domingo, 7 de maio de 2017

CPC/RN PROMOVE VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA E APROVAM MANIFESTO

 VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA - VII EEC - PROMOÇÃO: CPC/RN
Eduardo Vasconcelos - Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, saudando os participantes do VII EEC-RN
 Liderança Cultural de Alexandria/RN, José Alves fazendo suas explanações no inicio do VII EEC/RN, promovido pelo CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN
 Companheira, Socorro, liderança da Comunidade dos Quilombolas na cidade de Parelhas/RN
 Apresentação do grupo de percussão AFROREGUEIROS da Comunidade de quilombolas - Parelhas/RN
  Galera de Santa Cruz/RN
 Coordenação do evento: da direita p/ a esquerda: Eduardo Vasconcelos-CPC/RN, Lucas/Currais Novos, Emerson/Currais Novos, Washington e Claudio Lima - CPC/RN
 Macambirais de Passa e Fica/RN - SHOW
 Votação simbólica da aprovação do Manifesto baseado na Plataforma Cultura em Luta - DIRIGENTES, ATIVISTAS E PROFISSIONAIS - EM DEFESA DA CULTURA
Afroregueiros - Parelhas-RN
 Final da Plenária
Debatedores do VII EEC - CPC/RN: da direita: Claudio Lima - radialista - CPC/RN, Manoel - SINTEST/RN e Conlutas e Ronaldo, presidente da Fundação de Cultura de Currais Novos, representando o prefeito, Odon Junior
  Eduardo Vasconcelos, entre a delegação de Tangará-RN
 Mesa de abertura do VII EEC - CPC-RN: Ronaldo - Presidente da Fundação de Cultura de Currais Novos - representando o prefeito, Odon Júnior (Currais Novos)
 Inscrições do VII EEC - CPC-RN
 Diretor do IFRN, professor........saudando os participantes do VII EEC
 Vereadora Tércia Leda, representando a Câmara Municipal de Currais Novos-RN

 Socorro - Presidente da Associação Quilombolas - Parelhas-RN
Hora do almoço!

Exercer a CIDADANIA significa fazermos POLÍTICAS PÚBLICAS URGENTES em prol da CULTURA POTIGUAR, O VII EEC promovido pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN,ocorrido ontem, (6) no IFRN de Currais Novos/RN, que teve por objetivo debater “QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS ADOTADAS PELO ATUAL DO GOVERNO FEDERAL NA CULTURA BRASILEIRA”, foi também refletido, discutido e avaliado ações dirigidas a elas e ao final do VII EEC, foi aprovado MANIFESTO EM DEFESA DA CULTURA POTIGUAR. Que inicia-se assim: 

" O tempo de pôr fim a este rumo de desastre é o tempo de hoje. Tempo de protesto e de recusa. Tempo de mobilização de toda a inteligência, de toda a criatividade, de toda a liberdade, de toda a cólera contra uma política que chama "austeridade" à imposição de um brutal retrocesso histórico. Defender a CULTURA é uma das mais inadiáveis formas de fazer ouvir todas as vozes acima do medíocre ruído dos "mercados". Manifestamos-nos em defesa da cultura. E agiremos em conformidade." Plataforma Cultura em Luta - DIRIGENTES, ATIVISTAS E PROFISSIONAIS - EM DEFESA DA CULTURA.

A plataforma Cultura em Luta assume-se entre aqueles que nos últimos anos trabalharam e lutaram para pôr fim a uma política de décadas de destruição da Cultura, particularmente agravada nos últimos anos. Este trabalho, esta luta contribuíram para pôr fim ao governo e abrir espaço a um novo quadro político.

Comprometidos com as possibilidades e expectativas geradas no atual quadro político, afirmamos a exigência, a justiça e o sonho de uma viragem política que rompa com décadas de destruição da Cultura, de uma política de democratização, de serviço público, de trabalho com direitos, de espaço e meios para uma Cultura viva, livre e diversa.

