com a instituição de um Comitê de Gestão com representantes de nove secretarias e autarquias, o Estado autorizou a Secretaria de Estado da Saúde Pública a requisitar pessoal e equipamentos das demais secretarias de Estado para, em conjunto, desenvolver ações de eliminação dos focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Também determinou que as equipes de agentes de controle de endemias e agentes comunitários de Saúde intensifiquem as medidas de prevenção e controle junto à população.O Rio Grande do Norte registrou, nos primeiros meses de 2022, mais casos prováveis de dengue do que em todo o ano de 2021. De janeiro até o dia 7 de maio foram registrados 11.427 casos de dengue. Em todo o ano de 2021, o Ministério da Saúde registrou 4.301 casos da doença.

Cuidados

A Sesap reforça a necessidade de ampliação dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti, tais como como manter os quintais limpos para evitar criadouros do mosquito, higienizar vasilhas e reservatórios de água animais e plantas. Além disso, não colocar lixo em terrenos baldios, manter as caixas d´água sempre tampadas e manter os cuidados para evitar acúmulo de água parada em qualquer local. Também é importante receber a visita dos agentes de endemias.


Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

PRÓXIMA QUARTA-FEIRA (24/05) PRESIDENTE DO CPC-RN ESTARÁ NA SEEC-RN EM AUDIÊNCIA COM O SEEC - RN - GETÚLIO FERREIRA

 

Eduardo Vasconcelos - CPC-RN e professor e SEEC-RN, GETÚLIO FEEREIRA
Foto memória

Próxima quarta-feira (25/05/2022), ás 15h. na SEEC-RN, o Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, estará em audiência com o professor, GETÚLIO FERREIRA - SEEC-RN, tratando de assuntos referentes ao Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN;

Será muito importante esse momento, pois o CPC-RN levará uma demanda do CPC-RN para que o Governo do Estado possa através da SEEC-RN ajudar ao CPC-RN, firmando parceria para que a instituição sem fins lucrativos possa avançar nas suas demandas, bem como colocar novamente em prática os projetos culturais do CPC-RN, a exemplos de Cursos de Capacitação de Projetos, Seminários, Eventos Culturais, Compra da Sede do CPC-RN - sonho que poderá, sim ser REALIZADO com o apoio do Governo do Estado através da SEEC-RN e outros assuntos inerentes as prováveis  parcerias. 

Vamos aguardar a audiência para definirmos nossos caminhos de luta e sonhos ao lado, quem sabe com o apoio do Governo do Estado e SEEC-RN. Conclui, Eduardo Vasconcelos.

Arte: ferramenta de resistência cultural

 

 “Qual o verdadeiro papel do (a) artista na sociedade? Entreter ou informar?”

A cada dia torna-se mais urgente repensarmos o mundo pela ótica da diversidade cultural para que possamos compreender as formas, costumes, produção e necessidade dos povos.

É emergente o diálogo entre as culturas para construirmos um mundo mais sustentável, de igualdade social, direitos e liberdade, respeitando as diversidades.

Com base no dia 21 de maio (amanhã) que, está marcado no calendário da Organização das Nações Unidas o dia mundial da Diversidade Cultural para Diálogo e Desenvolvimento, instituído em sua assembleia geral no ano de 2002 após aprovação pela Unesco da Declaração Universal sobre Diversidade Cultural de 2001, precisamos reconhecer a necessidade de aumentar o potencial da cultura como meio de alcançar prosperidade, desenvolvimento sustentável e coexistência pacífica mundial.

Nós, seres humanos, somos desde o momento em que somos inseridos na vida social, produtores de cultura. Aliás, somos a única espécie com essa capacidade, o que nos difere de todas as outras nos colocando na condição humana.

Somos capazes de voar sem ter asas, de atravessar o oceano sem ser peixe, de construir e destruir, de preservar os recursos naturais e/ou acabar com eles.

Somos por natureza, produtores de cultura, mas neste artigo quero abordar, com o intuito de reflexão, a forma simbólica da cultura: Arte.

