sábado, 6 de fevereiro de 2021

Vídeo: “Esse cabelo da Lumena é um bolo de gato, que dentro deve esconder tudo que pode”


Por Plinio Teodoro

Comentários racistas e homofóbicos no BBB estão ressoando nas redes sociais, onde seguidores destilam preconceitos contra participantes do reality

Os comentários racistas e homofóbicos ocorridos dentro da casa do Big Brother Brasil, da Rede Globo, estão ressoando nas redes sociais, onde seguidores destilam preconceitos sobre os participantes do reality show.

Pelos stories do Instagram, Lara Fernanda fez um comentário racista ao se referir aos cabelos da psicóloga Lumena Aleluia, uma das participantes do BBB, que recebeu críticas nas redes sociais.

“Esse cabelo da Lumena é um bolo de gato, que dentro deve esconder tudo que pode. É morcego, é lagartixa, até o próprio gato”, diz, ressaltando que “se para ela está bonita, para mim tá horrível”

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Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

Fonte: REVISTA FÓRUM

Lula pede mobilização popular para garantir restauração completa de seus direitos políticos

Lula no meio do povo (Foto: RICARDO STUCKERT)

O ex-presidente Lula manifestou temor com a possibilidade de seus direitos políticos permanecerem bloqueados, mesmo com a comprovação da suspeição de Sergio Moro. Lula pediu ao povo brasileiro que se mobilize para evitar que isso ocorra

247 - O ex-presidente Lula pediu à população brasileira que se mobilize para garantir a restauração completa de seus direitos políticos. Mesmo após a comprovação da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, Lula manifestou temor com a possibilidade de que o Supremo não os restaure, o que impediria uma candidatura em 2022.

As declarações foram dadas em conversa com membros do comitê nacional Lula Livre nesta sexta (5), informa a coluna painel, da Folha de S.Paulo.

O grupo estuda organizar atos já no próximo dia 27 ao redor do Brasil.

Juristas dos mais renomados defendem a tese de que, dada à suspeição de Moro, todos os processos que por ele foram orientados devem ser anulados. A consequência natural, afirmam, é a restauração completa dos direitos políticos de Lula.

Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Assange e um elefante num quarto escuro


Em longa entrevista [que você pode acessar na íntegra, em inglês, aqui] sobre o caso de perseguição a Julian Assange, o Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, usou a seguinte imagem para ilustrar o que está acontecendo:

Imagine um quarto escuro. De repente, alguém ilumina o elefante na sala - os criminosos de guerra, a corrupção. Assange é o homem com a lanterna. Os governos ficam brevemente em choque, mas depois mudam o foco da lanterna para Assange com acusações de estupro. É uma manobra clássica quando se trata de manipular a opinião pública. O elefante mais uma vez desaparece na escuridão, atrás do holofote. E Assange passa a ser o foco das atenções, e começamos a conversar sobre se Assange está andando de skate na embaixada [do Equador, quando exilado] ou se está alimentando seu gato corretamente. De repente, todos nós somos "informados" que ele é um estuprador, um hacker, um espião e um narcisista. Mas os abusos e crimes de guerra que ele denunciou desaparecem na escuridão.
Assange, através do WikiLeaks, revelou crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos e aliados (o elefante), mas aí a lanterna da mídia comercial, movida pelos interesses do Mercado e dos aliados, devolveu o elefante à escuridão, deixou de investigar os crimes de guerra cometidos e passou a criminalizar Assange.
 
É isso o que Nils Melzer mostra nessa entrevista reveladora [Vou publicar destaques dela em outra postagem, ou postagens]. Toda a mentira sobre a acusação de estupro que Assange teria cometido. Acusação que, simplesmente, nunca houve, nunca mulher alguma acusou Assange de estupro ou assédio. A não ser em "supostas" notícias na mídia comercial. E no governo da Suécia, vergonhosamente parcial em favor dos EUA.
 
Quando se discute o julgamento de Assange e sua ainda possível extradição aos Estados Unidos (os promotores dos EUA recorreram da decisão da juíza, contrária à extradição) se está deixando de discutir o verdadeiramente grave nisso tudo: os crimes de guerra, torturas, assassinatos, até de crianças e famílias inteiras de civis, por militares dos Estados Unidos e aliados, inclusive a Grã-Bretanha, onde Assange pena numa solitária.
 
Denunciar crimes não é crime. Crime é cometê-los.
 
#FreeAssange

Fonte: https://www.blogdomello.org

Marcelo Freixo: "Estamos vivendo com Bolsonaro uma ruptura civilizatória." - por: Nogueira Jr.


Fonte: https://nogueirajr.blogspot.com

Deputado Francisco é o novo líder do Governo Fátima; George reforça articulação


A governadora Fátima Bezerra anunciou, nesta quarta-feira (03), em reunião com a bancada governista da Assembleia Legislativa, o nome do deputado estadual Francisco Medeiros (PT) como novo líder do Governo na Casa. O deputado George Soares (PL), que ocupava a função, assumirá a primeira secretaria da Mesa Diretora da ALRN.


“A partir de agora terei uma missão igualmente importante à frente da primeira secretaria e achei por bem conversar com a governadora para que fosse realizado um rodízio entre nós da bancada. E o nome que ela escolheu, do deputado Francisco, não poderia ser melhor indicado. Eu continuo fiel ao Governo e trabalhando na articulação política dentro da Assembleia”, disse George.
 
A governadora agradeceu a dedicação e lealdade do deputado George, do PL, no período em que ocupou a liderança e disse ter certeza que continuará contando com a sua experiência e capacidade de liderança nos projetos do governo que serão encaminhados à Casa Legislativa.
“Francisco é outro que dispensa comentários. Um parlamentar qualificado, ex-prefeito muito bem avaliado da cidade de Parelhas, e um deputado atuante, que conhece o estado e defende os interessantes da população”, acrescentou a governadora.
 
