quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A quem serve o desemprego da Era Temer? – Por Henrique Domingues

A grave recessão econômica somada à inversão do projeto político causada pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff coloca o povo brasileiro diante de velhos fantasmas do passado. Parece que, do dia para a noite, voltamos duas décadas no tempo e manchetes dos anos 90 começaram a dar a tonalidade das notícias da grande mídia: privatizações, inflação, aumento da violência, da desigualdade, da intolerância, desprestígio internacional, desemprego.
O governo de Michel Temer dá demonstrações diárias de incapacidade política para dirigir o país rumo à retomada do desenvolvimento, uma vez que busca a qualquer custo aplicar o modelo de governo alçado pelo golpe de Estado. A promiscuidade entreguista de Temer é explícita nas declarações e nas medidas do presidente que têm o objetivo central de diminuir a responsabilidade do Estado enquanto principal meio de superação da crise. O poder que deveria ser público, vê hoje na iniciativa privada a única solução possível, a salvação.
Até o momento, o golpe não conseguiu dar respostas efetivas para os desafios postos e o crescente índice de desemprego é, talvez, o maior expoente da ineficiência do novo governo. As projeções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostram que o Brasil terá 1/3 dos novos desempregados do mundo em 2017, atingindo mais de 13 milhões de brasileiros e brasileiras. A tendência seguirá em 2018 quando no país serão aproximadamente 14 milhões de desempregados, num total de 27,1 milhões em toda a América Latina.
Mesmo com mais da metade de todos os desempregados da América Latina, Michel Temer insiste na tese de que apenas a recuperação da economia e a posterior supressão da capacidade ociosa das empresas pode retomar as contratações a ponto de materializar-se um combate real à falta de postos de trabalho. Acredita ainda que são as reformas propostas por ele que irão impulsionar o país rumo a superação da crise, então temos a reforma da previdência, a PEC do teto, e a queda dos investimentos em políticas públicas como principais medidas para a retomada do crescimento.
O que Temer ignora e omite da população é que os exemplos mundo afora apontam para outro sentido. Nações com altos índices de empregabilidade contam com expressiva participação do Estado na criação de postos de trabalho sendo os investimentos públicos um dos pilares para manter a PEA (População Economicamente Ativa) empregada e a economia aquecida. Os melhores exemplos mostram o governo, minimamente, como um agente regulador das relações econômicas, quando não o principal indutor do desenvolvimento.
São muitas as possibilidades que o poder público tem de criar novos postos de trabalho. No Brasil anterior ao golpe, iniciavam-se robustos investimentos em infraestrutura, com o objetivo de otimizar a produção e o escoamento desta, para assim tornar-nos ainda mais competitivos em nível internacional. Fortes incentivos à engenharia nacional buscavam através da inovação tecnológica a diversificação de nossa matriz econômica, outrora baseada quase que exclusivamente na exploração de insumos.
Contudo, não é interesse do novo governo promover o fortalecimento do Estado nacional. Ao contrário, fora alçado ao poder de maneira traumática para viabilizar justamente o que foi derrotado nas urnas em 2014: a minimização da coisa pública em detrimento da iniciativa privada. Tentam a todo custo enfiar goela abaixo do provo brasileiro o neoliberalismo econômico que vem sendo refutado pelo povo há mais de uma década, pois serve apenas àqueles que têm interesse em aumentar as já altíssimas taxas de lucro do empresariado e, consequentemente, a desigualdade social.
Há também o fato de que quanto maior for a fila para as vagas de emprego, mais desvalorizadas ficam essas vagas, ou seja, menor será o salário e os benefícios oferecidos pelos empregadores. Afinal, se um trabalhador não aceitar as condições oferecidas basta ligar para o próximo da fila e assim sucessivamente. Forma-se com isso uma espécie de “exército de reserva” que contribui para a desvalorização da mão de obra, possibilitando um aumento ainda maior das taxas de lucro e da concentração de renda nas mãos de poucos.
Quando Temer esquiva-se da responsabilidade de criar novos empregos via poder público, ou quando defende que o grande problema na criação de empregos é a CLT, demonstra a quais interesses está servindo na Presidência da República. São os mais escusos interesses da elite que tem como principal objetivo suprimir o progresso popular conquistado com muita luta por todo o povo que se desafiou a construir um país mais justo e soberano, um país que traga dignidade ao cotidiano de cada um de seus cidadãos e cidadãs.
UJS