Assim, reafirmamos os 12 eixos de viragem na política cultural: Plataforma Cultura em Luta:

1.      Cumprimento da Constituição da República: livre acesso de todos à criação e fruição culturais e obrigação do Estado de prover os meios necessários a esse fim;
2.     Criação de condições de acesso de todos à prática, à produção e criação cultural e artísticas;
3.     Definição e construção de um serviço público de cultura em todo o território nacional;
4.     Investimento na escola pública, ampliação e qualificação de uma rede pública nacional de ensino e formação artísticos e apoio ao trabalho das coletividades populares, enquanto promotores de desenvolvimento artístico e cultural;
5.     Apoio público relevante à criação artística e literária e criação de condições efetivas de criação, divulgação, difusão e apresentação da produção nacional;
6.     Defesa do vasto patrimônio cultural à nossa guarda, com a alocação dos meios financeiros, técnicos e humanos necessários, salvaguarda do patrimônio ameaçado, contra a sua privatização e promoção da acessibilidade e divulgação plenas;
7.     Defesa e preservação da documentação arquivística e promoção do livre acesso dos cidadãos à informação pública;
8.    Defesa do trabalho com direitos, combate intransigente à precariedade e ao trabalho não-remunerado;
9.     Aplicação dos recursos financeiros garantidos em lei para artistas e grupos culturais, que realmente necessitam e conduz com as suas lutas na preservação cultural e mínimo nos serviços culturais e na compra de materiais, produtos e instrumentos necessários às atividades culturais;
10.Reconhecimento efetivo do valor sem preço da Cultura: recusa da sua mercantilização generalizada, recusa da desresponsabilização do Estado, não à turistificação da Cultura;
11.  Redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais para todos e melhoria efetiva das condições de vida do povo BRASILEIRO,
12. 1% para a cultura - 1% do Orçamento, como patamar mínimo, 1% do PIB como patamar a alcançar gradualmente - a garantia, em sede de orçamento, de condições para um serviço público de Cultura, de condições para a liberdade e a diversidade culturais;

13. "Criação da Secretaria Municipal de Cultura em todos os municípios potiguares, com a participação de artistas culturais de acordo com seus perfis;
14. Abertura democrática na Secretaria Extraordinária de Cultura do Estado do Rio Grande do Norte, atendo de fato os anseios dos artistas, entre eles os escritores e poetas;
15. Elaboração em todos os municípios potiguares dos Planos Municipais de Cultura;
16. Fortalecimento dos Conselhos Municipais de Cultura;
17. Cumprimento do Sistema Municipal de Cultura nos respectivos municípios potiguares;
18.Participação de 50 + 1 dos artistas potiguares no Conselho Estadual de Cultura;
19. Participação dos secretários/coordenadores de cultura dos sindicatos potiguares nos referidos conselhos municipais e estadual;" - (De 13 a 19, propostas aprovadas no VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, realizado dia 06 de maio de 2017 no Auditório do IFRN de Currais Novos - RN.

A plataforma Cultura em Luta reúne no momento em que é apresentada e debatida as mudanças e  propostas do atual governo em setores que corre hoje possibilidades de perderem direitos garantidos com tanto suor e luta dos trabalhadores/as brasileiros;

A proposta de Orçamentária do governo em 2017 para a Cultura apresenta um retrocesso gigantestico  das verbas para a cultura, quase nada. Portanto se faz necessário uma grande mobilização do povo potiguar e em especial os artistas para que esses direitos seja garantidos.

A dignificação do trabalho e dos salários e a qualificação técnica e orgânica dos serviços culturais do Estado são um pressuposto da política de desvalorização e ante democrática e não é a cultura que defendemos. É preciso mais investimentos mais  na Cultura.

É preciso cumprir um rumo de democratização e de valorização da Cultura Potiguar.

O governo deve compreender que o seu compromisso é com o povo brasileiro e a sua soberania. As imposições externas em relação à condução da política econômica e orçamentária, a chantagem da dívida externa e interna, ou mesmo "QUEBRA DA PREVIDÊNCIA" não podem continuar a impedir o nosso futuro.

A Cultura, o seu tecido social, os seus projetos e programas, sofreram décadas de uma progressiva e devastadora desvalorização na política de alguns governos. Conhecemos um agravamento dessa política, com danos definitivos, na atua legislatura. E, apesar das expectativas justas geradas com a nova solução política, conheceram mais um ano de desorçamentação, negligência e indefinição. A situação é de emergência, a de responsabilidade política é enorme, e a dívida para com o trabalho de muitos e o direito à cultura de todos, colossal.