O deputado Francisco Medeiros agradeceu a confiança da governadora e dos colegas de bancada, disse reconhecer o importante trabalho de George na liderança e assinalou que encara o desafio como “uma importante missão para ajudar o povo do Rio Grande do Norte e fazer o Governo Fátima avançar cada dia mais”

Fonte: Potiguar Notícias

A praga do planalto que espalha a pestilência : Era uma vez o Brazil - Por Wellington Duarte

A praga do planalto que espalha a pestilência : Era uma vez o Brazil

 
Depois de dez meses sob uma pandemia, temos que admitir que o safardana que hoje ocupa a presidência da república, deixará um rastro de morte que o colocara no panteão da maldade, pois utilizando-se de mentiras, canalhice explícita, sem-vergonhice e outros adjetivos de baixo calão, mantém o país num imenso cemitério, hoje já contando 221.547 vítimas da COVID-19 e mais de nove milhões de casos, cujo impacto na vida das pessoas ainda não foi devidamente mensurado.
 
Bolsonaro, o mandrião, cercado por sua caterva cada vez mais hostil e beligerante, está mostrando ao país, que depôs uma presidenta, comprovadamente honesta, por “pedaladas fiscais”, que na realidade era antecipação de receita para cobrir os programas sociais e que todos os presidentes utilizaram anteriormente, e, por isso, foi deposta, como se destrói uma pseudo-nação.
 
Bolsonaro, protegido anteriormente pela imprensa; pela leniência do Judiciário; por corporações que o auxiliam a propagar o criminoso “tratamento precoce”; por uma polícia federal que parece estar se tornando uma milícia comandada pelo energúmeno do Planalto; e por uma elite medíocre, acostumada a servir-se do erário público para enriquecer, espalha morte e destruição por onde passa, parecendo Othar, o cavalo de Átila, que onde pisava não nascia grama.
 
Bolsonaro é o nosso Coringa macabro. Ele sapateia nas instituições, ri das leis e despreza todas as regras de comportamento de um presidente. A Pandemia mostrou o quanto esse indivíduo é desprezível e, ao que parece, parte da população brasileira, que ainda apoia seu governo, se juntou à essa orgia sombria.
 
Nossas instituições republicanas, aprisionadas durante mais de duas décadas pelos generais ditadores, muitos dos quais hoje apoiam Bolsonaro, construídas lentamente depois de 1985 e especificamente depois de 1988, estão destroçadas. O que foi difícil construir está sendo destruído facilmente e acho que se a sociedade expurgar esse calhorda do poder, veremos o quanto estamos à deriva.
 
A verdade é que o BraZil, hoje um país isolado, desarticulado e desacreditado no cenário mundial, com duríssimos reflexos na nossa já alquebrada economia, em apenas dois anos, regrediu décadas em termos de economia e mais de um século, olhando para os aspectos civilizatórios.
 
Agora mesmo, sem nenhum pudor, está comprando os deputados federais para que elejam o tal de Arthur Lira, acusado de comandar um grupo que surrupiava recursos públicos em Alagoas; foi denunciado por crime de corrupção passiva pela Procuradoria Geral da República (PGR); é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) estando inserido no “quadrilhão do PP”, que desviava recursos da Petrobrás e tem mais acusações, o que fazem o preferido de Bolsonaro um perfeito representante do grupo que está no poder.
Como disse um conhecido meu: “vai piorar muito antes de melhorar”. Só espero que estejamos vivos para ver essa melhoria.

A dura missão da inclusão social

Advogado EVANDRO BORGES

Os índices da vulnerabilidade são exorbitantes no país, com trinta por cento da população não conseguindo uma renda até meio salário mínimo (R$ 550,00) por mês. Uma verdadeira violência, violadora dos princípios da Constituição, e com políticas econômicas que aumentam as diferenças sociais, colocando parcelas da população na marginalidade e em muitas localidades nos braços do crime organizado, em que pese uma série de programas compensatórios.

 
A pesquisa nacional de amostragem de domicílios – PNAD do IBGE é muito dura, principalmente com as regiões do Nordeste e Norte, chegando ao ponto de cinquenta e cinco por cento da população atingir como renda um terço do salário mínimo, melhorando em alguns anos e piorando entre outros, explicando assim as razões da violência em face do fragilizado tecido social, em um contexto de injustiças e de indignidade.
 
As políticas e programas públicos no país são executados de forma descentralizada, concentrando a União os recursos e estabelecendo políticas verticais para serem executados pelos Estados e Municípios, na maioria das vezes com recursos depositados fundo a fundo, sem a passagem pelo intermediário do Estado, praticamente com a execução dos Municípios.
 
Na temporada da abertura do ano legislativo os Prefeitos nas mensagens,  via de regra, colocam o diagnóstico do Município ressaltando a repercussão dos programas sociais e seus impactos nas economias locais, mas, revelando uma população com muita vulnerabilidade, dependente das ações públicas, em todas as dimensões da seguridade social, assistência social, saúde e educação.
 
Nos Municípios realizar uma ação em conjunta e integrada que possa como um programa público unificando ações precisa primeiramente, decisão do Prefeito Municipal, e uma coordenação dirigida às famílias que se encontram com mais vulnerabilidades contando com os instrumentos e ferramentas que já existem, buscando os dados no cadastro único, implantados e executados ao longo dos anos.
 
A política nova para os desafios da atualidade é encontrar metas e resultados, que na área social, alavanquem nas famílias fragilizadas processos de construção de justiça com obtenção de renda, reunindo e potencializando os programas compensatórios em diversas áreas. Podendo contar com a sociedade civil existente nos Municípios para agirem de forma solidária.
 
A missão da inclusão social será um desafio para os próximos anos que todos os gestores públicos deverão enfrentar, trabalhando com austeridade e conseguindo reunir os programas, com um governo afinado, agindo com unidade e capacidade, a fim de impulsionar e vencer as vulnerabilidades absolutas, a fim de alcançar uma sociedade mais harmoniosa e com capacidade de convivência.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A Antiga Estação Ferroviária de Nova Cruz | Patrimônios históricos da Ra...