Preconceito e intolerância: A questão da LGBTfobia no Brasil

Itaberlly Lozano, de 17 anos, Matheus Camilo, 16 anos, e Luiz Carlos Ruas, 54 anos de idade. O que todas essas pessoas tem em comum? O fato de terem sido vítimas da LGTBfobia crescente em nosso país.
No primeiro caso, o de Itaberlly, que vivia em Cravinhos, interior de São Paulo, o preconceito e a intolerância de sua própria mãe, Tatiana Ferreira, de 32 anos, matou o garoto. Ela o repreendia constantemente por conta de sua sexualidade, tanto que o filho foi morar com a avó por conta da violência que sofria, nos últimos dias de 2016, pediu que o filho voltasse para sua casa, matou o garoto esfaqueado e depois ateou fogo no corpo de Itaberlly, acreditando que com isso apagaria as digitais. Uma frieza realmente assustadora. Para o delegado que investiga o crime, ela afirmou que “não aguentava mais o filho”, porque segundo ela, ele trazia outros homens para casa. Sim, homofobia mata!
Matheus Camilo, de 16 anos, militante da UJS em sua cidade, Caxias do Sul, se suicidou. Em nota a UJS de Caxias coloca  que “continuaremos sempre buscando a superação desta sociedade doente e cruel, pautada pelo ódio e pela intolerância, e que a cada dia produz novas vítimas como o nosso eterno Matheus Camilo”. O jovem militante não suportou o preconceito diário que enfrentava principalmente no âmbito familiar e pôs fim em sua própria vida.
Ao defender duas travestis que eram perseguidas por dois homens, na estação de metrô Pedro II, em São Paulo, o trabalhador Luiz Carlos Ruas, 54 anos, foi brutalmente espancando pelos dois homens. Nenhum segurança do metrô interviu, ninguém que passava no local faz nada para evitar. Luiz morreu ali, no seu local de trabalho. Ele era ambulante e conhecido por todos no local, pois exercia sua função por muito anos naquela estação. A LGBTfobia alcança também as pessoas não-LGBT, nesse e também em diversos outros casos.
O último relatório de crimes relacionados com homofobia no Brasil, que foi publicado em 2013, pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, aponta que ao menos cinco casos de violência homofóbica são registrados todos os dias no Brasil. No ano da pesquisa, foram registradas 1.965 denúncias de 3.398 violações relacionadas à população LGBT, envolvendo 1.906 vítimas e 2.461 suspeitos. Em relação aos tipos de violência, o estudo de 2013 apresenta que violências psicológicas foram as mais recorrentes, com 40,1% do total, seguidas de discriminação, com 36,4%; e violências físicas, com 14,4%. Ou seja os 3 casos que usamos como exemplos no início dessa matéria são uma pequena mostra do que acontece todos os dias com diversas pessoas no Brasil.
Entre os tipos mais comuns de violência psicológica estão as humilhações (36,4%), as hostilizações (32,3%) e as ameaças (16,2%). No caso das questões discriminatórias, a mais apontada é a discriminação por orientação sexual, com 77,1% das denúncias. Vale ressaltar que 54,9% das vítimas estão na faixa entre 15 e 30 anos.
Não podemos esquecer, que a onda conservadora que assola o país, e que vive seu ápice sobretudo após o golpe do ano passado que tirou a presidenta eleita Dilma Rousseff do governo, abriu espaço para múltiplas formas de preconceitos e atentados contra as minorias políticas e populações vulnerabilizadas pelas desigualdades sociais, com destaque para o fundamentalismo religioso, que ultrapassa os limites das igrejas e chega também nas casas legislativas de todo país e prega uma verdadeira caça à comunidade LGBT.
Para Leonardo Lima, dirigente da Frente LGBT da União da Juventude Socialista, “mais que nunca é necessário compreender que o aprofundamento do conservadorismo, e por consequência da violência contra as minorias políticas, é fruto também da crise pela qual passamos, o sistema econômico capitalista está engendrado também sob a lógica patriarcal, ou seja, todos que não estão de acordo com os padrões vigentes são desde pronto potenciais vítimas do machismo, da misoginia, do racismo e da LGBTfobia”, ele continua “ainda há um agravante, a séria e prejudicial junção entre determinadas religiões e a política, ataque claro e contundente ao princípio constitucional da Laicidade; quantos foram os assassinatos baseados na justificativa religiosa? Precisamos continuar na luta pela superação das opressões, pela conscientização do conjunto da sociedade sobre a emancipação, e também ter a sensibilidade com as amigas e amigos de perguntar “se está precisando de alguma ajuda”, adotar uma postura fraterna de ouvinte, pode parecer pouco, mas isso ajuda muito. Não restam dúvidas de que a LGBTfobia mata, e mata muito, por isso continuamos cobrando a criminalização da violência LGBTfóbica. Somente de mãos dadas, firmes na luta, que iremos vencer o ódio.”
Tenham sempre em mãos contatos úteis no combate aos problemas decorrentes da LGBTfobia:
Centro de cidadania LGBT – SP – (11) 3106-8780
Centro de Referência da Diversidade – SP - (11) 3151-5786
Disque 100 – Direitos Humano – Válido para todo Brasil – 100
Centro de valorização da vida – (Para prevenção ao suicídio) –  Válido para todo Brasil – 141 
Disque denúncia de violência contra a mulher – Válido para todo Brasil – 180 

Confira as datas do Sisu, ProUni e Fies, processos seletivos que usam o Enem

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O Ministério da Educação (MEC) anunciou hoje (18) o calendário dos processos seletivos que utilizam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para acesso ao ensino superior. Os processos são todos online e podem ser acessados a partir do site do MEC. Para participar de todos eles, o estudante precisa pelo menos não ter zerado a redação.
O primeiro processo seletivo a ser aberto é o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cujas inscrições serão de 24 a 27 de janeiro. O Sisu oferece vagas em instituições públicas de ensino superior. Nesta edição serão ofertadas 238 mil vagas em 131 universidades federais e estaduais e institutos federais e instituições estaduais. A partir de amanhã (19), as vagas estarão disponíveis na internet para consulta.
O Programa Universidade para Todos (ProUni) abre o processo seletivo no dia 30 de janeiro e encerra no dia 2 de fevereiro. O ProUni oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino. É exigida também a nota mínima de 450 pontos na média das provas do Enem.
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) terá as inscrições abertas entre 6 e 9 de fevereiro. O Fies oferece financiamento em instituições particulares a estudantes que obtiveram pelo menos 450 pontos na média do Enem e não zeraram a redação.
Fonte: Robson Pires

domingo, 15 de janeiro de 2017

Articuladores do impeachment são responsáveis pela atual indignidade



A combinação de pessoas e ineficácias a que chamamos de governo Temer tem uma particularidade. Nos tortuosos 117 anos de República e ditaduras no Brasil, jamais houve um governo forçado a tantas quedas de integrantes seus em tão pouco tempo, por motivos éticos e morais, quanto nos oito meses de Presidência entregue a Michel Temer e seu grupo.

Entre Romero Jucá, que em 12 dias estava inviabilizado como ministro, e o brutamontes Bruno Julio, que, instalado na Presidência, propôs mais degolas de presos, a dúzia de ministros e secretários forçados a sair é mais numerosa do que os meses de Temer no Planalto.

Foi para isso que o PSDB, o PMDB, a Fiesp, o jurista Miguel Reale e o ex-promotor Hélio Bicudo, a direita marchadora e tantos meios de comunicação quiseram o impeachment de uma presidente de reconhecida honestidade?