Face a esta emergência, a essa dívida, ante a exigência e o sonho dos brasileiros, impõe-se uma viragem política que abra caminho a um horizonte de democratização e valorização da Cultura, que os 12 eixos enunciados representam, com a sua garantia material: 1% para a Cultura.

A plataforma Cultura em Luta, as organizações e pessoas que nela se unem continuarão a lutar todos os dias, com os trabalhadores e o povo, para que no atual quadro político essa viragem possa ocorrer.

"É reforçando este manifesto da Plataforma Cultura em Luta (Dirigentes, Ativistas e Profissionais - em Defesa da Cultura), que haveremos de construir POLÍTICAS PÚBLICAS Consistentes  realmente voltadas para o resgate da CULTURA POTIGUAR, valorizando assim os seus artistas culturais" - Eduardo Vasconcelos - Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN.

Manifesto baseado a Plataforma Cultura em Luta: DIRIGENTES, ATIVISTAS E PROFISSIONAIS - EM DEFESA DA CULTURA.

Obs. Adaptado para o VII ECC - CPC//RN.

Nossos agradecimentos Culturais as entidades de classes:

SINTEST/RN, SINDSAÚDE/RN ADURN, ADUERN, SINTAUERN, SINAI/RN, SINMED/RN, SINTE/RN, SENALBA/RN, SINTRACOMM, SINDMETAL/RN, FETARN, CTB/RN, INTERSINDICAL, CUT/RN, FORÇA SINDICAL, CONLUTAS, SINDHOTELEIROS/RN, SINDHOTELEIROS-MOSSORÓ, APURN, SINDÁGUA/RN e SINTERN. 

Nossos agradecimentos ao segmentos comerciais:

Laticínios SERTÃO SERIDÓ, FLASH COLOR (Currais Novos), Supermercado Rede Mais (Venâncio - Currais Novos), Hotel DAlmeida, Livraria Mina de Ouro (Currais Novos) e ao Mega Kilão (Currais Novos).

Agradecimentos aos órgãos públicos:

IFRN (Currais Novos), Prefeituras de Currais Novos, Nova Cruz, Alexandria, Santa Cruz, Baía Formosa, Tangará e Parelhas.


Rádios 95 Currais Novos e Ouro Branco e SIDYS TV A CABO - Currais Novos.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PRESIDENTE DO CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS JÁ SE ENCONTRA EM CURRAIS NOVOS VISANDO A ESTRUTURAÇÃO DO VII EEC

 Eduardo e Lucas entre o prefeito de Currais Novos, Odon Jr após conversarem com o mesmo
 Eduardo Vasconcelos ao lado do presidente da Câmara de Currais Novos, Vereador João Alves e Lucas, após entregarem o convite ao mesmo para participar da abertura do VII EEC

 Emerson, Mariana, Lorena, Lucas e Eduardo Vasconcelos
 Membros do Coral da Escola Estadual Cap. Mor Galvão, professores em uma rápida reunião com o Eduardo Vasconcelos - CPC/RN - Fotos: Professor Marcos (direita)
Mariana, Lucas, Emerson, Eduardo e Maria Lorena
Hoje (3), Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN, chegou pela manhã a Currais Novos, localizada na Região do Seridó Potiguar e já foi logo mantendo contatos com o Prefeito, Odon Júnior; com o Presidente da Câmara Municipal, José Alves , Chefe de Gabinete da Prefeitura, Francisco (ex prefeito de Parelhas), com o Secretário Municipal de Educação e Cultura, professor Jorian Pereira dos Santos e com membros do Coral da Escola Estadual Capitão Mor Galvão, onde o único assunto foi:  A estruturação, objetivos e finalidades  do VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA – VII EEC, que ocorrerá próximo sábado (6) no IFRN de Currais Novos.

Eduardo Vasconcelos ficou satisfeito com o calor fraterno das pessoas e agora é partir para as confirmações das cidades convidadas.  Eduardo adianta que foram aproximadamente convidadas 16 cidades, distribuídas pelas regiões do litoral (Baía Formosa e Natal), Agreste: (Nova Cruz, Passa e Fica e Santo Antônio), Seridó (Parelhas, Lagoa Nova e Currais Novos) , Alto Oeste: Mossoró, Upanema e Assú) e Oeste Potiguar: (Pau dos Ferros, Alexandria e São Miguel), Trairi: (Santa Cruz, Lages Pintada e Tangará), totalizando aproximadamente 130 convidados, entre artistas, sindicalistas e autoridades. Outras cidades irão confirmar.