A arte é a ferramenta cultural que tem a capacidade de comunicar a partir da própria experiência humana, trazendo à tona as condições sociais, econômicas e políticas do nosso planeta, assim como também é utilizada como instrumento de massificação pelo próprio sistema regente. Ela nos mostra uma capacidade inigualável de alienação dos povos, gerando as condições para a implantação e aceitação de sistemas que oprimem e colocam o ser humano na condição de explorador da própria espécie, assim como é capaz de nos libertar das amarras e do aprisionamento intelectual.

Foi a partir da cultura que descobrimos em nossa história a palavra Etnocentrismo, conceito utilizado para justificar todas as formas de exploração, invasão, colonização, escravidão e massacre das diferentes culturas.

Muitas vezes a arte foi utilizada como instrumento de segregação e divisão social, formando uma elite intelectual e econômica europeia que se autoproclamava melhor (culturalmente) do que povos intitulados bárbaros e selvagens, justificando e criando as condições para as invasões e retaliações.

A arte também é uma forte ferramenta de comunicação capaz de conscientizar a população e resistir, através de suas manifestações, denunciando e nos mostrando os verdadeiros sentidos e objetivos das ações das classes dominantes dentro do sistema capitalista e neoliberal.

Os (as) artistas se tornam agentes culturais de transformação social, capazes de levar a informação por meio da linguagem simbólica à lugares inacessíveis.

Qual o verdadeiro papel do (a) artista na sociedade? Entreter ou informar?

Posso dizer que são os dois, pois para informar e conscientizar é necessário entreter e para entreter é preciso ter o que dizer ou se apropriar do discurso.

Ter o que dizer é fundamental para o ser humano em todos os sentidos. Faz-se necessário a organização do discurso a partir da simbologia e seus significados o que demanda estudo das técnicas e atenta observação do mundo. Quando digo estudo, estou me referindo ao conhecimento das ferramentas artísticas e suas capacidades. Já a atenta observação nos traz o conhecimento das formas culturais (no fator antropológico) e as transformações naturais que as colocam em movimento permanente. Isso permitirá que o (a) artista um bom aproveitamento da ferramenta para despertar a atenção do público e tornar a comunicação mais eficiente, aproximando-o pela identificação ao discurso, compreendendo-o.

É relevante o grau de responsabilidade e importância que tem a arte em nosso mundo. A arte está e esteve presente, como protagonista em cada momento de luta e resistência, mas também já foi usada por sistemas para impor as condições de submissão aos povos.

É preciso saber em que lado da história estamos: Do explorador ou da resistência.

Dentro do isolamento social que fomos colocados em decorrência da pandemia da covid, artistas de todo o mundo e de todas as culturas se tornaram, como nunca, essenciais em nossa vida cotidiana por meio de lives, shows, bate papos, cursos, entre tantas outras atividades, tirando as pessoas do ócio e da estagnação.  No momento em que nos encontramos, os (as) artistas se fizeram extremamente necessários (as), não apenas como animador (a) de festa, mas como comunicador (a) capaz de estabelecer um diálogo consistente com a população, muitas vezes descrente e amedrontada sem saber o que será do amanhã.

Os (As) artistas, por consequência do momento vivido e por necessidade de comunicação, foram capazes de se apropriar das ferramentas tecnológicas em pouco tempo para que pudessem estar junto às pessoas em suas casas por meio de computadores, celulares de forma independente sem fazer uso das formas midiáticas tradicionais de alienação de massa.

Portanto a arte não é apenas uma profissão como outra qualquer, mas também é ferramenta que possui grande responsabilidade na construção do mundo que queremos, trazendo à tona a partir da interpretação de seus símbolos as mais autênticas formas de expressão cultural da humanidade.

Dar condição ao(a) artista prosseguir com seu trabalho, torna-se necessário a partir de políticas públicas e oportunidade de trabalho.

Viva a Diversidade Cultural, identidades e pluralidades presentes e, viva  a arte que resgata, reforça, comunica e questiona todo um sistema em defesa da humanidade: Igualdade e Liberdade dos povos!

