A Política é uma ARTE, mas devemos ficar de olho naqueles "políticos" COPA DO MUNDO que fazem da Política uma ARTIMANHA! EDUARDO VASCONCELOS DE OLHO NA POLÍTICA! AS PRINCIPAIS NOTÍCIAS EM UM SÓ LUGAR! Confira!
MULHER CAMINHA DE MÁSCARA NA RÚSSIA.
FOTO: YURI KADOBNOV/AFP
Emissora afirmou que não foi possível verificar eficácia e segurança.
A Rússia pretende aprovar uma vacina contra o coronavírus nas próximas duas semanas. A informação foi reportada pelo jornalista Matthew Chance, da emissora americana CNN, nesta terça-feira 28.
Segundo a TV, autoridades russas informaram que estão trabalhando para uma data por volta de 10 de agosto. A vacina é desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, com sede em Moscou, capital do país.
A emissora afirmou que não conseguiu verificar a segurança e a eficácia da vacina. A Rússia não divulgou dados científicos sobre os testes, disse o veículo. A CNN diz ainda que há preocupações de que o teste em humanos ainda esteja incompleto.
O diretor do fundo soberano da Rússia, Kirill Dmitriev, afirmou que “é um momento do Sputnik”, segundo a emissora, em referência ao lançamento do primeiro satélite do mundo pela União Soviética, em 1957.
“Os americanos ficaram surpresos quando ouviram o bipe do Sputnik. É o mesmo com esta vacina. A Rússia chegará lá primeiro”, afirmou Dmitriev, que comanda o fundo que financia a pesquisa russa.
Se cumprida a pretensão, a vacina será aprovada para uso público, primeiro para profissionais de saúde.
De acordo com acompanhamento do Milken Institute, 199 vacinas estão em desenvolvimento, e 19 estão em testes clínicos.
PRESIDENTE JAIR BOLSONARO ENALTECE A CLOROQUINA. FOTO: AFP
A decisão impulsiona a circulação dessas pessoas nas ruas e em locais considerados de alto risco
Em meio à pandemia do coronavírus, que já vitimou quase 90 mil pessoas no país, o presidente Jair Bolsonaro vetou dispositivo que estabelecia que pacientes que fazem parte do grupo de risco da covid-19 ou tenham deficiências poderiam indicar um terceiro para retirar os medicamentos na farmácia em seu nome.
Na prática, os pacientes do grupo de risco, como hipertensos e idosos, e pessoas com deficiência não poderão indicar outros para retirar os medicamentos no SUS, o que impulsiona a circulação dessas pessoas nas ruas e em locais considerados de alto risco, como hospitais.
A lei também determina que, para evitar que pessoas que façam uso de medicamentos de uso contínuo tenham que ir a consultórios médicos e odontológicos durante a pandemia, as receitas prescritas não perderão a validade.
O Rio Grande do Norte registrou nesta segunda-feira (27) seu menor índice de ocupação de leitos críticos de Covid-19 desde o início da pandemia. A taxa registrada foi 66,9%, de acordo com os dados divulgados pela plataforma Regula RN, disponibilizada pela Universidade Federal do RN (UFRN), em parceria com o Governo do Estado.
De acordo com as estatísticas, dos 306 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis, 205 estavam ocupados e 85 disponíveis até às 6h45 desta segunda. Os outros 16 estão bloqueados.
Os leitos clínicos apresentam uma estatística ainda inferior. Conforme consta na plataforma, 56,67% estão ocupados. Mas, apesar do baixo índice, o número de leitos bloqueados faz com que não haja tanta diferença na quantidade de leitos disponíveis clínicos (28,7%) e de UTI (27,7%).
De acordo com levantamento divulgado no Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19 no último dia 21, o RN é o terceiro estado do Brasil em número proporcionais de leitos de UTI Covid-19 para adultos. Além disto, o RN também é o 5º no ranking dos estados que apresentam tendência à queda do número de mortes.
Segundo o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), 1.678 pessoas já morreram em decorrência da Covid-19 e 47.926 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus.
A pandemia do coronavírus bateu um novo recorde neste fim de semana no Brasil, em um sinal de que ainda está longe do fim, estacionando num platô demasiadamente alto que desde o início do mês se mantém acima de mil mortes diárias.
No sábado, a média móvel indicou 1.097 óbitos por dia ao longo de uma semana. Onze estados ainda testemunham aumento no número diário de óbitos por Covid-19, em um cenário atribuído pelos cientistas ao afrouxamento excessivo e à desobediência às regras de isolamento social e à falta de coordenação pelo governo federal.
O Ministério da Saúde está sem titular desde meados de maio. Desde então, a média móvel diária de mortes aumentou 52%. Em estados como o Rio de Janeiro, apontam os especialistas, a situação é agravada pela falta de diálogo também entre prefeituras e o governo estadual.
O movimento sindical precisa reagir, evoluir em suas formas de organização e de atuação. Uma questão essencial é valorizar e fortalecer os sindicatos, organizações insubstituíveis para defender os direitos dos trabalhadores.
Estudiosos do movimento sindical consideram que o auge do sindicalismo nos países capitalistas do Ocidente foi no chamado anos de ouro do capitalismo pós-guerra mundial, de meados da década de 40 até o início da década de 70 do século passado.
Este é o período do estado do bem-estar social, com ampla garantia de direitos, sistemas avançados de Previdência, bons salários e sindicatos fortes. Na organização do trabalho predominava o sistema fordista, baseado em produção e consumo de massas, trabalho simplificado, hierarquia e disciplina rígidas.
A partir dos anos 1970, no entanto, as economias capitalistas do Ocidente sofrem sucessivos baques e perdem o dinamismo. Destaque para o fim do acordo de Bretton-Woods e do padrão dólar-ouro, crises do petróleo e das dívidas, instabilidade macroeconômica, entre outros pontos. O refluxo econômico leva à progressiva substituição das políticas keynesianas para o neoliberalismo. Os governos Ronald Reagan (1981-1989) nos EUA e Margaret Thatcher (1979-1990) são exemplos dessa reorientação.
No Brasil, algo próximo ao estado de bem-estar social foi o nacional-desenvolvimentismo da Era Vargas (1930-1980). Nesses anos, o Brasil foi um dos países que mais cresceram no mundo. O país se tornou uma das dez maiores economias do mundo, se industrializou, se urbanizou e constituiu uma grande classe operária, amplos setores médios assalariados e viveu uma relativa mobilidade social.