“O encontro se faz necessário pela atual situação em que se encontra o País, discutir as políticas adotadas na cultura pelo atual governo se faz necessário, além disso elaboraremos um documento traçando a realidade e o querer da transformação concretas das ações ligadas direta na cultura brasileira.” – Disse Eduardo Vasconcelos.

No decorrer do evento irá ser elaborado um documento que irá ser encaminhado ás autoridades em todas as esferas, contendo as posições e reivindicações dos artistas presentes.


Os participantes não pagarão taxas de inscrições e receberão certificados de participação.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A origem e o significado do 1º de Maio


Por Altamiro Borges 

“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores. 

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista. 

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos. 

Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 - maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA. 

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas. 

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”. 

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos. 

Os oito mártires de Chicago

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento - o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe - foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”. 

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller). 

A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto. 

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário. 

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

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domingo, 30 de abril de 2017

Quem ver um fracasso na greve geral


Cartazes da greve
CARTAZES CONVOCAM PARA A GREVE DO DIA 28 DE ABRIL, EM PORTO ALEGRE   

João Paulo Charleaux 28 Abr 2017 (atualizado 29/Abr 12h57) Carlos Pereira e Cláudio Couto falam ao ‘Nexo’ sobre a dimensão da paralisação e de como ela impacta ou não as decisões do Congresso.

Os grevistas que se mobilizaram nesta sexta-feira (28) pretendem barrar o avanço das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso Nacional. Para isso, apostaram na abrangência nacional do movimento como uma demonstração de força. 

Há avaliações desencontradas a respeito de qual foi a amplitude da paralisação. Para seus organizadores, foi um sucesso, dada a alta adesão de categorias em praticamente todo o país. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, chegou a dizer, durante o dia, que o movimento foi um fracasso.

Quem vê um sucesso na greve geral  - FOTO: RICARDO MORAES/REUTERS - 28.04.2017

Ruas desertas no Rio
FOTO: RICARDO MORAES/REUTERS - 28.04.2017 HOMEM CRUZA RUA DESERTA NA ZONA PORTUÁRIO DO RIO DE JANEIRO EM DIA DE GREVE  

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) - uma das centrais sindicais que convocou a greve - postou fotos e vídeos de manifestações e paralisações em todos os Estados brasileiros. De acordo com ela, isso prova que o movimento foi abrangente e exitoso. 

Em São Paulo, todas as linhas de ônibus foram paralisadas, com exceção de algumas regionais, operadas por cooperativas. O metrô funcionou apenas parcialmente. 

Os ônibus também pararam de circular na região metropolitana de Porto Alegre. Em Brasília e em Belo Horizonte, além dos ônibus, o metrô também deixou de funcionar. 

No Rio, o metrô operou normalmente, mas usuários de ônibus reclamaram de escassez de veículos pela manhã. A ponte Rio-Niterói teve o trânsito interrompido pelos manifestantes na parte da manhã, assim como várias rodovias do país, sobretudo no sudeste. 

As hashtags #BrasilEmGreve e #GreveGeral ocuparam o primeiro e o segundo lugares dos “assuntos do momento” no Twitter na manhã de sexta-feira (28). 

Foi “um sucesso total”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nem de domingo as cidades têm trânsito tão leve quanto eu vi hoje. O povo ficou em casa”, afirmou o petista, em entrevista à Rádio Brasil Atual. 

“Isso [apoio à greve] é uma clara demonstração que as pessoas resolveram paralisar em protesto contra a retirada de direitos que o governo vem fazendo. É uma satisfação saber que o povo brasileiro está tomando consciência” Luiz Inácio Lula da Silva Ex-presidente da República. 

À noite, em São Paulo, os organizadores chegaram a dizer que 70 mil pessoas protestaram contra as reformas no Largo da Batata, na zona oeste - a Polícia Militar não divulgou estimativa. 