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

segunda-feira, 16 de maio de 2022

UBES elege estudante negra e nordestina para presidir a entidade nos próximos dois anos

 

44º Congresso da UBES terminou neste domingo, 15/05, com a eleição da nova diretoria. Jade acredita na união dos estudantes para defender a educação, transformar vidas e mudar a maré 

Os milhares de secundaristas presentes na Plenária Final do 44º Congresso da UBES neste domingo, 15/05, elegeram a cearense Jade Beatriz como presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas nos próximos dois anos.

A chapa dela, “De mãos dadas para defender a escola e o Brasil”, recebeu 84,79% dos votos dos 3655 delegados e delegadas inscritos. Também participaram a chapa “UBES nas lutas – Oposição”, que obteve 550 votos, e “Tempos de Guerra”, com 6 votos.

Eleita em um congresso que teve o lema “Pra fazer do Brasil uma sala de aula”, Jade tem como um dos principais objetivos de sua gestão a defesa da escola como instrumento e meio para a transformação social. “Estamos vivendo anos extremamente conturbados para a educação, com sucateamento, denúncias de corrupção e aparelhamento ideológico no MEC e corte de recursos”, avalia ela, que promete muita luta pelos sonhos de toda uma geração.

MUDANDO AS CORRENTES DO MAR
Conheça Jade Beatriz, nova presidenta da UBES


(Foto: Karla Boughoff)

Quando tinha nove anos de idade, Jade Beatriz, nascida na periferia de Fortaleza (CE), assumiu uma tarefa. Coordenar voluntariamente o grupo de dança da igreja na sua comunidade, na zona oeste da capital cearense. “Eu nem gosto tanto de dançar, mas eu gostava mesmo era de ajudar a organizar, reunir as pessoas”, conta. Quando lembra de sua infância, a fala de Jade é recheada das lembranças de sua participação nos projetos sociais, grupos de jovens, pequenas iniciativas locais perto da sua casa. Onze anos se passaram. E hoje a jovem cearense, aos 20, assume o cargo mais importante da vida. Liderar a organização que representa os cerca de 40 milhões de estudantes secundaristas de todos os 27 estados do Brasil.

A nova presidenta da UBES, negra, católica, com mãe faxineira e pai vendedor de frutas, filha mais velha de cinco irmãos, nunca se contentou com a rotina das marés a modelar o seu destino. Ao invés de esperar as estatísticas de um futuro marcado para o subemprego, a evasão escolar, a repetição dos mesmos ramos na árvore genealógica preta e periférica do país, ela desde criança já se movia para ser algo bem diferente. Depois do grupo de dança, veio o de teatro, aos 12 anos. Depois o grêmio, que ela ajudou a fundar na sua escola com o nome de Frida Kahlo e do qual foi presidenta. O feminismo. As causas coletivas. As lutas políticas em defesa da juventude e do Brasil.


Jade durante ato em Fortaleza (Foto: Jonathan Salles/ CUCA da UNE)

Aluna de um pré-vestibular popular de Fortaleza, Jade espera agora ser a primeira de sua família a entrar na universidade. E assume a UBES com a tarefa de recuperar esse sonho para milhões de meninas e meninos da escola pública do Brasil. “A destruição que o governo Bolsonaro vem promovendo na área da educação é a tentativa de destruir os sonhos da nossa geração. Não podemos deixar isso acontecer”, declara. E avisa que uma das primeiras grandes campanhas da UBES será pela defesa da lei de cotas no Brasil, que passa por uma revisão no Congresso Nacional neste ano de 2022.

Com formação técnica em logística, articulada, estudiosa com dedicação dos grandes temas da educação nacional, ela faz parte do movimento de jovens de todo o país que conquistaram, no ano de 2020, a aprovação do novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), recurso fundamental para as melhorias que o setor educacional precisa no país. “É necessário agora pressionar pela correta aplicação desse recurso. As escolas brasileiras continuam sucateadas, não há prioridades nem plano de trabalho para a educação neste governo. Precisamos também de um novo Plano Nacional de Educação”, critica, ressaltando ainda o aparelhamento ideológico do Ministério pela extrema-direita e o recente escândalo de corrupção na pasta.