Sim. À vista da ausência, nem se diga de reação, mas de qualquer preocupação entre os autores do impeachment, a resposta só pode ser afirmativa. Até antecipada pelo descaso, também ético e moral, dos aécios, da Fiesp, de reales e bicudos. Estes também são partes do governo Temer, como o PSDB, ou seus associados. Logo, tão responsáveis pela indignidade dominante quanto o próprio Temer.

O Geddel que começa a estrelar mais uma peça da ordinarice foi expelido do governo em tempo de evitar que as novas revelações explodissem em uma sala do Planalto. Mas é inesquecível que até poucas semanas Geddel disputava com Eliseu Padilha o comando de fato do governo. Instalado no centro da Presidência por desejo do próprio Temer, que fez o possível para inocentá-lo do favorecimento ilegal a um negócio imobiliário.

Não havendo petistas nem próximos de Lula envolvíveis, a Polícia Federal não se interessou. Se o novo escândalo chegar ao negócio que derrubou Geddel, porém, a PF verá que antes de uma frustração pode haver muitos lances bem sucedidos. Apesar de nada admiráveis.

Mais sugestiva do que a inclusão de Geddel no Planalto é sua nomeação para a diretoria da Caixa Econômica: foi escolha pessoal, o que vale como pedido, do então vice-presidente à presidente. E não qualquer diretoria, não. A de negócios com pessoas jurídicas. Empresas, empresários, projetos privados, sociedades de particulares com governos.

Michel Temer fez mesmo o serviço completo: como outra escolha pessoal, conectada ao PMDB, indicou também para a direção da Caixa ninguém menos do que Moreira Franco.

O que daí resultaria era tão óbvio que aqui mesmo, e logo, se pressentiu. Com a mesma obviedade, o que seria a entrega do governo a Michel Temer e seu grupo não ficou impressentido pela cúpula do PSDB, pelos reales e bicudos do impeachment. Tão responsáveis, hoje, quanto Michel Temer.

UM LIVRO

Dinheiro e interesses não políticos fizeram o lado (ainda) obscuro do impeachment. Os fatos, ideias e sentimentos que viveram o processo de dentro da Presidência e do governo eram o lado sombrio. Não são mais. "À Sombra do Poder – Bastidores da Crise que Derrubou Dilma Rousseff" os ilumina.

E o faz muito além do seu resultado presente. É um livro que ficará como referência. Jornalista e doutor em ciência política, o brilhante Rodrigo de Almeida se propôs a fazer um "livro de observação" –e conseguiu.

Secretário de imprensa da Fazenda com Joaquim Levy e, depois, da Presidência até a destituição de Dilma Rousseff, Rodrigo de Almeida faz uso tão objetivo do seu testemunho quanto seria possível. É jornalismo na melhor acepção da palavra.

Não teme falar do temperamento, das reações e dos erros de Dilma Rousseff, e o faz com elegante franqueza. Trata o decorrer dos acontecimentos, desde o início do segundo mandato, sem ceder a impulsos de militância.

Conduz a exposição do cerco intransponível a Dilma, e a original conduta por ela mantida, sem se perder em considerações dispensáveis e sem perder, jamais, a noção do que refletiria, de fato, a essência do testemunhado.

O texto excelente de Rodrigo de Almeida leva a uma leitura agradável, que a boa edição da LeYa mais honraria se não desprezasse o índice onomástico. Artigo de Janio de Freitas

A silenciosa guerra de desinformação a serviço do império: Governo brasileiro faz propaganda de déficit que não existe.


O Governo Temer está gastando milhões de reais em propaganda a fim de convencer o povo brasileiro de que a Previdência Social tem um grande déficit e precisa urgentemente de reformas profundas que atingem direitos adquiridos dos trabalhadores. A alegação de que há um grande déficit previdenciário é falsa. Na verdade, a Previdência não tem déficit nenhum, é superavitária. O propósito da propaganda de televisão é dúbio. Pode ser simplesmente dar dinheiro para a TV Globo, ou disseminar a ideologia do déficit.

Como um governo pode mentir tanto, para tantos e durante tanto tempo? Simples, manipulando os conceitos constitucionais de Previdência e de Seguridade Social. Previdência Social é o sistema contributivo tradicional. Para ele contribuem todo trabalhador do setor privado, assim como os autônomos. Chama-se, apropriadamente, de Previdência contributiva. Se olharem as contas, tem sido superavitário por anos e décadas. É um mecanismo de solidariedade entre gerações: os ativos pagam pelos inativos.

Seguridade Social envolve também a parte não contributiva do sistema do lado patronal. É o caso da aposentadoria do setor público, saúde, aposentadoria rural e assistência. Embora não sejam integrantes do sistema contributivo, a Constituição criou fontes de financiamento para eles, notadamente contribuição dos servidores, contribuição sobre lucro líquido, Finsocial, receita de loterias etc. Em algum momento a CPMF integrou esse sistema de financiamento, mas os bancos e os grandes interesses conseguiram revogá-la.

 

Qual é, pois, a origem da manipulação? Consiste em somar todos os benefícios da Seguridade Social e compará-los ao financiamento exclusivo da Previdência Social. Claro, aparecerá um déficit gigantesco porque a Previdência não foi criada para sustentar todo o sistema de seguridade, mas apenas o sistema contributivo privado. A outra parte, não tendo financiamento específico, deve ser financiada pelas contribuições da seguridade em geral e, quando isso não é suficiente, por recursos do Tesouro Nacional.

Essa questão não é apenas contábil. É a fonte de distorção da proposta de reforma previdenciária defendida pelo governo e pelos asseclas do grande capital que estão de olho na privatização da Previdência como fizeram no Chile, destruindo o sistema público. Os trabalhadores terão de resistir a isso, do contrário não terão cobertura previdenciária na velhice. Além disso, se a proposta colocada pelo governo supostamente protege direitos adquiridos, podem se preparar, na frente, para uma segunda etapa, na qual esses direitos também desaparecerão. Portanto, é fundamental resistir já, agora!