Dentro deste contexto, a organização sindical deixou de ser caso de polícia, como se pregava na República Velha. Com a CLT de 1943, por exemplo, foram consagrados os direitos básicos dos trabalhadores, houve o reconhecimento legal dos sindicatos e da Justiça do Trabalho. Mesmo com as vicissitudes políticas desse período, como os vinte e um anos da ditadura militar no Brasil, a estrutura básica do movimento sindical e os direitos trabalhistas foram mantidos.
Com o fim do regime militar, novos avanços foram alcançados. A mais importante foi a Constituição de 1988, que assegurou a liberdade, autonomia e unidade sindical, viabilizou fontes de sustentação financeira para as entidades sindicais, garantiu o direito de greve, a sindicalização dos trabalhadores do setor público e constitucionalizou ampla gama de direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, como os 34 incisos previstos no artigo 7º da Carta Magna.
Mas o Brasil, embora tardiamente, também acabou por ingressar na onda neoliberal e sua agenda do estado mínimo e redução dos gastos sociais e do custo da força de trabalho. Paralelamente à agenda neoliberal, a organização do trabalho no Brasil acompanhou as mudanças ocorridas em todo o mundo. O esgotamento do fordismo e uma transição com o chamado toyotismo.
As características do toyotismo, ao contrário do fordismo, são empresas enxutas, flexíveis, com foco no produto principal, desverticalização e subcontratação de empresas. É o período do trabalhador polivalente, capaz de executar várias atividades: controlar a qualidade, ajudar na manutenção e operar simultaneamente diversas máquinas. Vem deste período os modelos conhecidos como just-in-time, círculos de controle de qualidade e avanço da automação.
A combinação desses fatores – globalização neoliberal e reestruturação produtiva – está na base da nova agenda do capital. Surgem daí as reformas trabalhistas, previdenciárias e sindicais, fragilização dos sindicatos, limitação do papel da Justiça do Trabalho e flexibilização dos direitos trabalhistas, encobertos com a falácia do negociado prevalecer sobre o legislado.
As alterações na organização do trabalho são aceleradas com a chamada 4ª revolução industrial ou indústria 4.0, com o uso ampliado da inteligência artificial e a progressiva substituição do trabalho humano por robôs em diferentes setores industriais e de serviços.
Não há consenso quanto os efeitos dessas mudanças no mercado de trabalho (o desenvolvimento tecnológico e o aumento da produtividade não podem ser associados automaticamente ao aumento do desemprego). O fato é que elas impactam a organização sindical, na medida em que, como foi dito acima, o modelo sindical no Brasil ainda é profundamente baseado no fordismo e nas grandes concentrações de trabalhadores como espaço principal de mobilização sindical. É neste contexto que irrompe a maior crise sanitária em cem anos, com a pandemia da Covid- 19. Os grandes impactos da pandemia afetam a economia profundamente, em particular o mercado de trabalho. No Brasil, o que se vê é o aprofundamento da precarização do trabalho. Aumentam o desemprego, a informalidade e diminui o número de trabalhadores no mercado formal protegidos com direitos trabalhistas, previdenciários e sindicais.
Mesmo antes da pandemia, já estava em curso um processo acelerado de individualização das relações do trabalho, principalmente com trabalho desregulamentado com plataformas digitais/aplicativos. Com a pandemia, cresceu muito o teletrabalho (home office), atingindo cerca de 9 milhões de trabalhadores. O Ipea avalia que o pós-pandemia deve manter algo em torno de 27% dos trabalhadores exercendo suas atividades nesta modalidade, o que criará dificuldades adicionais para o trabalho sindical.
Nesse quadro, o movimento sindical precisa reagir, evoluir em suas formas de organização e de atuação. Uma questão essencial é valorizar e fortalecer os sindicatos, organizações insubstituíveis para defender os direitos dos trabalhadores. A defesa dos sindicatos e de sua sustentação material devem vir associada à defesa da legislação trabalhista e da regulamentação de todos os tipos de trabalho. Para isso, também é importante valorizar o papel da Justiça do Trabalho e defender a volta do Ministério do Trabalho.
Para enfrentar com êxito os novos desafios, o sindicato precisa ampliar a sua base de representação, incorporando terceirizados, trabalhadores temporários, intermitentes e os desempregados. Além disso, é preciso atuar também nos locais de moradia e estudo dos trabalhadores e diversificar a pauta sindical, incluindo atividades culturais, de formação, de esporte e lazer. Uma prioridade para o período é regulamentar o trabalho com plataformas digitais/aplicativos. Esses milhões de novos trabalhadores precisam ter definição de jornada de trabalho, remuneração, folga, férias, assistência à saúde, Previdência etc.
Outro dado relevante é a necessidade de o sindicalismo incorporar as modernidades tecnológicas em sua atuação. Usar as ferramentas digitais para comunicação (menos papel e mais mensagens digitais) organização dos trabalhadores, como a criação de grupos de WhatsApp, mobilização, formação sindical e política explorando as potencialidades das redes sociais. Tudo isso em justo equilíbrio com as atividades presenciais.
Nessa linha, os estatutos das entidades sindicais precisam se atualizar e prever o uso das ferramentas digitais para a realização de reuniões, assembleias, congressos, eleições sindicais virtuais e campanhas de sindicalização e de finanças.
Por último, mas não menos importante, dentre as tarefas do sindicalismo deve-se incluir a necessidade de os quadros sindicais terem maior protagonismo na luta política, lutar em defesa da democracia e dos direitos. Na atualidade, fortalecer a luta pela constituição de uma ampla frente política e social para isolar e superar o governo Bolsonaro é uma grande prioridade.
O protagonismo político dos trabalhadores inclui a participação nas eleições. Líderes sindicais devem apresentar seus nomes como candidatos, colocar-se como dirigentes de campanhas, levar a voz dos trabalhadores para os parlamentos e os executivos. O sindicalismo de orientação classista precisa associar a luta sindical à luta política para superar a conjuntura difícil e abrir novas perspectivas para os trabalhadores.