Jade em ato por “vida, pão, vacina e educação” em Fortaleza, 2021 (Foto: Jonathan Salles/ CUCA da UNE)

A ascensão de Jade no movimento estudantil brasileiro começou nas reivindicações mais diretas e cotidianas da sua escola. Quando liderou um protesto contra a qualidade do ar condicionado nas salas, o movimento dos alunos foi parar no principal telejornal de Fortaleza e mobilizou a cidade a favor dos estudantes. Já na “Revolta do Gelinho” (ou geladinho, sacolé, chup-chup), quando denunciou a péssima qualidade da sobremesa na cantina – doce estragado de goiaba com formigas dentro – conseguiu atrair a atenção da secretaria de educação e mudar o cardápio para toda a rede.

Em pouco tempo, estava já nos encontros nacionais de secundaristas, construindo as pautas nacionais junto à UBES. Durante a pandemia da Covid-19, ela auxiliou a construção de uma rede virtual da militância secundarista, para manter as reivindicações do movimento mesmo em caráter remoto. Em junho de 2021, tornou-se a representante oficial da entidade no seu estado. E nos últimos meses entregou-se completamente à campanha “Se Liga Hein” e ao grande esforço para que jovens brasileiros entre 16 e 18 anos tirem o seu título de eleitor. “Vivemos um momento crítico da nossa democracia e sabemos que o voto da juventude pode fazer a diferença para recuperarmos o Brasil”, explica.

Apesar de toda a pressão do novo cargo, Jade demonstra que busca viver como uma jovem normal, da sua idade. Quando o assunto é música, ela apresenta no histórico do Spotify a sua veia rockeira e emo, fã de NX Zero, Fresno e Pitty. Mas também é fanática pelo RBD, grupo mexicano adolescente de sucesso nas últimas décadas. Quando o assunto é seriado, cita Riverdale e a Maldição da Residência Hill “Sou apaixonada com terror”, conta. No futebol, torce para o Fortaleza e está empolgada com a fase do time, que chegou pela primeira vez na história à disputa da Libertadores da América.

Ao lembrar dos seus nove anos de idade e do grupo de dança da igreja, Jade cita um amigo que também estava lá. Pedro Keverton, vizinho, que tinha a mesma idade e cuja amizade se estendeu até os dias atuais. Diferentemente de Jade, Pedro sucumbiu e perdeu a sua vida recentemente, após uma trajetória de abandono ao tráfico de drogas e à falta de perspectiva que faz vítimas de forma estrutural e massiva na juventude negra brasileira das periferias. “Ele me perguntava o tempo todo sobre o movimento estudantil e sobre como participar. E até hoje me arrependo de não ter feito mais por ele”, reflete a estudante, olhando para algum lugar onde as lágrimas não venham.(Foto: Karla Boughoff)


Jade diz que é privilegiada de estar agora começando uma trajetória diferente dos seus pais, que segundo ela são a sua maior inspiração e referência para a vida. “Quando eu era pequena, minha mãe era faxineira de uma casa onde a filha da família fazia aniversário no mesmo dia que eu. Então ela passou a minha infância levando os restos dos docinhos da filha da patroa para a minha própria festa em casa. Isso diz muito e mexe muito comigo”, expõe.

Durante toda a sua vida até aqui, Jade sente que está nadando contra a corrente. “Sou uma mulher negra, jovem e nordestina. Tudo nesse país é feito para que eu desse errado, mas eu estou aqui.” Mas completa: “Quanto mais a gente nadar juntas contra a corrente, mas fácil é o mar mudar”. Vinda de uma terra de jangadas e de heróis como o negro cearense Chico da Matilde, o Dragão do Mar que é racialmente escondido como o verdadeiro líder da abolição da escravatura no país, Jade avisa que os seus e as suas não serão mais invisíveis. E que vão mudar o Brasil.

Fonte: UBES