 

Sugiro que a resistência não se restrinja a lobbies no Congresso Nacional. Isso é importante, mas não basta. Os trabalhadores poderiam, por exemplo, procurar juristas respeitados e entrar imediatamente com uma ação de improbidade administrativa contra o governo a fim de sustar a publicidade do déficit previdenciário na televisão, que pode ser classificado como propaganda enganosa. Isso teria um caráter pedagógico importante. Se quiserem, darei uma assessoria informal, gratuita. Acho que a professora Denise Gentil, a maior especialista brasileira em Seguridade Social, também dará.

Note-se que, além de manipular as contas da Seguridade, o governo rouba – e isso vem de longe – através de contingenciamentos, recursos que seriam dirigidos constitucionalmente para seu financiamento. Esse “roubo” sistemático, que vem desde o Governo FHC, é destinado a pagar juros da dívida pública, de acordo com os mecanismos fiscais socialmente perversos introduzidos nas finanças públicas brasileiras desde a inominável Lei de Responsabilidade Fiscal, da qual fui um dos principais críticos na época de sua aprovação, e que agora está destruindo estados e prefeituras.

No meu caso, aceito qualquer debate sobre déficit da Seguridade e da Previdência com qualquer pessoa de dentro ou de fora do governo. Pode ser economista da PUC, pode ser economista de banco, pode ser contabilista, pode ser comentarista de jornal: aceita-se o contraditório, coisa que do lado de lá nunca fazem. Tenho mais de 40 anos de experiência em economia política, mais de 20 livros publicados, mais de 5 mil artigos em grandes jornais, e, mais recentemente, na internet: jamais vi, em minha vida profissional, maior tentativa de manipulação do povo do que essa publicidade de déficit previdenciário como matéria paga pela televisão.