As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho
O PRESIDENTE AMERICANO DONALD TRUMP E SEU RIVAL DEMOCRATA, JOE BIDEN. FOTO: AFP
Segundo as pesquisas de opinião, a diferença entre os dois candidatos é agora de mais de mais de 8 pontos
A menos de 100 dias da votação, Joe Biden tem motivos para sorrir. Segundo o resultado acumulado de uma série de sondagens, o democrata tem em média 8,6% a mais do que Trump nas intenções de voto dos americanos. Uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac chega a indicar uma vantagem do ex-vice-presidente de 15%. O otimismo da campanha democrata vem também do fato de que, historicamente, nas últimas dez eleições presidenciais americanas, os candidatos que lideravam as pesquisas saíram vitoriosos das urnas. A única exceção foi Mikael Dukakis, em 1988, que perdeu para George Bush “pai”.
Mas não se pode esquecer que este ano de 2020 é particular. A crise do coronavírus impôs mudanças profundas na campanha eleitoral, impedindo a realização dos tradicionais comícios presenciais.
Resultados contestados?
A epidemia de Covid-19 também incita os eleitores a preferir o voto pelo correio, uma prática que é rejeitada categoricamente por Donald Trump. Segundo o presidente americano, o voto a distância é uma porta aberta às fraudes em massa. Já os democratas temem possíveis ingerências estrangeiras, principalmente da Rússia, China e Irã.
A 100 dias da votação, um número cada vez maior de analistas fala em provável contestação do resultado. Há uma semana, em uma entrevista ao canal Fox News, Trump continuou a alimentar um clima de dúvida ao afirmar que somente em 3 de novembro, após a apuração dos votos, ele dirá se aceita o resultado das urnas. O bilionário republicano, em desvantagem em todas as pesquisas, teme uma derrota humilhante. Se as sondagens se confirmarem nas urnas, Trump será o primeiro presidente eleito para um único mandato em um quarto de século nos Estados Unidos.
País dividido
A eleição presidencial de 3 de novembro se anuncia extraordinariamente tensa. O país está dividido, inquieto e fragilizado pela pandemia que já deixou mais de 140.000. O ocupante da Casa Branca é muito criticado pela gestão da crise, que teria provocado a queda de sua popularidade. Uma pesquisa da ABC News aponta que dois terços dos americanos desaprovam a reação do presidente ao coronavírus.
No campo de batalha, Donald Trump, de 74 anos, garante que Joe Biden, de 77, é “uma marionete” da esquerda radical que quer abolir o “American Way of Life”. O candidato democrata fala de “uma batalha pela alma americana”.
Uma reunião na manhã desta quinta-feira, 23, no quartel do comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte com representantes da prefeitura de Natal definiu a atuação conjunta na fiscalização do cumprimento das medidas de proteção no enfrentamento à Covid-19 na orla marítima no trecho entre as praias de Ponta Negra e Redinha, onde, no último final de semana, ocorreram grandes aglomerações e desrespeito às regras de distanciamento social e uso de máscara.
O secretário de Gestão de Projetos e Metas, coordenador do programa Governo Cidadão e do Pacto Pela Vida, Fernando Mineiro, explicou o assunto na entrevista coletiva de prestação de contas das ações do Governo e atualização dos dados da pandemia: "Iniciamos hoje uma ação concreta e integrada do Estado com município de Natal para conter o avanço da pandemia. Agradeço em nome da governadora Fátima Bezerra e do vice-governador Antenor Roberto o entendimento que vai proteger e salvar vidas, que é função de cada instância da gestão pública".
Mineiro informou também que as ações conjuntas ocorrerão nos outros 22 municípios da região litorânea. "A partir da convocação da governadora foi possível traçar um conjunto de ações com os municípios que terão o apoio dos órgãos do sistema de segurança do Estado, Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Faremos ações em todas essas cidades, e é fundamental que a população se some aos esforços na contenção da pandemia", afirmou.
Ele lembrou que as 23 cidades praianas têm quase metade da população do Estado e concentram a maior incidência de contaminações e mortes - 65% e 70%, respectivamente. "É preciso atenção especial. As ações já estão ocorrendo e serão reforçadas nos finais de semana, de Tibau, na região Oeste a Baía Formosa, na região Agreste. É um grande esforço conjunto do Estado e municípios, pessoal da saúde e da segurança que estão colocando em risco suas próprias vidas para conter a pandemia e proteger a população".
RETOMADA
O cenário da Covid no RN continua apresentando tendência de redução. Isto se deve aos esforços do Governo estadual que adotou uma política de abertura de leitos exclusivos para assistência aos pacientes. Atualmente, o RN tem o terceiro maior percentual de leitos Covid no Brasil. "Isto é resultado de um esforço imenso para superar a falta de estrutura e tem consequências altamente positivas como a proteção à vida e permitir as condições para a continuidade do Plano de Retomada Gradual das Atividades Econômicas", afirmou Mineiro.
"O cronograma do Plano continua. O próximo passo é a retomada, dia 29, da abertura dos templos religiosos para reuniões com até 100 pessoas. Nos próximos dias o Governo editará decreto com a regulamentação", anunciou. O secretário destacou que é preciso continuar contando com o alinhamento entre as decisões do Estado e dos municípios para evitar divergências que poderão comprometer o resultado das medidas de proteção à população. “Contamos com as prefeituras, com o conjunto da população e agradecemos a dedicação especial dos profissionais da saúde e da segurança pública", acrescentou.
FISCALIZAÇÃO EM TRÊS TURNOS
O secretário estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), coronel Francisco Araújo, informou que as ações integradas na fiscalização da orla marítima em Natal vão acontecer nos três turnos - manhã, tarde e noite.
"Vamos fazer o controle dos acessos aos estacionamentos na orla marítima, exigir o uso de máscara e não é permitido o consumo de bebida alcoólica, aglomeração de pessoas, a prática de esportes coletivos e paredões de som”, destacou ao dizer que o policiamento normal, das polícias civil e militar, continua e será acrescido por efetivo recebendo diária operacional.
“Agentes, escrivães e delegados da Polícia Civil e oficiais e praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros estão nas ruas para fazer cumprir as regras dos decretos de combate à Covid, inclusive em veículos descaracterizados. Nos outros 22 municípios com orla marítima também acontece a fiscalização", afirmou Araújo.
DADOS
Os dados epidemiológicos da Covid-19 mantêm maior incidência na região Metropolitana de Natal, Oeste e Vale do Assu. A taxa geral de ocupação de leitos hoje no RN é de 83%. O percentual por região é:
Oeste - 80%
Metropolitana de Natal - 84%
Pau dos Ferros - 100%
Mato Grande - 80%
Seridó - 80%.