Freitas Júnior: "A eleição na Câmara Federal foi comprada"

         Segundo o ativista, a eleição do novo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP), representa um retrocesso ético no campo político, tendo em vista que o seu partido tem um longo histórico de corrupção, além de ter uma origem ligada à ditadura militar. Para ele, os partidos de esquerda falharam ao não se unirem em torno de candidaturas próprias, com a finalidade de forçar a decisão do pleito no segundo turno.

         Em relação à suposta vitória do presidente Jair Bolsonaro na eleição da Câmara Federal, Freitas Junior salienta: "do ponto de vista institucional, o atual Presidente da República conseguiu um êxito, isso é fato. No entanto, ele obteve esse resultado favorável à custa de muito dinheiro, comprando parlamentares do 'centrão', que têm uma tradição de fisiologismo político, além de terem a fama de chantagearem governos a fim de manterem um sistema corrupto de compra de votos e nomeações de cargos. Em outras palavras, apesar da aparente vitória, o governo federal continuará refém desse sistema corrupto que existe no parlamento brasileiro".

        No que se refere à eleição no Senado, o ativista ressalta: "o pleito no Senado foi diferente em relação ao processo de votação na Câmara, uma vez que os partidos de oposição não tinham condições de disputar à presidência no primeiro turno. Por outro lado, diferentemente do que aconteceu na outra casa legislativa, onde houve um grande 'balcão de negócios", a disputa que elegeu o Rodrigo Pacheco (DEM) foi regimentalista, no sentido de respeitar as regras estabelecidas na constituição. De qualquer forma, as pautas conservadoras, em ambas as casas, terão maior notoriedade", finaliza. 

Para assistir à entrevista, acesse o link: https://youtu.be/y2fw0lqZzzU

Fonte: POTIGUAR NOTICIAS

Charge: Farra do gado bolsonarista

 

*Por Nando Motta, no DCM

Governo suspende ponto facultativo durante o carnaval


ASSECOM/RN

A governadora Fátima Bezerra revogou os incisos III, IV, V do Decreto Estadual nº 30.338, de 30 de dezembro de 2020, que previa, entre outras providências, ponto facultativo no período do Carnaval deste ano — dias 15, 16 e 17 de fevereiro — para os órgãos e entidades da Administração Pública Estadual. O atual Decreto, n.º 30.369, de 1º de fevereiro de 2021, publicado na edição desta terça-feira (2) do Diário Oficial do Estado, suspende a realização de festas ou eventos comemorativos, durante os três dias, em todo o território potiguar.  

A medida é uma recomendação emitida pelo Comitê de Especialistas da Secretária de Estado da  Saúde Pública (Sesap), em 29 de janeiro, que orienta a suspensão imediata de todas as atividades relacionadas ao Carnaval, seja em ambientes fechados ou abertos, incluindo Carnaval de rua, clubes, shoppings e afins, sejam em locais públicos ou privados.

A decisão da chefe do executivo estadual também levou em consideração dados atuais sobre o aumento do número de casos de infecção e reinfecção pela Covid-19 no Brasil e no Rio Grande do Norte. Outro ponto levado em conta foi a necessidade de manutenção e estabilização dos dados epidemiológicos no Estado.

Ainda segundo o decreto publicado, o atual cenário no Rio Grande do Norte demanda a conjugação de esforços do Poder Público e dos particulares, para prevenção, controle e contenção da propagação da Covid-19. O Governo também vedou o financiamento ou apoio a qualquer evento comemorativo de carnaval, incluindo prévias carnavalescas e similares.

Importante ressaltar que a fiscalização coibindo aglomerações, realização de festas e eventos, bem como a obrigatoriedade do uso de máscaras é de responsabilidade de cada município.

Para ler o texto do Decreto publicado hoje basta clicar no link abaixo:

http://webdisk.diariooficial.rn.gov.br/Jornal/12021-02-02.pd

Em mensagem à Assembleia Legislativa, governadora define prioridades para 2021

ASSECOM/RN

A governadora Fátima Bezerra destacou ações nas áreas da saúde, segurança, educação, recursos hídricos e produção agropecuária como prioridades para o terceiro ano de sua gestão – 2021 - na leitura da mensagem anual à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (02).

No plenário do Legislativo, a governadora citou a continuidade das ações no enfrentamento à pandemia da Covid-19, inclusive com a cobrança ao governo federal para o envio de vacinas suficientes para atender toda a população, investimentos no sistema público de segurança com a realização de concursos públicos para contratar pessoal para as polícias Militar, Civil e Itep, incorporação de pessoal ao Corpo de Bombeiros, investimento de R$ 260 milhões na educação profissional, formação continuada de professores e combate ao analfabetismo, continuidade dos programas de perfuração de poços, distribuição de sementes e assistência técnica aos pequenos produtores. Além disso, a chefe do Executivo conclamou os parlamentares e a sociedade para somar esforços pela conclusão da barragem de Oiticica, no município de Jucurutu, da nova comunidade de Barra de Santana e para o início das obras do ramal do Apodi, que integram o complexo do sistema de transposição de águas do rio São Francisco.

"Volto a esta casa na qual tive a honra de representar o povo do Rio Grande do Norte por dois mandatos consecutivos. Iniciamos 2021 com a esperança na vacinação e melhores dias para o povo potiguar e brasileiro. Venho anunciar ações de Governo e prestar contas aos parlamentares e à sociedade. Contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária tem sido o principal combustível deste Governo. Desde que assumimos, temos pago os salários do funcionalismo dentro do mês trabalhado, o que significa respeito, dignidade e qualidade de vida aos servidores, além de um considerável aporte de recursos na economia do estado. Conseguimos criar um ambiente fiscal favorável ao crescimento econômico, garantindo a permanência de empresas e atraindo novas, gerando milhares de empregos", afirmou a governadora.

Fátima Bezerra registrou que mesmo atravessando uma pandemia, o Governo não deixou de trabalhar. "Temos uma gestão que trabalha, cuida da população e presta contas do que faz. Presta contas diariamente no Portal da Transparência. Uma gestão que segue o caminho do diálogo, da transparência e da responsabilidade. Sou grata ao papel que poderes e ministérios públicos exerceram na fiscalização e controle da gestão e na definição das ações no combate à pandemia. Grata, também, às universidades federais e à universidade estadual que muito têm contribuído para as realizações do governo".