J. Carlos de Assis, jornalista, economista, coordenador do Movimento Brasil Agora.
No Dinâmica Global

SOCIEDADE - EUA: Que venha o Trump

Manifestação
A polícia de Los Angeles avisa: não vamos perseguir nenhum imigrante
A Califórnia, sempre libertária, culta e multiétnica, vai confrontar, a seu estilo, a truculência que se avizinha
Na mesma eleição em que o resto da América se jogou nos braços de uma temeridade pomposa chamada Donald Trump, a Califórnia elegeu para o Senado a procuradora-geral do Estado, Kamala Harris. Kamala é a síntese de uma Califórnia plural, democrática, liberal e multiétnica. Passa a ser a segunda negra eleita para o Senado da República.
É, ao mesmo tempo, a primeira senadora que, casada com um branco, mescla a origem indiana do pai e o sangue dos americanos nativos do lado materno. Só lhe faltaria – para retratar a íntegra do DNA de sua fascinante São Francisco natal – o fator genético de um terço da população daquela formosa city by the bay: os chineses e seus descendentes.
Ms. Harris tem a responsabilidade de substituir Barbara Boxer, que estava na Câmara Alta desde 1993, mas decidiu não concorrer a mais uma reeleição. Barbara Boxer iluminou o Senado com seus princípios humanitários e suas convicções antibélicas no pior momento em que os Estados Unidos chafurdavam na histeria vingativa do pós-11 de Setembro. Foi o único – é bom repetir: o único – voto em todo o Senado contra a intervenção militar no Iraque.
A nova senadora pela Califórnia emerge para a alta política nacional a bordo de uma crcunstância especial: o estado que ela representa começa a se sublevar contra a monumental besteira que os outros americanos produziram em novembro e o clima insurrecional tende a levar a um desafio aberto contra as medidas arbitrárias, xenófobas e discriminatórias inscritas no cardápio eleitoral de Trump. A mobilização começou entre os imigrantes e os estudantes sem visto de residência, dois dos alvos mais óbvios do bombardeio segregacionista do presidente eleito.
Já tem até um grupelho propondo o Califixit – uma versão californiana do Brexit inglês. Não é para ser levado muito a sério, pois, como quase toda iniciativa separatista, costuma abrigar gente truculenta e sentimentos perversos de superioridade bobinha.
Superioridade que, de fato, existe, mas que a Califórnia acolchoa na atitude laid back de quem indulge em continuar fazendo parte, sem abrir mão da sua nobre distinção, do território de indigência ética e intelectual chamado América. No pleito-calamidade, Hillary Clinton obteve no estado o dobro (8,7 milhões) dos votos de Donald Trump (4,4 milhões).
1967
O 'verão do amor', em 1967, liberou o LSD e a vibe do Silicon Valley
Se fosse um país independente, a Califórnia seria a sétima economia do mundo, ultrapassando o Brasil, propulsionada pela turbina de vitalidade criativa e inovadora que é a indústria pontocom do Silicon Valley. Mas não é a estatística dos economistas ortodoxos que faz da Califórnia o melhor de um EUA que definitivamente não faz merecer por ela. 
A Califórnia é a liberdade prateada do surfe, é a contracultura nascida da geração beat, é a força insurgente dos Black Panthers que acordaram, em Berkeley e em Oakland, o sentimento antiguerra dos anos 60 e 70, é a requintada vinicultura dos vales de Napa e de Sonoma, e é, mais que tudo, a sede secular de um empreendimento que fabrica sonhos – uma indústria consagrada mundialmente com o nome de Hollywood.
E, neste momento trevoso de intolerância, a Califórnia é um exemplo de como abrigar imigrantes e de estabelecer com eles um modus vivendi de respeito e até mesmo de produtividade que o novo mandatário quer proscrever à força de muros e rancores.
Mas a Califórnia está disposta a reagir. Mora no estado um quarto de todos os 11 milhões de imigrantes ilegais – aqueles que, escorraçados por Trump como “criminosos, traficantes e estupradores”, o presidente de sangue germânico da outra América ameaça deportar, sem antes, quem sabe, confiná-los em campos de concentração severamente vigiados.
São esses mais de 3 milhões de sem-papéis que legalmente contribuem em 130 bilhões/ano para robustecer a economia californiana – calcula o professor Manuel Pastor, da Universidade do Sul da Califórnia (USC).
É uma categoria afluente, cuja renda tenderia a crescer em 15% nos próximos três anos, avalia Pastor. Ou seja, ao demitir esses milhões de agentes produtivos o empresário Donald Trump estaria igualmente fazendo um péssimo negócio.
Kamala Harris
A senadora Kamala Harris exprime uma terra sem preconceitos (Foto: Josh Edelson/AFP)
A maioria – a grande maioria – é de latinos. Vêm de Honduras, de El Salvador, da Nicarágua, da Guatemala, do México (os latinos da Costa Leste procedem basicamente do Caribe e da América do Sul).
Escapam das carências econômicas, das perseguições políticas e da violência de grupos de extermínio ligados ao narcotráfico. Conseguem, sabe-se lá como, atravessar uma fronteira ferozmente vigiada.
Nem sempre a adaptação é fácil. Se você mora na Califórnia e precisa de alguém que lhe venha fazer um reparo hidráulico em casa, é bem provável que apareça um Carlos, salvadorenho ou hondurenho, que, embora viva há 14 anos na América, se sente muito mais confortável falando espanhol. Mas nada justifica que um troglodita da espécie white trash pretenda recambiar Carlos e outros Carlos de volta a seus países.
As reações preventivas começaram no dia seguinte ao surpreendente resultado eleitoral. Nos campus da Ucla, em Los Angeles, e no da Universidade de Berkeley, ambas escolas públicas mantidas pelo Estado, os estudantes deixaram, imediatamente, as salas de aula para anunciar que iriam defender seus colegas ameaçados.
Há, nos Estados Unidos, oficialmente, 741.500 jovens universitários ainda sem o status da cidadania ou do Green Card, mas protegidos pelo Deferred Action for Childhood Arrivals (Daca), baixado por Barack Obama. Gente que ingressou no país ainda criança ou adolescente, juntamente com pais sem documentos. A maior parte desses jovens está na Califórnia. 
Por coincidência, quem é hoje a presidenta da Universidade da Califórnia é Janet Napolitano, que serviu sob Obama como diretora da sinistra Homeland Security, a Gestapo criada por George Bush a pretexto do 11 de Setembro para vigiar os estrangeiros suspeitos. Ms. Napolitano acolheu o temor dos estudantes com a promessa de que a universidade vai protegê-los, sim, “dentro do possível”.
Mais categórica tem sido a reação de setores até então tidos como conservadores. Da controvertida polícia de Los Angeles, frequentemente às voltas com acusações de racismo e ora e vez envolvida em tórridos conflitos de rua, veio a surpreendente decisão, veiculada pelo chefão Charlie Beck. “Não contem conosco para perseguir e enquadrar imigrantes”, avisou Beck. Se a Homeland Security tiver de fazê-lo, que faça por conta própria.
City Lights
A City Lights, que ousou editar a geração beat, está no epicentro uma resistência intelectual histórica que inclui o Caffé Trieste, o Tosca, o Vesuvio e o estúdio da Zoetrope, de Coppola (Foto: Daren Fentimani/Fotoarena)
Trombadas institucionais estão à vista, não só porque o grosseiro Trump há de querer retalhar o vexame eleitoral que a Califórnia lhe impingiu, mas também porque vai encontrar, do outro lado, a firmeza cool de alguém como o peculiar governador Jerry Brown, democrata da melhor cepa.
Somados os três mandatos que teve, este atual, desde 2011, e os dois anteriores, entre 1975 e 1983, Jerry é o mais longevo dos governadores da Califórnia – e, ao contrário do que pode acontecer eventualmente em outros redutos terceiro-mundistas, em que os administradores são eleitos e reeleitos não pelo que fazem, mas pelo que deixam de fazer, a Jerry Brown pode-se acusar de muita coisa, menos de omissão.
O pai dele, Edmund Pat Brown, já havia sido governador, mas Jerry desabrochou para a política no berço psicodélico da geração flower power. Alternou na trajetória pública altas ambições – por duas vezes tentou ser o candidato democrata a presidente, perdendo para Jimmy Carter e para Bill Clinton – e um desprezo solene.
Chegou a se distanciar por seis anos de qualquer cargo político, período em que ninguém havia de estranhar se encontrasse Jerry, católico por fardo familiar irlandês, sentado em posição de lótus num daqueles templos budistas de meditação à moda – so Californian! – de Esalen. Voltou em 1999 prefeito de Oakland, cidade complicada, negra, pobre e violenta – pelos padrões americanos – situada do outro lado da baía em relação à sofisticada São Francisco.
Não que a Califórnia não tenha feito suas besteiras políticas. Fez germinar figuras como Richard Nixon e Ronald Reagan, este um ator canastrão que ingressou na vida pública pela porta escura da delação contra os supostos comunistas de Hollywood.
Reagan era um idiota, como Trump, mas se cercou no governo de figuras razoavelmente respeitáveis, coisa que será impossível esperar de Trump. O eleitorado produziu também, na circuntância excepcional do recall do desastrado democrata Gary Davis, o governador Arnold Schwarzenegger. Durou de 2003 a 2010. A sorridente Califórnia amaciou o brutamontes.
Se o impiedoso Trump quiser agora se mostrar por lá, a este político pop e zen de 78 anos chamado Jerry Brown bastará o recurso de cantar para ele I will get by/I will survive, do sarcástico hit Touch of Grey (do álbum premonitoriamente chamada Dentro do Escuro), daquela banda que enevoou de fantasia e de outras cositas más a geração de Jerry: The Grateful Dead.
Se o bandleader Jerry Garcia estivesse vivo – como ainda supõem, à moda de Elvis Presley, muitos de seu irrestrito fã-clube – a América toda talvez fosse mais Califórnia e menos Alabama. Mesmo sem o lirismo beat do passado, mas com a criatividade ativa do presente, a chama da tolerância e da rebeldia estará acesa. E – no simbolismo da velha canção de Scott McKenzie – quando você vier por aqui. não esqueça de usar flores no cabelo. 
Fonte: Carta Capital

Brasília Temer e Marcela mudam decoração do Alvorada feita por Oscar Niemeyer, diz site.

