Ministro do STF, Dias Toffoli
Via UOL em 21/7/2020
Por decisão de Dias Toffoli, a Polícia Federal foi impedida de cumprir ordem judicial de busca e apreensão no gabinete de José Serra no Senado. A blindagem oferecida ao senador tucano pelo presidente do Supremo Tribunal Federal equivale a uma “carteirada”. É espantosa, contraditória e desanimadora.
Toffoli atuou no caso como chefe do plantão do recesso do Judiciário. Quem fez o pedido não foi a defesa de Serra. Coube à Mesa Diretora do Senado, comandada por Davi Alcolumbre, proteger o senador da ação policial. Presidente do Senado fazendo papel de advogado criminal é um espanto.
Ao atender ao pedido, Toffoli rasgou uma decisão do próprio Supremo, que enviara as acusações para a primeira instância por considerar que os casos não tinham relação com o mandato de Serra. Agora, Toffoli alega que a ordem do juiz Marcelo Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, teve “extrema amplitude”. Entendeu que há “risco potencial” de serem coletados documentos relacionados ao mandato atual de Serra. Presidente do Supremo desdizendo o Supremo é uma suprema contradição.
Em março de 2019, o Supremo decidiu que casos como o de Serra, em que a corrupção se mistura ao caixa dois, seriam transferidos da Justiça Federal para a Justiça Eleitoral, menos aparelhada. A decisão foi recebida como um golpe contra o esforço anticorrupção. A Lava-Jato de São Paulo se equipou para evitar que a investigação eleitoral fosse confundida com impunidade. A constatação de que o esforço da primeira instância esbarra em “carteiradas” que inibem a punição dos crimes do poder provoca um profundo desânimo.
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