Ainda no campo da saúde, a governadora disse que a batalha contra o coronavírus contribuiu para fortalecer a rede hospitalar estadual. “Hoje, deixamos um legado de 600 novos leitos, o que equivale a seis hospitais de campanha. Com a vacinação, pela qual tanto lutamos, estamos favorecendo o desenvolvimento econômico. O Plano Estadual de Vacinação é uma realidade. Em 24 horas desde quando recebemos o imunizante, iniciamos a vacinação. Hoje somos o 5º estado com maior número de vacinados. Nosso maior diferencial é, ao mesmo tempo que cuidamos do povo, das minorias, das camadas mais vulneráveis da sociedade, garantimos segurança alimentar e hídrica, reforçamos a assistência social, a agricultura familiar, a pesca artesanal e a economia solidária. Temos um olhar voltado para fortalecer a classe produtiva, a começar pelos pequenos empreendedores”.

Fátima Bezerra citou também as linhas especiais de crédito o Super Refis, o Nota Potiguar, o Proedi – Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial e a abertura de mercados internacionais para o agronegócio. “Nosso estado tem governo e tem rumo. Tem um futuro em construção, alicerçado no real, sem ilusões, com a convicção inabalável dos que sonham o possível. Desse sonho não abrimos mão de construir, com paz e trabalho, junto com todos que desejam servir ao Rio Grande do Norte, uma sociedade mais igualitária, mais feliz”, encerrou.

O QUE DISSERAM OS DEPUTADOS SOBRE A MENSAGEM

Autora da lei que criou o Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (PECAFES), a deputada Isolda Dantas elogiou a mensagem anual da governadora Fátima Bezerra, destacou ações que fortalecem setores como desenvolvimento econômico, educação, segurança e agricultura familiar e enalteceu a atuação do Governo no que diz respeito à batalha contra o coronavírus. "Acho que é o tema que merece mais destaque é a Saúde. O Governo do Estado optou pelo investimento no SUS, interiorizando essa política de abertura de leitos, tanto clínicos, como de UTI, além de ter contratado mais de três mil profissionais. O governo está de parabéns pela forma como tem enfrentado a pandemia e pelas perspectivas que apontam para o nosso estado. O Rio Grande do Norte. sem dúvida nenhuma. pode ser maior, pode ser do tamanho dos nossos sonhos, e se depender do governo do estado e do nosso mandato, ele será".

Defensor ferrenho da educação, autor da chamada Lei "Escola democrática", que garante direito à expressão no ambiente escolar, o deputado Francisco do PT elogiou a atitude da chefe do Executivo no sentido de reconhecer o trabalho coletivo desenvolvido pelo governo. "Penso que seja oportuno acrescentar a tranquilidade que a governadora passou com as políticas de combate à Covid-19. Em meio todas as dificuldades, fiquei muito alegre com anúncio do plano de desenvolvimento da educação a ser realizado com os recursos do precatório do Fundef, montante de R$ 260 milhões, para investimentos na ampliação da rede física da educação profissional, formação e combate ao analfabetismo", disse.

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Ezequiel Ferreira se referiu à união entre os poderes como marca da gestão atual do governo, principalmente no tocante à pandemia. "A governadora não só relatou os avanços, mas dividiu os avanços com o poder legislativo e outros poderes, que entendendo a hora de dificuldades no Rio Grande do Norte, se deram as mãos. Assim tem sido na Assembleia, casa plural, onde cada deputado foi eleito pelo seu partido, diante de uma ideologia, mas na hora que está em votação algum projeto que vem beneficiar o povo potiguar, essa casa tem sido solidária, como deve ser. Tem sido assim, e vai ser assim, por mais esses dois anos na nossa presidência e com a solidariedade dos 23 deputados e durante o governo da governadora Fátima".

Líder do Governo na Assembleia Legislativa, o deputado estadual George Soares também salientou a sintonia do poder executivo com a Assembleia Legislativa, para execução de programas e ações citados pela gestora na abertura do ano legislativo. "A mensagem da governadora Fátima foi uma verdadeira prestação de contas de dois anos de muito trabalho. Estou feliz porque várias das ações citadas teve a participação direta desta casa, como a aprovação de vários projetos de lei. Parabéns a toda equipe do Governo", resumiu.

O deputado Ubaldo Fernandes enfatizou o quanto as ações do Governo do RN têm contribuído para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. "Na prestação de contas que a governadora fez para esta Casa, ela destacou setores importantes como saúde e segurança pública, promovendo a reestruturação desses setores. O governo está no caminho certo porque se preocupa com o povo potiguar", afirmou.

CONFIRA:
Principais ações estaduais (2019-2020)

domingo, 24 de janeiro de 2021

STF deve abrir inquérito para apurar prioridades de Pazuello em Manaus


Augusto Aras (PGR) pede abertura de inquérito no STF sobre gestão do ministro da Saúde na crise de Manaus. Foto: Marcos Brandão/Ag Senado.

por 
Cezar Xavier

PGR solicita a oitiva do ministro e o envio dos autos para a PF para averiguar atraso no envio de oxigênio hospitalar, e prioridade à distribuição de hidroxicloroquina.

Passados quatro anos de um estrondoso governo de Donald Trump, o tom polido e a etiqueta liberal de Joe Biden não iludem. No país, a expectativa de parte da esquerda estadunidense é a de melhoria das condições para a luta, embora a já histórica invasão do Capitólio por trumpistas seja um sintoma da conjuntura política, em que recuos e continuidades são parte da dinâmica. O mesmo se espera no plano internacional.