Michel Temer, Papai Noel e Marcela Temer
Temer e Marcela: impeachment levará os dois ao Alvorada
Segundo ex-curador dos palácios, a atual primeira-dama não gosta de vermelho e mandou tirar tapetes e carpetes com essa cor
A decoração histórica do Palácio da Alvorada, elaborada por Oscar e Anna Maria Niemeyer, assim como a fachada do prédio, residência oficial da Presidência da República, estão sendo alterados para receber Michel Temer e sua mulher, Marcela. Os dois ainda moram no Palácio do Jaburu, residência da vice-presidência, mas devem se mudar em breve para o Alvorada.
Em entrevista ao site Poder 360, Claudio Rocha, ex-secretário-executivo da comissão de curadoria dos palácios do Planalto e da Alvorada, afirmou que Temer e Marcela estão mudando todo o palácio, com a exceção da biblioteca e do salão de banquete.
"Tapetes foram substituídos, por uma questão de gosto pessoal, porque não gostam de tapete vermelho, os sofás têm sido substituídos, porque não gostam de sofá preto, ou porque não gostam do sofá cor de telha, apesar de essas cores terem sido escolhidas pela própria Anna Maria Niemeyer e Oscar Niemeyer na década de 1960", afirmou. 
Segundo Rocha, os carpetes vermelhos da rampa de acesso ao Planalto, das escadarias e do elevador foram trocados, sempre a pedido de Marcela. As mudanças, afirma ele, são comandada pela chefia de gabinete de Marcela Temer.
Rocha é contra as alterações. "O problema é que o palácio é um espaço público, é um prédio tombado e não faz nenhum sentido esse tipo de interferência"
Ainda segundo o Poder 360, a fachada do Alvorada foi modificada, por conta da colocação de uma tela de proteção na sacada do 1º andar, com o objetivo de resguardar Michelzinho, o filho de Temer. Ele também é contra essas mudanças. “O filho do João Goulart morou no palácio com 4 anos de idade. Os netos do presidente [José] Sarney, os netos do presidente Fernando Henrique [Cardoso] moraram no palácio e nunca teve nenhum problema de segurança”, diz Rocha.
O Alvorada foi restaurado entre dezembro de 2004 e março de 2006, com a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A intervenção respeitou o projeto original, contando com a colaboração do próprio Oscar Niemeyer. 
Estrela do PT
O caso remete a um ocorrido em 2004, quando o ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, mandaram fazer uma estrela de flores vermelhas no jardim do Alvorada, uma evidente remissão à estrela que o PT usa como emblema. 
Naquele momento Lula e Marisa foram criticados por entidades ligadas à preservação do patrimônio da cidade e pela oposição, que tratou o caso como "símbolo do aparelhamento do Estado".
Mudança para o Alvorada
Em novembro, quando esteve no programa Roda Viva, da TV Cultura, classificado por ele próprio como uma "propaganda", Michel Temer comentou a mudança e disse que não tinha pressa. "Não quero parecer açodado, sabe...'decretou impeachment ontem, amanhã tô morando no Alvorada'. Pra mim isso é irrelevante. Eu tenho usado muito o Alvorada. Tomei posse, docemente do Alvorada, e pouco a pouco eu acabo mudando para cá".
Carta Capital

sábado, 14 de janeiro de 2017

Indígenas reagem à indicação de presidência da Funai


Indígenas reagem à indicação de presidência da Funai

Logo após anúncio da Casa Civil de Temer para o presidente e diretor da Funai, pastor Antônio Toninho Costa e general Franklimberg Rodrigues, respectivamente, APIB lança nota anunciando que suas bases jamais recuaram na defesa de seus direitos.

Após a nomeação do novo presidente da FUNAI anunciada nesta quinta-feira, 12 de janeiro, a APIB - Associação dos Povos Indígenas do Brasil divulgou nota que reafirma a mobilização permanente de indígenas de todo país para garantir seus direitos frente à ameaça que é ter um pastor na presidência e um general do Exército na diretoria do órgão do governo responsável por proteger as populações originárias.

A nova equipe da FUNAI com os principais cargos (presidência e diretoria) comandados por membros do PSC - Partido Social Cristão assusta aqueles que há anos batalham incansavelmente para se defender e garantir não só o avanço das políticas para os indígenas, mas principalmente para se barrar os possíveis retrocessos. No Congresso Federal a PEC 215 - Proposta de Emenda Constitucional que prevê a transferência da responsabilidade de demarcação de terras do Ministério da Justiça para o Congresso - vai e volta de acordo com a força da bancada ruralista. Essa é uma das tentativas de alterar a legislação contra os povos indígenas, mas é uma dentre as inúmeras, que vez ou outra surgem ou retomam em votação.

Resistência contínua

Em julho de 2016 a mesma APIB que hoje lança nota reforçando a mobilização contra os retrocessos organizou o #OcupaFunai, que em vários estados brasileiros e com 81 etnias protestou ocupando prédios da fundação contra o fim da Funai e o assassinato sistemático de indígenas. Na semana da ação três foram assassinados em emboscada de fazendeiros.