Quem vê um fracasso na greve geral
Greve de 28 de abril de 2017, em Brasília
 FOTO: MARCELLO CASAL JR./AG. BRASIL MANIFESTANTES EM ATO CONTRA AS REFORMAS, EM BRASÍLIA   

O grosso das paralisações ocorreu na parte da manhã, se diluindo ao longo do dia. O movimento foi forte em São Paulo, no setor dos transportes, mas menos intenso em outras capitais. 

O governo considera que muitos trabalhadores não aderiram politicamente à greve. O que aconteceu é que eles foram simplesmente impedidos de chegar ao trabalho. 

A hashtag #EuVouTrabalhar também esteve entre as mais usadas no Twitter nesta sexta-feira (28), mas sempre atrás dos #BrasilEmGreve e #GreveGeral. 

“Não é uma greve nacional”, afirmou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio em entrevista à Rádio Jovem Pan. “Estamos testemunhando piquetes, bloqueios, mas a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais estão sendo muito eficientes. Estão desobstruindo.” 

“Não temos greve. Não há greve. Há uma baderna generalizada, uma insatisfação daqueles que percebem que estão perdendo a fonte de recursos que os permitia manipular a vontade de nossos trabalhadores” Osmar Serraglio Ministro da Justiça.

Ao longo de todo o dia, grupos queimaram pneus e fizeram barricadas em rodovias. Houve confrontos violentos entre a polícia e manifestantes no Rio de Janeiro, onde ônibus foram incendiados. Em São Paulo, houve confronto entre PMs e black blocks depois do ato no Largo da Batata. 

Às 19h20, o presidente Michel Temer se pronunciou por meio de uma nota oficial. Das 182 palavras no texto, nenhuma era “greve”. Temer afirmou que “grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”. 

O presidente disse ainda que o debate sobre as reformas “será realizado na arena adequada para essa discussão, que é o Congresso Nacional. De forma ordeira e obstinada”. 

A opinião de dois cientistas políticos Dois cientistas políticos, professores da FGV, Carlos Pereira e Cláudio Couto, falaram ao Nexo sobre a importância da paralisação desta sexta-feira (28) e seu possível impacto na tramitação das reformas. 

Qual a avaliação sobre a dimensão da greve? CARLOS PEREIRA Ela não foi trivial. Mostrou capacidade de organização dos sindicatos, que se sentiram diretamente afetados e prejudicados pelas reformas de Temer. Foi uma resposta às reformas trabalhista e previdenciária, especialmente à iniciativa de extinguir a contribuição sindical obrigatória, o que vai gerar uma perda estimada pelo Tribunal de Contas em R$ 3 bilhões aos sindicatos. Esse talvez seja o preço que os sindicatos tenham que pagar se a reforma vir a ser aprovada na sua integralidade, o que colocaria o movimento sindical num choque sem precedentes. Então, o que vimos foi os sindicatos tentando mostrar força, dizendo que não vão aceitar a situação de braços cruzados, ou melhor, vão cruzar os braços com radicalidade para impedir que isso aconteça. Trata-se de algo normal, salutar e que demonstra a maturidade da democracia brasileira. 

CLÁUDIO COUTO Ele foi um movimento de sucesso relativo. Não foi um fracasso, mas também não foi um sucesso retumbante. Você não deve medir o sucesso de uma greve geral - ou mesmo de uma greve qualquer - pelo número de pessoas que participaram de manifestações de rua. Você mede pelo número de pessoas que não foram trabalhar. Há muita gente dizendo “ah, não havia tanta gente assim na rua”. Não é isso o que conta. Conta o quanto de gente não foi trabalhar. O número de pessoas que não foi trabalhar - seja por adesão à greve, seja porque não conseguiu chegar ao trabalho - indica um relativo sucesso. 

Que efeito concreto essa greve pode ter sobre os políticos responsáveis por votar as reformas?

CARLOS PEREIRA É um efeito muito baixo ou mesmo inexistente, porque se trata de um governo que tem vida curta e que já não desfruta de popularidade. A estratégia de reforma é a estratégia de um presidente que não se preocupa em se reeleger e é também a forma de sobrevivência de todos esses políticos que vivem essa enxurrada de denúncias, e que dão sustentação ao governo. 