Nas redes de hospitais públicos, privados e filantrópicos, há 519 pessoas internadas - 278 em leitos críticos e 241 em leitos clínicos. A fila de regulação tem 6 pacientes para leitos críticos, 3 para leitos clínicos e 15 aguardando transporte sanitário.
Os casos confirmados são 46.056, casos suspeitos 57.908, descartados 71.311. As mortes confirmadas chegam a 1.650 (11 nas últimas 24 horas) e há outras 200 em investigação. O indicador de isolamento social registra 39,2%.
O Governo do RN, através da secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), continua monitorando e buscando identificar casos precoces. A subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Alessandra Luchesi informou que a partir desta sexta-feira, 24, por orientação do Ministério da Saúde, será ampliada a testagem do tipo RT-PCR para todas as pessoas que apresentarem síndrome gripal do primeiro até o sétimo dia do início dos sintomas. Antes o RT-PCR era destinado apenas para pessoal da saúde, segurança, idosos e pessoas com comorbidade. "Agora todos os pacientes poderão fazer o exame através do Lacen/RN", declarou.
De acordo com senador, um representante do governo ofereceu R$ 30 milhões em emendas parlamentares. Declaração foi dada durante debate no Jornal das Dez da GloboNews, na noite desta quinta-feira (23).
Senado aprovou nesta 5ª feira (23.jul.2020) o Projeto de Lei de Conversão 22/2020, que desobriga escolas e universidades de cumprir a quantidade mínima de dias letivos em 2020 devido à pandemia da Covid-19. A sessão remota contou com 73 votos a favor. A matéria segue para sanção presidencial.
O PLV 22/2020 tem origem na Medida Provisória 934/2020, que promove ajustes no calendário escolar de 2020. Qualquer alteração feita no texto de uma MP transforma essa matéria em PLV. O relator do texto foi o senador Carlos Fávaro (PSD-MT).
O congressista apresentou voto pela aprovação da matéria na forma do projeto de lei de conversão aprovado na Câmara dos Deputados, em 7 de julho, e rejeitou as 41 emendas apresentadas ao texto no Senado.
Carlos Fávaro explicou que rejeitou as emendas para que a MP não caducasse, já que o prazo vigência vence em 29 de julho. Ele ressaltou ainda que muitas alterações previstas nas emendas já estariam contempladas no texto do projeto.
Medidas provisórias são editadas pelo governo federal e têm força de lei do momento de sua publicação por até 120 dias. Para continuarem valendo, porém, precisam de aprovação do Legislativo dentro desse prazo.
Como forma de não prejudicar a tramitação da MP, os líderes partidários retiraram os destaques apresentados. Alguns defenderam o veto presidencial a alguns dispositivos do texto, entre eles o que prevê a entrega de dinheiro diretamente aos pais dos alunos para a compra de alimentos.
O senador Lasier Martins (Podemos-RS) entende que essa possibilidade favorece a prática de fraudes. Por exemplo, como foi visto nas irregularidades no recebimento do auxílio emergencial de R$ 600 pela população.
O líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), ponderou que o veto presidencial ao dispositivo relacionado à compra da merenda escolar poderá ocasionar problemas a ações que já estão em curso em diversos municípios do país.
Dessa forma, Fernando Bezerra assumiu o compromisso de que, na regulamentação da matéria, serão atendidas as preocupações dos senadores como forma de não desvirtuar os recursos da merenda escolar e prestigiar a agricultura familiar.
O COVID-19 E AS PRAIAS – O final de semana em matéria de
comportamento humano em relação a pandemia foi assustador, notadamente na praia
de Ponta Negra, o amontoado de pessoas no passeio e na balada ao som dos
ambulantes, sem o Poder Público ter muita capacidade de dispersar o […]
A Receita Federal lançou nessa quarta-feira (22) um atendimento virtual no Rio Grande do Norte. O serviço de “chatbot” realiza um atendimento inteligente e é feito através do chat do aplicativo Telegram. Na busca, é necessário procurar pelo canal “ReceitaFederalOficial”.
O software simula uma conversação e tira as dúvidas de quem entrar em contato de forma rápida. Nesse espaço, as pessoas vão poder solicitar serviços relacionados ao CPF, enviando todas as informações e documentos exigidos para que a Receita Federal faça a análise e conclua o processo.
Neste primeiro momento, os serviços relacionados ao CPF que estarão disponíveis são: atualização e alteração de dados; regularização; segunda via; informação do número do CPF; consulta à situação cadastral; e consulta ausência de DIRPF (exercício omisso).
Segundo o órgão, essa medida reforça a necessidade de evitar que as pessoas se desloquem para algum posto, agência ou centro de atendimento da Receita Federal, de forma a proteger a saúde dos servidores e cidadãos em função da pandemia do coronavírus.
Roberto Amaral reúne as suas principais publicações dos últimos anos no livro A história do presente: conciliação, desigualdade e desafios, pela editora Expressão Popular, com primeira edição lançada em junho deste ano em formato de e-book.
O dileto amigo é testemunha das principais páginas da história política do país, arguto crítico e organicamente comprometido com um projeto de nação. Sua trajetória é longa e este livro é mais uma provocação de reflexões de fundo sobre o Brasil, seu povo, sua elite e, sobretudo, sua esquerda política e social. Pode-se concordar ou não com algumas de suas conclusões – só a vida as poderá dizer – mas a paixão com que as defende é contagiosa.
Livros como esse são indispensáveis. Publico aqui a entrevista dada sobre a obra, publicada por CARTA CAPITAL.
CartaCapital: Vamos começar pelo título, “A História do Presente”. Em geral, a história é escrita com certo espaço de tempo depois do acontecimento histórico. Mas o senhor deixa claro no livro que os artigos foram escritos “no calor da hora”. Por que o elemento do “calor da hora” contribui para compreendermos os últimos tempos políticos?
Roberto Amaral: Tem várias questões. Primeiro, na introdução, do professor Lincoln [Abreu Penna, que escreve a apresentação do livro], ele traz a definição de história presente, que é uma tendência da historiografia. A segunda questão é que, na verdade, não existe presente. Só existe passado. Quando você termina de agir, o ato já é passado. Então, a história presente é a história que está em construção, ela está no fazimento. É este o sentido do título e da coletânea. Cada artigo, isoladamente, tem uma mensagem, um significado, uma proposta. Mas quando você os reúne, eles passam a ter outra proposta, resultante do conjunto.