Confira a nota publicada na íntegra:

Recuar jamais na defesa dos direitos conquistados.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, diante das indicações à presidência e cargos de diretoria na Funai, preenchidas como parte da cota do Partido Social Cristão (PSC) decorrente das articulações do golpe parlamentar que levou Temer à Presidência da República, reafirma publicamente as suas anteriores manifestações nas quais repudiou as tentativas de militarizar e desmontar o órgão indigenista, com a nomeação de militares para presidi-lo, a redução drástica do orçamento e do quadro de servidores, a paralisação das demarcações das terras indígenas, as mudanças por meio de iniciativas legislativas ou medidas administrativas do procedimento de demarcação, a crescente criminalização de lideranças indígenas.
A decisão da Casa Civil de efetivar indicações do PSC não poderia ser diferente, pois esse é o perfil e a cara do ilegítimo Governo Temer, alavancado pelas bancadas ruralista, evangélica, da mineração, do boi, da bala, e assim por diante. Contrariando o entendimento do movimento indígena e de seus aliados, apoiado por amplos setores da opinião pública nacional e internacional, o governo manteve a decisão confrontar os povos indígenas, nomeando para compor a equipe da Funai um diretor militar, o general Franklinberg, rotundamente contestado pelas mobilizações indígenas quando pretendia ser presidente do órgão.

O movimento indígena não pode esquecer que o PSC é parte do batalhão de parlamentares que perseguem suprimir os direitos constitucionais dos povos indígenas: votou a favor da PEC 215, compõe a CPI da Funai / Incra por meio do deputado Bolsonaro filho, e é postulador do projeto de lei do infanticídio voltado a criminalizar os povos indígenas. Ou seja, trata-se de um partido anti-indígena. Será que o novo presidente, Antônio Costa, vai conseguir re-erguer a Funai, se contrapondo às diretrizes do seu partido, assegurando a implementação de todas as reivindicações publicamente conhecidas dos povos e organizações indígenas?
A APIB chama a suas bases a estarem vigilantes, fortemente unidos, e a não recuarem jamais na defesa de seus direitos conquistados.

Brasília – DF, 13 de janeiro de 2017.

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIBMobilização Nacional Indígena
Fonte: Mídia Ninja.

Delação da Camargo Corrêa promete tanto estrago quanto a da Odebrecht


A Camargo Corrêa negocia com a Procuradoria-Geral da República uma segunda leva de delações que promete estremecer ainda mais a alta cúpula política. Nos moldes e proporções da delação da Odebrecht - que ganhou o apelido de "delação do Fim do Mundo", a da Camargo Corrêa envolveria 40 executivos e até acionistas, e alcançaria em torno de 200 políticos, inclusive expoentes do governo de Michel Temer. As informações são da revista Veja.

Segundo a reportagem, a Camargo Corrêa "promete até exumar o cadáver da Operação Castelo de Areia, que tinha a construtora no centro do escândalo – uma engrenagem que envolvia corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro – e que foi abortada pela Justiça."

A revista destaca ainda que "já se sabia que Temer aparecia 21 vezes nas planilhas, ao lado de outros figurões da República, como os ministros Gilberto Kassab (PSD) e Mendonça Filho (DEM) e os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Romero Jucá (PMDB)."

Ainda segundo a reportagem, a superdelação também trará novos problemas para Antonio Palocci.Os 77 executivos da Odebrecht concluíram, no início de dezembro, a assinatura dos acordos de delação premiada. O processo, que durou dois dias, incluiu ainda Emilio e Marcelo Odebrecht. Em seguida, teve início a fase depoimentos. Há grande expectativa sobre as delações dos executivos, já que planilhas de distribuição de verba encontradas pela Polícia Federal na empresa citam mais de 200 políticos

Uma das informações que vazaram da esperada delação dá conta de que o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa Claudio Melo Filho teria dito que o presidente Michel Temer pediu R$ 10 milhões. Ainda de acordo com o delator, o valor foi pago em espécie ao braço direito de Temer, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. 

Segundo o delator, o responsável por falar com agentes privados e "centralizar" as arrecadações financeiras ao PMDB seria Eliseu Padilha. "Ele atua como verdadeiro preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome. Eliseu Padilha concentra as arrecadações financeiras desse núcleo político do PMDB para posteriores repasses internos", diz o delator.

Em 82 páginas, ele conta como a maior empreiteira do país comprou, com propinas milionárias, integrantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo. Além de atingir Padilha e Temer, que pediu o dinheiro a Marcelo Odebrecht em 2014, segundo o depoimento, a delação cita também José Yunes, amigo de Temer há 50 anos e assessor especial do presidente da República.  Leia ainda: Gilmar Mendes passeia no avião com Temer..O réu, que será julgado por Mendes.

Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/

ONU divulga relatório sobre situação econômica mundial e perspectivas no dia 17

O relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2017 será divulgado em Nova Iorque no dia 17 de janeiro. Além de analisar a situação presente, avaliará medidas que podem alavancar o crescimento global e estimular o desenvolvimento. O documento é produzido pela Divisão de Análise e Política de Desenvolvimento do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.
O relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2017 será divulgado em Nova Iorque no dia 17 de janeiro. Enfrentando ventos adversos e muitas incertezas, a economia mundial permanece presa a um prolongado período de limitado crescimento global.
Além de analisar a situação presente, o relatório avaliará medidas que podem alavancar o crescimento global e estimular o desenvolvimento sustentável, incluindo um mix de políticas mais dirigidas, baseadas em análises políticas sólidas e efetiva coordenação a nível doméstico, regional e global. Produzido pela Divisão de Análise e Política de Desenvolvimento do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, o relatório trará análises regionais, incluindo para a América Latina e Caribe.