É muito pouco provável que esse governo ofereça um candidato competitivo em 2018. Consequentemente, é pouco provável que essas resistências nas ruas afetem o compromisso do governo com essa agenda. São reformas impopulares cujos resultados positivos não serão percebidos no curto e no médio prazos, mas isso não parece ser um problema. 

CLÁUDIO COUTO Num cenário de reformas tão difíceis quanto essas, você ter um movimento que, de alguma forma, produz mais pressão sobre os parlamentares pode acabar provocando mudanças de posição. Está havendo um ziguezague nas votações, mais até no sentido de deserções do que de adesões às reformas. Então, um movimento como esse, de uma forma ou de outra, joga mais pressão e obriga o governo a, pelo menos, ter uma estratégia mais cautelosa, talvez até postergando votações para poder refazer a sua base. 

Os políticos estão sensíveis à pressão das ruas? Por quê? 

CARLOS PEREIRA Sensíveis sempre estarão. Eles não podem ignorar. Mas os parlamentares, em sua maioria, não têm a sobrevivência política atrelada à insatisfação desses setores sociais. A principal variável que explica sucesso eleitoral na reeleição de parlamentares no Brasil é a capacidade de levar benefícios para seus eleitores locais. Como o presidente seleciona de forma discricionária como será a distribuição de recursos, os parlamentares mais fiéis recebem mais recursos e, em consequência, garantem mais sua sobrevivência parlamentar. 

Então, a despeito da pressão dos movimentos, a possibilidade de os parlamentares não mais apoiarem essa agenda do presidente é baixa. A não ser que realmente aconteçam mais e mais mobilizações, como ocorreu em 2013 e 2015, o que é improvável agora. 

CLÁUDIO COUTO As ruas são mais um elemento de pressão que será considerado na hora de tomar as decisões. Se o governo estivesse num cenário de céu de brigadeiro, se essas reformas não produzissem qualquer tipo de mobilização de rua, se votar nelas fosse tranquilo, tudo bem, não haveria problema. Mas quando você tem um movimento que catalisa um descontentamento, sai às ruas, ainda que com sucesso relativo, quando você tem adesão bastante razoável de segmentos da sociedade, você realmente produz alguma alteração. Como a decisão tende a ser apertada, isso tende a fazer alguma diferença. Talvez, obrigue o governo a ter uma estratégia mais cautelosa, mais prudente, que pode, por exemplo, adiar por algum tempo essa tomada de decisão.


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Fonte: www.nexojornal.com.br

sábado, 29 de abril de 2017

Greve. O único vagabundo aqui é aquele que teve preguiça e a incapacidade de ler os livros de história: Você.


Por Fernando Penello Temporão - Via Facebook - 27/04/2017 

ACORDA, FULANINHO CLASSE MÉDIA! SUA CLASSE SOCIAL SÓ EXISTE GRAÇAS ÀS GREVES E MANIFESTAÇÕES AO LONGO DE 100 ANOS.


Quando um sujeito de classe média diz que greve é coisa de vagabundo, eu fico com vontade de sentar com ele numa pracinha, comprar um algodão doce, respirar fundo e falar:

"Sabe fulaninho esperto, há 100 anos atrás não existia classe média. Não existia você. Não existia autonomia. Não existia profissional liberal. Nem existia assalariado. Há 100 anos atrás, fulaninho, existia uma pequena elite difusa que se transformou em burguesia, herdeira secular de terras, privilégios, favores e negócios que remetem aos regimes monárquicos, seja no Brasil ou na Europa. Essa elite era dona de tudo: das terras, das fábricas, dos meios de produção. E tudo o que o povão tinha era fome, sede, frio, calor e força de trabalho pra vender por QUALQUER merreca que essa elite quisesse pagar.

Sabe fulaninho, esse povão trabalhador, durante décadas, foi explorado, torturado, privado de tudo, em nome do lucro de poucos. E durante décadas esse povão precisou se unir, e lutou, combateu, apanhou, foi preso....até ser ouvido para, pouco a pouco (bem lentamente mesmo), à duras penas, conquistar direitos trabalhistas que hoje regulam o que você faz.