A análise que eu chamo do “calor” dos fatos é porque eram análises semanais para CartaCapital. Mas têm o propósito de uma reflexão sobre o país que nós estávamos vivendo. Lá no final, por causa da demora do livro, eu tive que fazer um posfácio, eu explico que esse livro, de certa forma, acompanha uma trilogia. Eu escrevi antes Crônicas dos anos Geisel, que é uma reunião de análises da ditadura Geisel. Escrevi há dois anos A serpente sem casca, que era uma análise da montagem do impeachment. Já era uma defesa do governo da Dilma e a defesa da frente ampla, da Frente Brasil Popular, que eu lançava naquele livro. Este terceiro já é uma análise sequencial.
Eu analiso o impeachment, os primeiros momentos do governo de transição do Temer, e essa coisa que está aí, a tragédia do bolsonarismo. Neste momento, já fica claro para mim, e isso vai ser desenvolvido em vários artigos, a concepção do golpe de estado permanente. Eu defendo a tese de que nós estamos, do impeachment para cá, em um novo regime. Não foi uma transição, a troca de Joaquim por Manuel, de Dilma por Michel Temer, e de Michel Temer por Bolsonaro. Mas sim, a instauração de um regime autoritário protofascista, que tem o seu primeiro ponto o pacto inicial da deposição de Dilma, o primeiro momento no governo Temer, e nós estamos vivendo agora o segundo momento, que é essa tragédia que atinge a todos.
“A Forças Armadas estão preocupadas, porque elas sabem que a sociedade vai responsabilizá-las por esse crime do qual são coatoras”, considera.
CC: Em um dos artigos, o senhor escreve que o fato social não nasce quando se manifesta, que sempre há um “fato detonador”, uma “gota d’água”, que só é conhecido a posteriori. Diante do cenário internacional, existe algo no contexto do capitalismo global que ajude a explicar como o Brasil chegou ao governo Bolsonaro e às últimas políticas que têm sido implementadas?
RA: Não. O bolsonarismo é um fenômeno brasileiro. Evidentemente, nenhum país do mundo é uma ilha. O que eu quero dizer com isso? É evidente que o quadro internacional, por conta da crise do capitalismo, influencia no Brasil. E qual é o quadro da crise do capitalismo hoje? A emergência dos regimes de extrema-direita. Nós temos essa emergência nos Estados Unidos, e pelo fato de ser os Estados Unidos, irradia em quase todo o mundo. Nós temos o avanço da direita na Polônia, na Hungria, na Tchecoslováquia, na Turquia, na Índia. Então, há um clima internacional que favorece a emergência de regimes de direita na periferia do capitalismo central.
Isso não quer dizer que esses fatos sejam a espoleta, a gota d’água que justique para o Brasil a explosão do bolsonarismo. O bolsonarismo é um fenômeno brasileiro, que tem as suas raízes na nossa formação histórica. É um país larvarmente autoritário. O autoritarismo pervade todas as extensões das relações sociais, econômicas, pessoas e interpessoais. Nós somos um país que tem, na sua alma, a escravidão, e um etnocídio que ainda não terminou. Então, é uma sociedade autoritária.
A questão que se coloca foi a nossa incapacidade de ver o fenômeno social. Porque o fenômeno social é como uma onda. Você vê a onda quando ela está de cima. Mas não vê o que está embaixo da onda. Então, quando ela salta, reflete o movimento de sua base, de lá do chão, perto da terra. Nós não conseguimos ver esse movimento. Não entendemos o que era 2013, nós, a esquerda. E o pior. Nós confundimos a popularidade do Lula, principalmente no final do segundo governo, com o avanço do pensamento de esquerda. Não havia nada disso.
Não havia, como nós esperávamos, a emergência das massas. Havia a popularidade do mito Lula. Nós confundimos isso com avanço político, e fomos surpreendidos com junho de 2013, e não entendemos as dificuldades e o resultado da campanha de 2014. Daí, vem todo o desdobramento do que vai chegar agora. A esquerda tem uma velha ilusão com relação às Forças Armadas, acho que isso é uma herança do prestismo, de achar que as Forças Armadas são legalistas, democráticas, que vêm da classe média. E confundimos o silêncio das Forças Armadas no governo Lula com assentimento às suas políticas internas e externas, principalmente em suas relações com os Estados Unidos e com o restante da América Latina. O Lula, no final do governo, editou um belo decreto que estabelece as políticas estratégicas nacionais, pensando que uma publicação no Diário Oficial refletia o pensamento das Forças Armadas. Elas ouviram e não obedecem.
As Forças Armadas brasileiras estão convencidas de que o mundo é uma laranja, de que o mundo está dividido em dois. Que o conflito entre Ocidente e Oriente é inevitável. Que a representação do Ocidente é dos Estados Unidos. E que a nossa filiação cultural, econômica e geográfica é incondicional com os Estados Unidos. A partir daí, tudo o que signifique avanço, independência, autonomia e projeto nacional passa a contrariar esse projeto. Essa é a questão central. Estamos em um regime tutelado pelas Forças Armadas. O capitão era um cavalo que passou na frente dos generais e eles montaram. Hoje eles são responsáveis por esse governo. Sustentam um governo antinacional, uma política externa antinacional, uma economia que desestabiliza do país, o desmonte do meio ambiente, e vão responder historicamente por isso.
CC: Há quem acredite que os militares, na verdade, resolveram tutelar o governo para controlar a selvageria do governo Bolsonaro. Existe essa preocupação de controlar o presidente?
RA: Não sei se vocês se lembram. No primeiro ou segundo dia de governo, quando dava posse ao ministro da Defesa, o capitão se virou para o general Villas Boas, que estava ao lado dele em uma cadeira de rodas, o ex-ministro do Exército, e disse: general, eu devo a eleição ao senhor, o que nós conversávamos vai ficar entre nós. [Em 2 de janeiro, Bolsonaro afirmou a Villas Boas: “O que já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.]
Não é afirmação minha e de nenhum observador, é o reconhecimento do beneficiário. E mais, é bom lembrar que um dos elementos fundamentais para a eleição do Bolsonaro foi uma mensagem deste mesmo general, ainda ministro do Exército, jogou no Twitter uma mensagem dirigida ao Supremo, que em síntese ameaçava o Supremo se ele concedesse o habeas corpus solicitado pelo Lula, com a votação que ocorreria em seguida. [Na véspera do julgamento de Lula no STF, em 3 de abril de 2018, Villas Boas escreveu que repudiava “a impunidade” e que estava “atento às suas missões institucionais”.]