‘Presos tem total controle interno da unidade’, disse major Wellington Camilo

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Foto: Aura Mazda/ Tribuna do Norte
Os presos da Penitenciária de Alcaçuz têm, neste momento, total controle interno da unidade. Eles estão soltos nos pavilhões e invadiram o alojamento dos agentes penitenciários e pegaram armadas. A informação foi confirmada pelo Major Wellington Camilo, comandante da guarda dos presídios.
Logo após o início da rebelião em Alcaçuz, a energia para o presídio foi cortada. A informação e do Major Wellington Camilo, comandante da guarda dos presídios. O Comandante disse à Tribuna do Norte que a principal preocupação do reforço da PM no local é impedir que os presos fujam.
Por Robson Pires

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Luciana Boiteux: Precisamos falar sobre feminicídio


Feminicídio é a mais grave forma de violência contra a mulher, tendo esse termo sido usado pela primeira vez por Russell em 1976[2], com o objetivo de chamar a atenção e retirar a invisibilidade do assassinato de mulheres. No Brasil, foi incluído pela primeira vez no Código Penal em 2015.[3] As estatísticas são alarmantes: 5o. lugar no ranking de mortes de mulheres, sendo que 4 em cada 10 mulheres, com 18 ou mais anos de idade, foram mortas pelo parceiro ou ex-parceiro.[4]

É urgente dar visibilidade a essas ocorrências, frutos da cultura machista que naturaliza as opressões e a violência de gênero. São claras as diferenças quando a vítima letal é uma mulher e a motivação do crime é essa. Enquanto a maioria dos homens são mortos por arma de fogo, na rua, por pessoas desconhecidas, as mulheres são vítimas de agressões em seus domicílios, por parceiros ou ex-parceiros, sendo menor o uso de armas de fogo e mais comum contra elas a utilização de força física, estrangulamento/sufocação ou objetos perfuro-cortantes (WAISELFISZ 2015). É muito comum que vítimas de feminicídio tenham sofrido violência doméstica anterior, como ocorreu com Isamara.[5]

A violência de gênero, típica da cultura patriarcalista, tem por base a divisão sexual do trabalho, que tolera que o homem use de violência para corrigir comportamentos femininos contrários aos papéis esperados de mulher submissa, mãe e dona de casa.[6] A vítima é vista como culpada pela agressão que sofre, por seu comportamento inadequado, “obrigando” o homem a provar sua “masculinidade”.

A violência do feminicídio é estrutural e não apenas individual ou patológica, pois o que move esse ódio é acima de tudo a manutenção da dominação masculina, como se viu em Campinas.

Infelizmente, apesar dos avanços legislativos e da luta feminista[7], as estatísticas de feminicídio só aumentaram em nosso país desde a década de 1980, especialmente entre mulheres negras, cujas taxas cresceram 54,8%, ao lado da redução em relação às brancas em 9,8% (WAISELFISZ 2015). Apesar da previsão de direitos das mulheres na Constituição de 1988, e da Lei Maria da Penha de 2006, que criou mecanismos de proteção à mulher, tais avanços não foram suficientes.

No feminicídio de Campinas, o assassino, que se suicidou em seguida, deixou cartas (que não deviam ter sido publicadas) de conteúdo misógino que atestam seu ódio premeditado (ele trazia consigo munição extra para sua pistola 9 milímetros e tinha 10 explosivos). Não foi um crime “passional”, nem os alvos foram os dois homens ou a criança. Ele confessou que queria matar Isamara e as mulheres da família e justificou seu ato pelo inconformismo com a separação (apesar de já estar em outro relacionamento) e pelo “injusto” afastamento do filho, cuja visita autorizada judicialmente era (com acerto) monitorada, por suspeitas de abuso sexual.

Mas a culpa é sempre das mulheres… seja da roupa que usamos ou da forma como nos comportamos. O feminicida se considerava um homem de bem, acusou sua ex de alienação parental e ainda citou a lei “vadia” da Penha, se dizendo vítima de um “sistema feminista” (!). Lamentava a separação do filho, que dizia amar, mas que matou sem dó nem piedade, mencionando Deus e a Bíblia. Em trechos das cartas repete clichês e discursos conservadores, como se lê todos os dias nas redes sociais.

Em resumo, machismo mata, e o feminismo é cada vez mais necessário. É urgente a efetivação de políticas públicas para mulheres, a prevenção, debater machismo e gênero nas escolas, lutar contra o preconceito e todas as opressões raciais e sexuais para prevenir a violência de gênero e impedir que políticos oportunistas e misóginos se aproveitem dessa onda social de frustração para instrumentalizar ódio nas redes sociais, nas quais o machismo, o racismo e o preconceito são insuflados por discursos populistas e conservadores. A Chacina de Campinas foi um feminicídio, essa palavra precisa estar no texto da notícia e na compreensão das pessoas, para visibilizar o seu significado e permitir a adoção de medidas concretas para impedir sua prática.

*Luciana Boiteux é Professora Associada de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, feminista e militante da PartidA.

Rod Stewart - I Don't Want To Talk About It (from One Night Only!) ft. A...

Família de Domingos Montagner deve receber R$ 4 milhões de emissora

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Ator Domingos Montagner
Após cinco meses da morte do ator Domingos Montagner, circula a notícia de que a família do artista irá receber indenização milionária da rede Globo, já que o acidente aconteceu no intervalo das gravações da novela “Velho Chico”. A viúva do ator Luciana Lima e os filhos Leo, Dante e Antônio devem receber R$ 4 milhões, quantia a ser parcelada até 2020, segundo publicação do site Purepeople.
A informação dá conta de que a família de Domingos receberá uma média de R$ 90 mil por mês, no entanto, a emissora não se pronunciou quanto ao assunto. Ainda falta a possível indenização da Prefeitura de Canindé de São Francisco, uma vez que o local onde o ator se afogou não estava sinalizado quanto à presença de correntezas e o perigo da região.
Robson Pires

Cunha implora ao STF que suspenda cassação e devolva mandato


Foto: Adriano Machado
O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pediu nesta quinta-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da cassação do mandato dele e a devolução do mandato parlamentar.
Na ação movida no STF, Eduardo Cunha aponta violação ao “devido processo legislativo” na cassação, pelo fato de ter sido decidida na forma de um “parecer” e não de uma “resolução”.
Dessa forma, argumentam os advogados, tornou-se impossível aplicar uma punição mais branda ao deputado, como uma suspensão do mandato, por exemplo, em vez da cassação.
Fonte: Robson Pires