Em sempre insuflado discurso, na despedida, Trump prometeu continuar “relevante”. Diante do trauma planetário, para alguns, a promessa deve ter soado um mau presságio. Foi pertinente um comentário feito na triunfalista e francamente pueril cobertura da partida de Trump e a posse de Biden na CNN estadunidense, abertamente partidária dos Democratas. Quem fez carreira cobrindo as derrapagens de Trump terá dificuldades em mudar de assunto. John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional, até foi chamado para um comentário breve, mas foi interrompido para o anúncio da chegada de Biden, o “bom católico”, à catedral em que se daria a missa antes da posse. Embora ele mesmo tenha escrito um polêmico livro de 500 páginas sobre o já ex-presidente, Bolton disse que os histriônicos comentaristas pró-Trump e os opositores deveriam superar o fenômeno e seguir adiante.

Certo, mas será difícil não fazer referência ao estopim que acelerou —não irreversivelmente, já que a disputa continua— o declínio relativo da hegemonia estadunidense e a deterioração da situação econômica, social e política no país. A incitação à extrema-direita, agora desapossada, contra a esquerda em geral, a população negra, os imigrantes, os cidadãos de origens latinas e até os cientistas, em pleno período de pandemia —embora Trump tenha tentado alterar os arquivos e dizer que graças ao seu governo, a vacina foi criada— assim como as ações agressivas contra Cuba, Venezuela, China e até a ONU e seus mais importantes órgãos: tudo isso continua reverberando, apesar da pressa dos Democratas em virar a página e reposicionar os EUA.

Presidente, Joe Biden já deu as primeiras ordens para tentar reparar o estrago. No arranque, escreveu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, dando “garantias” da sua “mais alta estima” ao comunicar a rescisão da decisão de Trump, de 6 de julho de 2020, de retirar os Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Biden reconheceu que a OMS “desempenha um papel crucial” contra a pandemia e outras “ameaças” em cujo enfrentamento os EUA pretendem continuar participando, como “líder global” —no usual tom quase beligerante e sempre hegemonista adotado até para tratar de temas como a saúde. Não basta voltar a participar e contribuir com os esforços coletivos: o retorno triunfal dos Estados Unidos de Biden ao concerto das nações será para retomar o lugar do condutor. Mas já se esperava exatamente isso: a “salvação” em tempos sombrios ou o reforço da ingerência na forma da orientação do patriarca.

Os sucessivos governos dos EUA só souberam atuar no mundo através do isolacionismo ou do unilateralismo ofensivo e sempre hegemonista, mesmo quando engajado nas instituições internacionais e alianças institucionais, não através do multilateralismo. Recorde-se como, no que se tornou uma espécie de manual em alguns cursos de Relações Internacionais, Henry Kissinger descreveu o papel do presidente Woodrow Wilson (1913-1921) ao fim da Primeira Guerra Mundial: ele não se unia aos aliados europeus para reconstruir a ordem internacional já conhecida e até então hegemonizada pelas principais potências europeias, mas para recriar um sistema inteiro.

As primeiras ordens de Biden e o que faltou

Foram 17 as primeiras ordens executivas, memorandos e proclamações que Biden assinou nesta quarta-feira (20), para ir tapando os rombos provocados pela política supremacista, chauvinista e, digamos, sem modos, diretas demais para o gosto de liberais, em alguns quesitos. Entre elas estão as ordens executivas pela saúde pública e o ambiente, declarando ser política do seu governo ouvir à ciência para formular medidas nas diversas áreas, como a resposta à crise climática, inclusive com a intenção de retornar ao Acordo de Paris, instruindo a revisão ou revogando medidas e ordens do governo anterior prejudiciais ao ambiente, aos direitos de povos indígenas, e mais; pela revisão das políticas e prioridades relativas à imigração, inclusive revogando a infame ordem executiva de 2017 de Trump pela construção do muro na fronteira com o México; a proclamação que revoga a proibição à entrada de pessoas de países maioritariamente muçulmanos e africanos, afirmando que as políticas securitárias e burocráticas continuarão a ser rigorosas, mas não discriminatórias; a ordem executiva que anuncia políticas para dirimir a desigualdade racial e assistir às comunidades excluídas; pela organização do governo em prol de uma resposta unificada e eficaz para combater a Covid-19 e oferecer “liderança” estadunidense em saúde e segurança global; e conformando uma liderança federal interina de especialistas da função pública para dirigir as adaptações, revisões e elaborações da transição de governo em diversas agências e departamentos, inclusive dedicados à economia, comércio, serviços sociais, justiça, infraestrutura, entre vários outros, assim como a segurança nacional e a Agência Central de Inteligência (CIA). Esta será dirigida interinamente por Daniel Cohen, vice-diretor da agência durante o governo Obama, quando Biden foi vice-presidente do país. Biden nomeou William Burns, um experiente diplomata, para dirigir a CIA, no que se interpretado como uma mudança de abordagem na agência de espionagem e operações várias. Burns foi vice-secretário de Estado até 2014, participou das negociações com o Irã pelo acordo nuclear e foi embaixador dos EUA na Rússia e sua nomeação, como a dos demais cargos em agências federais, ainda deve ser confirmada pelo Senado.

De acordo com a Reuters, a equipe de transição de Biden disse que a escolha por Cohen para o período de transição deve-se à sua experiência em “projetos especiais sobre novas tecnologias e em como melhor trabalhar com empresas para promover a missão da CIA”, uma premissa que certamente preocupa quem conhece a história ofensiva e de ingerência da CIA e os perigos do entrelaçamento privado-público neste âmbito. Cohen também serviu como sub-secretário para Terrorismo e Inteligência Financeira no Departamento do Tesouro dos EUA, onde assistiu à implementação das sanções contra o Irã, a Russia e a Coreia Popular. E é por seu papel na imposição de sanções ao Irã que ao menos dois dos principais jornais de Israel, cujos sucessivos governos declaram o país persa um dos seus inimigos mortais, reproduzem a matéria da Jewish Telegraphic Agency (JTA) saudando a ascensão de Cohen no âmbito da segurança, assim como quando ele foi nomeado por Obama em 2015.

A aliança entre EUA e Israel deve seguir firme: esta tornou-se praticamente política de estado. Como já notado, o Democrata Obama propagandeava orgulhosamente as ações concretas do seu governo em defesa de Israel, do apoio militar bilionário ao respaldo diplomático na ONU —à exceção da última resolução votada no Conselho de Segurança durante o seu mandato, finalmente condenando a construção de colônias israelenses em território palestino ocupado. Os EUA limitaram-se à abstenção, evitando o veto que sempre empaca este tipo de posições.