A denegação do habeas corpus foi fundamental para o processo eleitoral, porque levou à inelegibilidade o candidato que estava liderando as pesquisas. A participação militar começa na campanha, o comando da campanha foi entregue a militares, a começar pelo general Heleno. Os quartéis eram verdadeiros comitês de campanha.
O que tem hoje? O que você colocou é uma fumaça, que é o seguinte: hoje as Forças Armadas estão preocupadas. Estão preocupadas, porque elas sabem que a sociedade vai responsabilizá-las por esse crime que está ocorrendo, por esse crime do qual elas são coatoras. Que é o governo Bolsonaro. Elas foram responsáveis pela eleição e são responsáveis por esse governo. Elas estão sustentando tudo o que está aí. E agora, eu digo isso em um artigo que foi ao ar na CartaCapital, já há uma engrenagem para a montagem de um grande acordo, aí sim, em nome do entendimento. O capitão diminui de dizer besteira, os generais deixam de falar em golpe, as mobilizações, as hordas cessam, o Supremo se aquieta, e vamos deixar como está para ver como é que fica.
CC: Sobre as eleições de 2014, com Aécio Neves e Dilma Rousseff, o senhor escreve que as manifestações contra a Dilma tinham “elementos clássicos do fascismo”, como o anticomunismo arcaico, a xenofobia, a exaltação da violência, a defesa da ditadura, o ódio disseminado, o desprezo pela democracia e profundo desrespeito à soberania popular. Chega a descrever a imprensa como “goebeliana”. Só que Bolsonaro ainda não era candidato, eram manifestações incentivadas pelo PSDB. De que forma o liberalismo dialoga com o fascismo? De alguma forma, o liberalismo impulsionou o fascismo no Brasil?
RA: Eu não diria que ele impulsionou, mas eu diria o que você disse: ele dialoga. E foi importantíssimo na construção do bolsonarismo. Ele foi importante quando o Aécio, de forma fascista, negando a soberania popular, faz uma coisa que só havia ocorrido no Brasil em 1950, quando o lacerdismo tenta contestar a eleição de Getúlio: o Aécio contesta a eleição da Dilma, e o PSDB endossa essa contestação. E aí começa o processo. Ele desencadeia o processo aí, com a contestação e com tudo o que vem em seguida, que vai alimentar a primeira parte da operação golpista, que foi a eleição do Eduardo Cunha, já aí com a participação do Michel Temer. E as chamadas pautas-bomba. Ou seja, o primeiro ano de 2015, a presidente não consegue governar. Começa aí a desmontagem do governo Dilma e a abertura de espaço para o Bolsonaro.
E isso tem um ponto concreto da participação dos liberais. Em 2018, os liberais ficaram diante de uma proposta claramente protofascista. Quer dizer, ninguém pode alegar que foi surpreendida pelo Bolsonaro. Justiça seja feita, ele não mentiu. Ele estava há 30 anos na Câmara fazendo um discurso protofascista, defendendo a ditadura e a submissão dos interesses do Brasil aos Estados Unidos, defendendo o assassinato do Fernando Henrique Cardoso… Ele passou 30 anos fazendo isso. Ninguém pode alegar que se surpreendeu.
Diante da opção entre o Haddad e o Bolsonaro, os liberais brasileiros e a social-democracia brasileira optaram pela proposta fascista. Eles são responsáveis por isso. Não sei qual o comportamento histórico foi pior: se foi os que optaram claramente, como no PSDB e etc., e os que se omitiram, foram passear, coçando os seus umbigos, um foi se trancar em São Paulo, outro foi passear em Paris, como se não tivessem nada a ver com o que vinha a ocorrer no país. E hoje voltam como se não tivessem nenhuma responsabilidade pelo quadro que nós estamos vivendo.
CC: Sobre os governos do PT, o senhor escreve que “o presidencialismo de coalizão já deu no que tinha que dar”. Em outra passagem, diz que “a opção democrática, sempre correta, levou-nos a um eleitoralismo sem limites, e a disputa da governança nos levou a um pragmatismo que rasgou valores e programas”. A política de conciliação se esgotou? O que é que sobra de alternativa?
RA: Primeiro, a questão do eleitoralismo, não se reporta ao nosso governo, mas à esquerda. A esquerda optou, e optou corretamente, pela via eleitoral para a conquista do poder. Mas foi além disso. Ela optou, renunciando as propostas da esquerda. A esquerda socialista renunciou a defesa do socialismo. Renunciou a denúncia do capitalismo, da luta de classes, da desigualdade social. Isso ela perdeu caráter. O nosso governo [da esquerda], quando conciliou com a classe dominante, pensou que estava fazendo uma aliança, uma cooptação. E a direita nunca se deixou cooptar.
Nós fizemos todas as concessões. Tenho que lembrar quem foi o presidente do Banco Central nos nossos governos. [Nos governos Lula e Dilma, os presidentes do BC foram Henrique Meirelles e Alexandre Tombini.] Tenho que lembrar a Carta aos Brasileiros. Nós conquistávamos o que não tínhamos com uma estabilidade do Congresso, principalmente, depois da crise do Mensalão, foi possível com essa composição. Mas nós não fizemos nenhuma das transformações que precisávamos, e estamos pagando hoje o risco disso. Não fizemos a reforma política, a reforma dos meios de comunicação, tributária, não avançamos na reforma agrária. Depois de 12 ou 13 anos, nós entregamos o governo de volta à direita, entregamos o estado tal qual como recebemos.
CC: Em 2016, o senhor escreveu sobre alguns erros que a esquerda repete. Na ocasião das eleições, fez queixas sobre candidaturas da esquerda, pulverizadas em várias regiões do país. Diz que a esquerda desunida “confunde” os eleitores e os brasileiros. Acha que a esquerda está repetindo os mesmos erros agora?
RA: Está repetindo os mesmos erros, de forma agravada, porque teria que ter aprendido com a experiência. Na última eleição estadual, a esquerda decidiu não disputar as eleições nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Está agora decidindo não disputar de novo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Não aparece em canto nenhum a possibilidade do avanço de um acordo, a não ser agora em Florianópolis. Nós estamos de novo nos dividindo. A pior coisa que pode ocorrer é você não saber quem é o seu inimigo, quem é o seu adversário. Quando você não sabe quem é o seu adversário, você está condenado a perder qualquer disputa que fizer. É uma tradição da esquerda do mundo a política de frente. Nós estamos desaprendendo essa política de frente, e eu não sei o que é que vai dar.