E foi esse povo que, consolidados os seus direitos, passou a ser um negócio chamado: classe média. Esse povo, com muito suor e sangue, inventou uma classe social potente e enorme que, no caso, Fulaninho, é a SUA classe social. Você é o resultado prático da luta, das greves, das manifestações, e de toda organização política feitas por gente que, por sua força de MASSA, de CONJUNTO, conseguiu mudar o paradigma do século 20.

Seja você um autônomo, dono de uma pequena ou média empresa, seja você um profissional liberal, um prestador de serviços... seja você o que for, você foi inventado por GREVISTAS e só existe porque GREVISTAS permitiram que você pudesse existir e ser livre.

Sem os grevistas, fulaninho espertalhão, hoje você estaria dormindo 3 horas por dia e almoçando água com pedra. Sempre na nobre companhia de um senhorio com uma CHIBATA na mão para que você nunca se esqueça quem manda.

O tempo passou, o mundo mudou, mas nem tanto. Eles continuam tendo o poder e sendo poucos. E os trabalhadores continuam sendo a maioria e fazendo da sua UNIÃO a única arma para garantir sua sobrevivência e seus direitos.

Acorda, fulaninho! O único vagabundo aqui é aquele que teve preguiça e a incapacidade de ler os livros de história:

Você  "

Fonte: http://causameespecie.blogspot.com.br/2017/04/greve-o-unico-vagabundo-aqui-e-aquele.html

Laymert Garcia dos Santos: "Não tenho lembrança de uma greve com esse alcance"

Laymert Garcia dos Santos
 Sobre a Globo: "Boicotaram a greve ontem, mas hoje tiveram que fingir uma surpresa de que tinha uma greve"
Apesar do bloqueio de informação e da "tentativa da mídia tradicional de provocar um ruído na convocação", unidade popular e sindical levou movimento a "todo o lado e toda a parte", diz sociólogo

por Eduardo Maretti, da RBA*   

São Paulo – Ainda antes de um balanço final sobre o dia 28 de abril e da greve geral que paralisou grande parte do país, o sociólogo Laymert Garcia dos Santos afirma que as mobilizações e a greve em si, finalmente, permitem vislumbrar o horizonte com otimismo. Ele destaca a “amplitude e grau de penetração” da greve entre a população.

“Não foi só nas grandes cidades, mas em todo o lado e toda a parte. Primeiro, porque os sindicatos, centrais e movimentos sociais estão unidos e com uma capacidade de organização impressionante. Apesar do bloqueio de informação e da tentativa da mídia tradicional de provocar um ruído na convocação, não tenho lembrança de uma greve com esse alcance.”, diz. “Você abre portais na internet e vê uma tentativa totalmente enviesada de informar o mínimo possível e desinformar o máximo.”

No contexto midiático, a reação da Globo foi interessante. ““Eles boicotaram a greve ontem (27), mas hoje de manhã tiveram que fingir uma surpresa, de que tinha uma greve. Ou seja, acabaram tendo de falar sobre isso de alguma maneira.”

O sociólogo destaca ainda como marcante o posicionamento do líder do MTST e coordenador da Frente Povo sem Medo, Guilherme Boulos, apontando para desdobramentos futuros do movimento, sublinhando  que, mesmo tendo sido histórica, as mobilizações não param por aqui, pelo contrário. “Boulos colocou essa greve como um marco não apenas de um acontecimento histórico, mas dizendo que esse marco vai trazer efeitos para uma mobilização futura. Isso, sobretudo, conta muito”, avalia.

“Quando a gente diz que nunca aconteceu uma coisa tão importante como essa greve, é como se tivesse chegado num pico e então só pudesse declinar, já que se chegou no máximo. Acho que hoje não foi o máximo, esse é o começo que mostrou uma capacidade de luta que vai ter um efeito importante. É um marco, sim, mas é um marco para a frente. Isso é o principal”, acrescenta Laymert.

Em artigo na Folha de S. Paulo de hoje, Guilherme Boulos e Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP), afirmaram: “Caso os ouvidos de Brasília permaneçam surdos à vontade da maioria, mesmo com o forte recado de hoje, o país poderá entrar de forma mais profunda na rota do conflito social. O ensinamento histórico é claro: quando se forma um abismo entre o povo e quem deveria representá-lo, abre-se o caminho para convulsões e desobediência civil”.


*http://www.redebrasilatual.com.br

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