A nível internacional, para alguns, embora sua vitória resulte do empenho da centro-esquerda, Biden deve se posicionar no centro ou até centro-direita. Outras importantes medidas tomadas no primeiro dia na Presidência e que podem dar pistas do rumo adiante foram elencadas por Ana Prestes em suas Notas Internacionais e, como notou o editor do i21 Wevergton Britto, Biden deverá agora responder a três forças: a quem financiou sua campanha, a quem tornou a vitória possível e à extrema-direita ainda mobilizada.

Embora ainda devam ser emitidas dezenas de novas ordens executivas nos próximos dias, já que o estrago de Trump foi grande, entre tantas medidas do presidente cessante revogadas no primeiro dia da Presidência de Biden —com declarações políticas enfáticas nas introduções das novas ordens— não estavam o retorno ao acordo nuclear com o Irã, de que Trump tirou os EUA unilateralmente, ou o cancelamento de passos gravíssimos como o reconhecimento de Jeruaslém como a capital de Israel, que tanto dano causou a qualquer perspectiva de solução negociada com os palestinos, ou das ofensivas políticas contra Cuba, com que Trump não só reverteu os modestos, mas promissores passos tomados durante o Governo Obama, como ainda agravou o cerco à ilha revolucionária e, nos últimos suspiros do seu governo, incluiu uma Cuba humanista e solidária na lista de países patrocinadores do terrorismo.

Tampouco houve qualquer medida para reverter a ofensiva contra a Venezuela. Ao contrário, Anthony Blinken, o novo secretário de Estado, opinara que os EUA deveriam manter o reconhecimento ao golpista Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Segundo a Reuters, a posição foi confirmada ao Senado nesta terça-feira (19), quando Blinken disse que o Governo Biden deve elaborar sanções “mais eficazes e direcionadas” para derrubar o presidente Nicolás Maduro e enviar “mais assistência humanitária” à Venezuela. Entretanto, nesta frente, a principal parceira, União Europeia (UE), deve ter papel mais comedido, uma vez que desde 7 de janeiro já não reconhece Guaidó como presidente do país sul-americano, embora siga considerando Guaidó e outros membros da Assembleia Nacional de 2015 “interlocutores particularmente relevantes com quem continuaremos trabalhando”.

Relações com a União Europeia

A reaproximação com a UE é outro dos principais temas sob análise: a relação quase umbilical entre o bloco e os EUA foi prejudicada durante o governo Trump. A UE também busca ter um papel mais autônomo em questões políticas, comerciais e militares. É de se notar que uma das principais vozes na defesa desse pivô é Angela Merkel, a chanceler da Alemanha que deixa o cargo à frente da presidência da UE, da liderança do seu partido e do governo alemão. Deve haver continuidade no posicionamento do país, mas o que isso significará no conjunto do bloco, agora com 27 membros desde a difícil saída do Reino Unido, está por definir. Em dezembro de 2020, a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, debateu o plano “Uma nova agenda UE-EUA para uma mudança global”, para redefinir a relação transatlântica e diversificar parcerias, inclusive avançando nas relações com a China. Temas como a disputa pela implantação da 5G e a 6G e diferenças de “abordagem” em áreas do comércio bilateral deverão ser calibradas, mas o plano debatido pela Comissão Europeia destacou como a UE e os EUA compartilham o interesse por “fortalecer as democracias no mundo” através de “repostas coordenadas” nas “diferentes áreas geopolíticas”.

A presidente da Comissão, a alemã Ursula von der Leyen, disse que a aliança transatlântica tem base em “valores partilhados”, ao tempo em que o alto representante para a Política Externa, Josep Borrell, disse que “não existe parceiro mais importante e estratégico para a Europa do que os Estados Unidos”, no que se interpretou em alguns meios como a tentativa de superar o período Trump para reconstruir a parceria contando com Biden, com quem a UE conseguirá dialogar. Em novembro, a seguir às eleições estadunidenses, a Comissão preparava-se para realizar uma Cúpula UE-EUA já no primeiro semestre de 2021, sem perder tempo, por proposta do presidente do Conselho Europeu de chefes de Estado e Governo, o belga Charles Michel. Enquanto Biden tomava posse, Michel propunha ao novo presidente estadunidense um “pacto fundador” para revigorar os dois lados e a ponte transatlântica.

“Juntos, devemos nos suster como a fundação da ordem internacional baseada na lei”, disse Michel; “será uma mensagem de esperança para aqueles que estão esperando o retorno dos Estados Unidos ao círculo dos estados que partilham visões (…) e de que novamente, após quatro longos anos, a Europa tem um amigo na Casa Branca”, disse Van der Leyen. Como se sabe, além dos laços históricos, que se confundem com a história das guerras e das instituições internacionais, os dois países seguem juntos em alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) —impondo grandes desafios aos países não alinhados e sustentando um cerco planetário cada vez mais abrangente.

Os próximos rumos das relações entre as potências certamente seguirão exigindo a ampla mobilização dos movimentos populares e progressistas nos níveis nacional e internacional. Um novo governo Biden pode reposicionar os Estados Unidos, mas certamente não como progressistas desejariam. O resultado destas dinâmicas também dependerá da resistência persistente e da continuamente analisada ascensão de novos atores internacionais capazes de fortalecer tanto a multipolaridade quanto o multilateralismo, para que se possa enfrentar o imperialismo.

Fonte: https://vermelho.org.br

Biden firma as primeiras ordens e progressistas avaliam o rumo adiante, por Moara Crivelente - Por WALTER SORRENTINO

 

Passados quatro anos de um estrondoso governo de Donald Trump, o tom polido e a etiqueta liberal de Joe Biden não iludem. No país, a expectativa de parte da esquerda estadunidense é a de melhoria das condições para a luta, embora a já histórica invasão do Capitólio por trumpistas seja um sintoma da conjuntura política, em que recuos e continuidades são parte da dinâmica. O mesmo se espera no plano internacional.