CC: O senhor acha que o PT acerta quando se recusa a participar de uma frente democrática com partidos de direita?
RA: O que interessa… Eu vou repetir uma frase muito famosa: Não interessa a cor dos olhos do gato. O que interessa saber é se o gato come rato. A questão é essa. [Segundo pesquisas, a frase foi dita pelo dirigente do Partido Comunista Chinês, Deng Xiaoping, que governou a China entre o fim da decáda de 1970 e meados da década de 1990.]
A questão é essa. Você não faz frente com você mesmo. Você não faz frente com correligionário. Você faz frente com os diferentes. A última grande frente que nós tivemos, contra a ditadura, construída na campanha das Diretas Já, colocou no palanque o Brizola, o Lula, o Franco Montoro [na época, deixando o PMDB para fundar o PSDB], Ulisses Guimarães, ao lado do PFL. Não se esqueça de que, para derrotarmos a ditadura, nós votávamos ao mesmo tempo no Tancredo [Neves], e no [José] Sarney, ex-presidente do partido da ditadura. Foi isso o que possibilitou derrotar a ditadura.
A questão fundamental é saber: você pode, sozinho, derrotar o seu inimigo? Se pode, ótimo. Se nós podemos afastar esse sistema e esse governo, e ganhar as eleições, sozinho, ótimo. Melhor. Agora, se nós não podemos, temos que ver com quem podemos compor. E quem está a favor da democracia está a nosso favor. Quem estiver a favor da retomada do desenvolvimento, está a nosso favor. Então, é eleger as questões centrais. E as questões centrais hoje são, uma: a defesa da democracia. Impedir a continuidade do programa protofascista. E, segundo, mantido o processo eleitoral, derrotar eleitoralmente o bolsonarismo.
CC: Mas a ex-presidenta Dilma, em entrevista a CartaCapital, disse a frase: “Essa brincadeirinha de falar numa frente democrática sem ‘Fora Bolsonaro’ é estarrecedora”. A crítica é de que a frente democrática precisa defender a deposição do presidente Jair Bolsonaro. E o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já disse não defender o impeachment. A esquerda só deve participar de uma frente democrática se a frente exigir o “Fora Bolsonaro”?
RA: Não. Na campanha das Diretas Já, o Lula tinha um projeto de governo que não era o mesmo do Franco Montoro. O fundamental é saber quem é o nosso inimigo e qual é o nosso objetivo. O nosso objetivo fundamental é derrotar o sistema que aí está, é nos vermos livres desse governo. Agora, cada um… uma frente tem duas características. A frente não é partido. Não tem nem programa. Ela tem metas. O que unifica são as metas centrais, mínimas, poucas, porque se não, não há acordo. Frente não é partido, não é grêmio, não é encontro de camaradas. É um encontro de adversários, mas não de inimigos, que elegem um inimigo comum.
Primeiro, você derrota o seu inimigo. A segunda fase da frente é a governança. Aí, quem vai determinar é a correlação de forças. A política é uma correlação de forças. Isso não impede que, paralelamente à frente ampla, tenha a frente de esquerda. E que, dentro da frente de esquerda, o PT tenha as suas teses, o PSOL tenha as suas teses, o PCdoB tenha as suas teses. Agora, o problema é assim: é possível nós nos reunirmos em face do inimigo comum? Isso é que é crucial.
Agora, eu acho que já houve um acordo. A frente ampla está muito difícil, porque já houve um acordo. A Casa Grande se preocupou e está com medo das loucuras do capitão atrapalhar o fundamental: a pauta Guedes. Os liberais, a social-democracia, o mercado, esse pessoal não está preocupado com a democracia. Está preocupado com a realização dos seus lucros. E estão vendo que correm o risco de que, quando jogarem fora a água suja da bacia, jogarem a criança junto.
O que eles querem? O fundamental não é a democracia, o fundamental, tudo o que está aí, inclusive a oposição dos grandes jornais, é a aparência. O fundamental que está em jogo para a classe dominante é a pauta Guedes, o neoliberalismo, a privatização, o ajuste fiscal, que os grandes jornais não criticam. Os grandes jornais criticam o capitão, mas ao mesmo tempo estão fazendo a defesa disso. Isso é o que está em jogo. Temos que impedir que se desmonte o país. E a nossa oposição não chega a 100 parlamentares, num coletivo de 513. Então, vamos compor com quem? Com quem é que o PT vai ficar compondo? Com os 10 deputados do PCdoB? Com os 10 do PSOL?
“A primeira coisa que a esquerda deveria aprender com o chavismo é a volta às bases”, diz Roberto Amaral.
CC: Em passagens sobre a Venezuela, o senhor defende a legitimidade do governo de Nicolás Maduro, a lisura das eleições, e questiona: “de que a Venezuela é acusada mesmo, para justificar tanto ódio?”. Porém, diversos setores políticos definem o governo da Venezuela como uma ditadura, responsável por supostas violações de direitos humanos. A esquerda brasileira tem algo a aprender com o chavismo?
RA: Tem, muito. A primeira coisa que a esquerda deveria aprender com o chavismo é a volta às bases. O que está sustentando o Maduro é a presença do chavismo nas massas. Os Estados Unidos fazem o cerco, a Europa faz o cerco, o Brasil faz o cerco, a Colômbia faz o cerco. Os recursos do petróleo da Venezuela foram roubados, retidos nos Estados Unidos. Foram retidos há pouco na Inglaterra. Tem um camarada lá que se diz presidente sem ter tido um voto [o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó]. O Brasil, os Estados Unidos, a União Europeia, reconhecem esse camarada como presidente.
E, no entanto, o Maduro não cai. E, no entanto, o nosso governo aqui caiu! Em menos de um ano! Qual é a diferença?
Tem uma coisa que… é dramático dizer isso. O que foi que nós conseguimos mobilizar, de massa, pela defesa do mandato legítimo da presidente Dilma? Quantas greves nós organizamos? Quantas movimentações nós fizemos? Quantos comícios nós fizemos? Quantas vezes nós invadimos a Câmara? Quando foi o julgamento em que levamos 10 mil, 20 mil, 50 mil pessoas, para a Esplanada dos Ministérios?
O fato objetivo é que esse governo [Maduro] é sustentado. Aí se diz: ele compôs com os militares. Sim, ele compôs com os militares. Nós, no nosso governo, pensávamos que havíamos composto. E nós nem compusemos com os militares, que nos derrubaram, nem compusemos com o mercado, a quem demos tudo, e não conseguimos conquistar as massas.
É dramático, eu não gostaria de estar falando essas coisas. Mas eu não sei, eu estou vendo você, é muito jovem, não sei se você viveu. Mas a minha geração… É um parênteses na conversa. Nós fizemos uma tentativa. Na votação da Câmara [do impeachment contra Dilma], nós colocamos um telão aqui no Rio de Janeiro, ali perto dos Arcos da Lapa, para a população acompanhar. Quando terminou aquilo, eu senti a profunda solidão. Pouca gente conosco, as pessoas chorando, mas nenhuma rebelião. E a tragédia que era, depois de 13 anos de governo, nós não tínhamos maioria na Câmara dos Deputados. Que liderança política é essa? O Juscelino, num governo de 5 anos, enfrentou mais de 10 pedidos de impeachment. Tirou todos de letra. Nós não resistimos ao primeiro, numa Câmara comandada por um cafajeste, por um ladrão, por um futuro presidiário. Nós temos que fazer muita autocrítica.
Eu tenho uma amiga que disse: por que a direita não faz autocrítica? Eu não quero que ela faça não. Eu quero que ela erre. A autocrítica é para você identificar os seus erros e não repetir. Eu é que quero fazer autocrítica. Não quero que a direita faça autocrítica não, quero que, toda vez que ela errar, ela repita os erros dela.
Manifestações em Caracas em comemoração aos 20 anos de chavismo; para Amaral, esquerda brasileira deve se inspirar e voltar às bases. Foto: TNM
CC: No meio da entrevista, o senhor citou uma frase de um político chinês e, em uma passagem do livro, diz que “o Brasil não aprendeu uma lição chinesa de construção de um projeto nacional de potência”. Para onde mais a esquerda brasileira deve olhar para buscar inspiração e construir um projeto nacional?
RA: Eu trabalhei muito pouco isso no livro, pela limitação requerida por artigos. Acho que a questão central do país é não ter um projeto nacional. Não ter um projeto de nação. Não termos um projeto de país. “Ah, nós tivemos o projeto Vargas”. Não era um projeto nacional. Era um projeto do Estado Novo, elaborado pelos mandantes, pela equipe de Vargas. “Ah, nós tivemos um projeto modernizante no governo do Geisel, no governo dos militares”. Não era um projeto nacional. Era um projeto dos militares, imposto contra a nação, e que a nação nunca aceitou, nunca recebeu como dela.
Antes de chegar na China, eu tenho uma impressão, olhando de longe, que os Estados Unidos, desde os federalistas, desde a construção da federação, desde a independência, têm um projeto de país. Eles se julgam portadores de uma missão, têm um projeto que dá-se com [George] Washington, com [Thomas] Jefferson, um projeto de grande admissão de uma nação que passa por cima dos outros. Acham que têm a missão de levar para o mundo inteiro o seu projeto de sociedade.
A China, claramente, desde 1949, tem um projeto. Um projeto de afirmação, de retomada do seu poder imperial, de construção da nação. Ela tem um projeto, e o povo chinês vive isso. É comum na academia… os chineses foram para os Estados Unidos, estudantes foram para a França, para a Inglaterra, depois voltaram todos para a China, apesar das vantagens oferecidas pelo capitalismo. Não é obra apenas do Partido Comunista. Em 1949, quando eles assumem o poder, o partido vinha de dois séculos de dominação do Ocidente, era um país rural, de camponeses, era um país pobre, recém-invadido pelo Japão. E transformaram hoje na segunda potência do mundo, a segunda economia, em marcha para, em 10 anos, se tornarem a primeira economia.
Tem algo aí na alma desse povo. Que é também o que eu chamo de projeto nacional, o projeto da Coreia. No final dos anos 1960, todos os indicadores estavam aquém do Brasil, na industrialização, no plano educacional, na ciência e tecnologia. E hoje, passou por ditadura, e é a potência que está aí. Acho que essa é a questão central.
Existem poucos países nas condições do Brasil. Não podemos ser comparados com Cingapura, com nada disso. Somos um gigante populacional, territorial, somos comparados com o nosso destino. É o destino de países como a Rússia, como os Estados Unidos, como a Índia. Eu não vejo outro. O que nos falta é este projeto., que agora parece que a Rússia está retomando isso: ter um projeto que unifique o seu país. Não estou discutindo aqui se é projeto de esquerda ou de direita, de estatização, de socialização. Mas ter uma coisa em torno da qual o país, o povo se une. Em torno de quê nós, hoje, unificamos o povo brasileiro para trabalhar? Qual é o projeto? Vamos fazer o quê com esse país, dividido e humilhado do jeito que está?
CC: Por fim, uma curiosidade que não está no livro. Como o senhor tem visto as revelações da atuação de agentes americanos do FBI na Operação Lava Jato?
RA: Estou convencido de que muito do que vivemos hoje decorre da ditadura não ter sido derrotada. Ela comandou o país de forma tão forte que ela se projetou no governo da Nova República e está aí presente até hoje. A proeminência, o acordo que impediu a anistia, como nós desejávamos, que impediu o julgamento dos criminosos, isso tudo foi a fonte. Os tentáculos dessa história nos trouxe ao fato de acharmos hoje gente na rua pedindo a volta da ditadura.
Defendo que temos que começar a discutir um tribunal para julgar esse processo. Temos que passar a limpo essa história da Lava Jato, é um crime contra o país. É uma sequência de irregularidades, de inconstitucionalidades, de crimes contra o país. Esse procurador esteve nos Estados Unidos, com dados nossos, que ajudaram os processos contra a Petrobras. Abriram as nossas portas ao FBI, traficaram, ganharam fortunas com palestras, tentaram montar uma empresa com dinheiro arrecadado das indenizações, se julgam autônomos, não dão satisfação nem à Procuradoria-Geral. Nós temos que passar a limpo a compra de votos na Câmara dos Deputados para o impeachment da Dilma, a eleição do Eduardo Cunha.
O que nós fizemos da vez passada? Pegamos o entulho da ditadura e botamos debaixo do tapete. Agora está revolvendo aí, em cima da gente. Se nós não fizermos isso, vamos ter uma rebordose. É preciso julgar os crimes que o capitão está cometendo. Se a questão fosse puramente jurídica, ele já estava na cadeia. É preciso julgar o papel das Forças Armadas. Se nós não fizermos isso, a história vai se repetir.