Em sempre insuflado discurso, na despedida, Trump prometeu continuar “relevante”. Diante do trauma planetário, para alguns, a promessa deve ter soado um mau presságio. Foi pertinente um comentário feito na triunfalista e francamente pueril cobertura da partida de Trump e a posse de Biden na CNN estadunidense, abertamente partidária dos Democratas. Quem fez carreira cobrindo as derrapagens de Trump terá dificuldades em mudar de assunto. John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional, até foi chamado para um comentário breve, mas foi interrompido para o anúncio da chegada de Biden, o “bom católico”, à catedral em que se daria a missa antes da posse. Embora ele mesmo tenha escrito um polêmico livro de 500 páginas sobre o já ex-presidente, Bolton disse que os histriônicos comentaristas pró-Trump e os opositores deveriam superar o fenômeno e seguir adiante.

Certo, mas será difícil não fazer referência ao estopim que acelerou —não irreversivelmente, já que a disputa continua— o declínio relativo da hegemonia estadunidense e a deterioração da situação econômica, social e política no país. A incitação à extrema-direita, agora desapossada, contra a esquerda em geral, a população negra, os imigrantes, os cidadãos de origens latinas e até os cientistas, em pleno período de pandemia —embora Trump tenha tentado alterar os arquivos e dizer que graças ao seu governo, a vacina foi criada— assim como as ações agressivas contra Cuba, Venezuela, China e até a ONU e seus mais importantes órgãos: tudo isso continua reverberando, apesar da pressa dos Democratas em virar a página e reposicionar os EUA.

Presidente, Joe Biden já deu as primeiras ordens para tentar reparar o estrago. No arranque, escreveu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, dando “garantias” da sua “mais alta estima” ao comunicar a rescisão da decisão de Trump, de 6 de julho de 2020, de retirar os Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Biden reconheceu que a OMS “desempenha um papel crucial” contra a pandemia e outras “ameaças” em cujo enfrentamento os EUA pretendem continuar participando, como “líder global” —no usual tom quase beligerante e sempre hegemonista adotado até para tratar de temas como a saúde. Não basta voltar a participar e contribuir com os esforços coletivos: o retorno triunfal dos Estados Unidos de Biden ao concerto das nações será para retomar o lugar do condutor. Mas já se esperava exatamente isso: a “salvação” em tempos sombrios ou o reforço da ingerência na forma da orientação do patriarca.

Os sucessivos governos dos EUA só souberam atuar no mundo através do isolacionismo ou do unilateralismo ofensivo e sempre hegemonista, mesmo quando engajado nas instituições internacionais e alianças institucionais, não através do multilateralismo. Recorde-se como, no que se tornou uma espécie de manual em alguns cursos de Relações Internacionais, Henry Kissinger descreveu o papel do presidente Woodrow Wilson (1913-1921) ao fim da Primeira Guerra Mundial: ele não se unia aos aliados europeus para reconstruir a ordem internacional já conhecida e até então hegemonizada pelas principais potências europeias, mas para recriar um sistema inteiro.

As primeiras ordens de Biden e o que faltou

Foram 17 as primeiras ordens executivas, memorandos e proclamações que Biden assinou nesta quarta-feira (20), para ir tapando os rombos provocados pela política supremacista, chauvinista e, digamos, sem modos, diretas demais para o gosto de liberais, em alguns quesitos. Entre elas estão as ordens executivas pela saúde pública e o ambiente, declarando ser política do seu governo ouvir à ciência para formular medidas nas diversas áreas, como a resposta à crise climática, inclusive com a intenção de retornar ao Acordo de Paris, instruindo a revisão ou revogando medidas e ordens do governo anterior prejudiciais ao ambiente, aos direitos de povos indígenas, e mais; pela revisão das políticas e prioridades relativas à imigração, inclusive revogando a infame ordem executiva de 2017 de Trump pela construção do muro na fronteira com o México; a proclamação que revoga a proibição à entrada de pessoas de países maioritariamente muçulmanos e africanos, afirmando que as políticas securitárias e burocráticas continuarão a ser rigorosas, mas não discriminatórias; a ordem executiva que anuncia políticas para dirimir a desigualdade racial e assistir às comunidades excluídas; pela organização do governo em prol de uma resposta unificada e eficaz para combater a Covid-19 e oferecer “liderança” estadunidense em saúde e segurança global; e conformando uma liderança federal interina de especialistas da função pública para dirigir as adaptações, revisões e elaborações da transição de governo em diversas agências e departamentos, inclusive dedicados à economia, comércio, serviços sociais, justiça, infraestrutura, entre vários outros, assim como a segurança nacional e a Agência Central de Inteligência (CIA). Esta será dirigida interinamente por Daniel Cohen, vice-diretor da agência durante o governo Obama, quando Biden foi vice-presidente do país. Biden nomeou William Burns, um experiente diplomata, para dirigir a CIA, no que se interpretado como uma mudança de abordagem na agência de espionagem e operações várias. Burns foi vice-secretário de Estado até 2014, participou das negociações com o Irã pelo acordo nuclear e foi embaixador dos EUA na Rússia e sua nomeação, como a dos demais cargos em agências federais, ainda deve ser confirmada pelo Senado.

De acordo com a Reuters, a equipe de transição de Biden disse que a escolha por Cohen para o período de transição deve-se à sua experiência em “projetos especiais sobre novas tecnologias e em como melhor trabalhar com empresas para promover a missão da CIA”, uma premissa que certamente preocupa quem conhece a história ofensiva e de ingerência da CIA e os perigos do entrelaçamento privado-público neste âmbito. Cohen também serviu como sub-secretário para Terrorismo e Inteligência Financeira no Departamento do Tesouro dos EUA, onde assistiu à implementação das sanções contra o Irã, a Russia e a Coreia Popular. E é por seu papel na imposição de sanções ao Irã que ao menos dois dos principais jornais de Israel, cujos sucessivos governos declaram o país persa um dos seus inimigos mortais, reproduzem a matéria da Jewish Telegraphic Agency (JTA) saudando a ascensão de Cohen no âmbito da segurança, assim como quando ele foi nomeado por Obama em 2015.

A aliança entre EUA e Israel deve seguir firme: esta tornou-se praticamente política de estado. Como já notado, o Democrata Obama propagandeava orgulhosamente as ações concretas do seu governo em defesa de Israel, do apoio militar bilionário ao respaldo diplomático na ONU —à exceção da última resolução votada no Conselho de Segurança durante o seu mandato, finalmente condenando a construção de colônias israelenses em território palestino ocupado. Os EUA limitaram-se à abstenção, evitando o veto que sempre empaca este tipo de posições.

A nível internacional, para alguns, embora sua vitória resulte do empenho da centro-esquerda, Biden deve se posicionar no centro ou até centro-direita. Outras importantes medidas tomadas no primeiro dia na Presidência e que podem dar pistas do rumo adiante foram elencadas por Ana Prestes em suas Notas Internacionais e, como notou o editor do i21 Wevergton Britto, Biden deverá agora responder a três forças: a quem financiou sua campanha, a quem tornou a vitória possível e à extrema-direita ainda mobilizada.

Embora ainda devam ser emitidas dezenas de novas ordens executivas nos próximos dias, já que o estrago de Trump foi grande, entre tantas medidas do presidente cessante revogadas no primeiro dia da Presidência de Biden —com declarações políticas enfáticas nas introduções das novas ordens— não estavam o retorno ao acordo nuclear com o Irã, de que Trump tirou os EUA unilateralmente, ou o cancelamento de passos gravíssimos como o reconhecimento de Jeruaslém como a capital de Israel, que tanto dano causou a qualquer perspectiva de solução negociada com os palestinos, ou das ofensivas políticas contra Cuba, com que Trump não só reverteu os modestos, mas promissores passos tomados durante o Governo Obama, como ainda agravou o cerco à ilha revolucionária e, nos últimos suspiros do seu governo, incluiu uma Cuba humanista e solidária na lista de países patrocinadores do terrorismo.

Tampouco houve qualquer medida para reverter a ofensiva contra a Venezuela. Ao contrário, Anthony Blinken, o novo secretário de Estado, opinara que os EUA deveriam manter o reconhecimento ao golpista Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Segundo a Reuters, a posição foi confirmada ao Senado nesta terça-feira (19), quando Blinken disse que o Governo Biden deve elaborar sanções “mais eficazes e direcionadas” para derrubar o presidente Nicolás Maduro e enviar “mais assistência humanitária” à Venezuela. Entretanto, nesta frente, a principal parceira, União Europeia (UE), deve ter papel mais comedido, uma vez que desde 7 de janeiro já não reconhece Guaidó como presidente do país sul-americano, embora siga considerando Guaidó e outros membros da Assembleia Nacional de 2015 “interlocutores particularmente relevantes com quem continuaremos trabalhando”.

Relações com a União Europeia

A reaproximação com a UE é outro dos principais temas sob análise: a relação quase umbilical entre o bloco e os EUA foi prejudicada durante o governo Trump. A UE também busca ter um papel mais autônomo em questões políticas, comerciais e militares. É de se notar que uma das principais vozes na defesa desse pivô é Angela Merkel, a chanceler da Alemanha que deixa o cargo à frente da presidência da UE, da liderança do seu partido e do governo alemão. Deve haver continuidade no posicionamento do país, mas o que isso significará no conjunto do bloco, agora com 27 membros desde a difícil saída do Reino Unido, está por definir. Em dezembro de 2020, a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, debateu o plano “Uma nova agenda UE-EUA para uma mudança global”, para redefinir a relação transatlântica e diversificar parcerias, inclusive avançando nas relações com a China. Temas como a disputa pela implantação da 5G e a 6G e diferenças de “abordagem” em áreas do comércio bilateral deverão ser calibradas, mas o plano debatido pela Comissão Europeia destacou como a UE e os EUA compartilham o interesse por “fortalecer as democracias no mundo” através de “repostas coordenadas” nas “diferentes áreas geopolíticas”.

A presidente da Comissão, a alemã Ursula von der Leyen, disse que a aliança transatlântica tem base em “valores partilhados”, ao tempo em que o alto representante para a Política Externa, Josep Borrell, disse que “não existe parceiro mais importante e estratégico para a Europa do que os Estados Unidos”, no que se interpretou em alguns meios como a tentativa de superar o período Trump para reconstruir a parceria contando com Biden, com quem a UE conseguirá dialogar. Em novembro, a seguir às eleições estadunidenses, a Comissão preparava-se para realizar uma Cúpula UE-EUA já no primeiro semestre de 2021, sem perder tempo, por proposta do presidente do Conselho Europeu de chefes de Estado e Governo, o belga Charles Michel. Enquanto Biden tomava posse, Michel propunha ao novo presidente estadunidense um “pacto fundador” para revigorar os dois lados e a ponte transatlântica.

“Juntos, devemos nos suster como a fundação da ordem internacional baseada na lei”, disse Michel; “será uma mensagem de esperança para aqueles que estão esperando o retorno dos Estados Unidos ao círculo dos estados que partilham visões (…) e de que novamente, após quatro longos anos, a Europa tem um amigo na Casa Branca”, disse Van der Leyen. Como se sabe, além dos laços históricos, que se confundem com a história das guerras e das instituições internacionais, os dois países seguem juntos em alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) —impondo grandes desafios aos países não alinhados e sustentando um cerco planetário cada vez mais abrangente.

Os próximos rumos das relações entre as potências certamente seguirão exigindo a ampla mobilização dos movimentos populares e progressistas nos níveis nacional e internacional. Um novo governo Biden pode reposicionar os Estados Unidos, mas certamente não como progressistas desejariam. O resultado destas dinâmicas também dependerá da resistência persistente e da continuamente analisada ascensão de novos atores internacionais capazes de fortalecer tanto a multipolaridade quanto o multilateralismo, para que se possa enfrentar o imperialismo.