domingo, 4 de setembro de 2022

O Bicentenário da Independência e o legado do PCdoB à soberania do Brasil - Por CEZAR XAVIER

 Personagens da independência do Brasil

O PCdoB e a Fundação Maurício Grabois fizeram o lançamento do documento “Bicentenário: Completar a obra da Independência do Brasil”, assinado pela Comissão Política Nacional do PCdoB. O evento foi transmitido ao vivo pelas redes sociais das organizações, na qual participaram a presidenta nacional do partido, Luciana Santos, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, além do cientista político Luís Fernandes e do economista Nilson Araújo de Souza.

Leia a íntegra do documento “Bicentenário: Completar a obra da Independência do Brasil”

O secretário nacional de Formação e Propaganda do PCdoB, Adalberto Monteiro, explicou que o evento celebra em perspectiva o bicentenário de lutas do povo brasileiro pela independência plena do Brasil.

Segundo ele, o documento se propõe a ser fonte de análises, com acervo de aprendizagem das jornadas travadas pela independência e o desenvolvimento soberano. “Procura oferecer o legado dos comunistas pela causa da soberania, sempre ao lado de outras forças populares e patrióticas. E o mais importante, reflete sobre o que fazer depois deste bicentenário”.

Luciana Santos disse que o bicentenário é celebração da nacionalidade, patriotismo e do compromisso de lutarmos pela construção cotidiana do país. “O grande homenageado nesta data é o povo brasileiro, grande artífice das lutas para forjar uma nação independente, soberana e desenvolvida”, disse ela. 

Lembrou ainda que “o aparentemente pacífico grito do Ipiranga” de 1822, foi antecedido de inúmeras batalhas travadas ao longo do nosso território para conquistarmos a nossa independência. Ela citou a Conjuração Mineira, a Batalha de Jenipapo no Piauí e o Brado de 2 de julho na Bahia, assim como destacou as mulheres que protagonizaram lutas, como Maria Quitéria, Maria Filipa e Joana Angélica. Apontou ainda o papel do patrono da independência, José Bonifácio, com seu ousado projeto nacional. 

A incompletude desta independência, no entanto, se expressa nas nossas disparidades internas e vulnerabilidades externas que são enfrentadas, há 200 anos, em torno da formulação e aplicação de um projeto nacional soberano. De acordo com a dirigente, o governo de extrema direita atual é um desafio a este objetivo. O país vive uma desorientação de rumos e de desmonte de estado, das bases econômicas, sociais, civis, políticas, culturais e ambientais. 

Por isso, ressalta ela, o processo eleitoral neste período impulsiona uma luta entre dois projetos opostos. A candidatura de Lula e Alckmin representa a frente ampla em torno de um projeto para derrotar o desgoverno atual composto de forças antinacionais. “Um projeto de fortalecimento do estado nacional e recuperação dos direitos sociais, com investimentos públicos, valorização do trabalho, emprego e renda, com estímulo a reindustrizalização com inovação e tecnologia”. Ela concluiu convocando para a mobilização pelo voto como a principal prioridade nos próximos 30 dias.

Nilson pontuou as diferenças entre o pensamento que defende que nunca houve mudança, desde 1822, em confronto com os segmentos que acreditam em mudanças, mas sem luta. Assim, o documento do PCdoB contrasta com essas visões ao apontar as importantes mudanças acumuladas, a partir de muita luta social. 

A partir de uma visão dialética, o economista situa as diversas mudanças em favor da independência nacional, e as lutas e conflitos sociais que garantiram essas conquistas, desde o período monárquico. Ele atravessa o legado getulista que avança até o golpe militar, que mergulha o Brasil numa crise profunda da qual não saímos ainda.

Renato Rabelo destacou o legado do PCdoB à soberania do país, neste século de atuação partidária. Em meio ao agrarismo que hegemonizava a economia nacional, as lideranças mais avançadas já defendiam uma industrialização do país, que foi incorporada pelos tumultuados governos de Getúlio Vargas. 

Os comunistas enfrentaram constante perseguição na sua luta em defesa da exploração do petróleo e em defesa da Amazônica, desde suas primeiras décadas de atuação. Manteve sua resistência ao regime ditatorial e sua agenda neocolonial, através da Guerrilha do Araguaia. 

Na Constituinte, o PCdoB deu sua contribuição conceitual em vários momentos, com o objetivo de reforçar o estado nacional soberano. Os combates ao governo Collor tiveram no partido um protagonismo, que já havia sido sinalizado desde a defesa da candidatura de Lula em 1989. 

Com a vitória das forças progressistas nos anos 2000, o PCdoB dá enorme contribuição ao projeto de governo, assumindo importantes tarefas no Estado nacional, com destaque para a ANP, Finep, Ancine. Ainda empreendeu importante resistência e mobilização contra o golpismo que atinge os governos populares e levaram ao desgoverno de ultradireita em vigor.

Leia a íntegra da intervenção de Renato Rabelo

O professor Luis Fernandes avaliou a importância do documento elaborado, a partir do acúmulo teórico de cem anos do PCdoB, mostrando como a complexidade da análise contribui para a práxis política. Para ele, a história do Brasil não pode ser um acúmulo de derrotas e negações de suas lutas, mas uma história de conquistas que precisa ser celebrada também nesse bicentenário da independência.

Ele pontuou as conquistas desde a independência, como a unidade territorial, a abolição da escravidão, a proclamação da República, a estruturação de um primeiro projeto nacional de desenvolvimento, a partir da revolução de 1930, com importantes avanços para os trabalhadores. 

Ele também mencionou como esse processo nacional se articulou com o cenário internacional. A crise do imperialismo britânico e a revolução soviética exerceram importante força sobre as contradições de dependência e soberania do Brasil. A estruturação de um novo projeto nacional, segundo ele, precisa apontar para uma superação da dependência brasileira do sistema financeiro internacional, assim como a dependência produtiva explicitada pela pandemia recente.

Assista a live da TV Grabois:

Por Cezar Xavier

Fonte:https://pcdob.org.br

Pesquisa Ipespe para presidente: Lula tem 44%; Bolsonaro, 35%

Foto divulgação

Pesquisa Ipespe/Abrapel para as eleições presidenciais de 2022, divulgada neste sábado (3), traz o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com 35%. O primeiro turno das eleições está marcado para 2 de outubro.

A nova pesquisa, segundo o Ipespe, se trata de um termômetro com base na repercussão das comunicações das campanhas dos candidatos ao cargo de presidente.

No levantamento anterior, publicado em 31 de agosto, Lula aparecia com 43%, e Bolsonaro, com 35%, variando dentro da margem de erro.

Depois aparecem Ciro Gomes (PDT), com 9%, e Simone Tebet (MDB), com 5%. Em seguida, estão Felipe D’Avila (Novo) com 1%, e Soraya Thronicke (União Brasil), com 1%.

Outros seis candidatos incluídos na pesquisa foram citados pelos entrevistados, mas não chegaram a 1%: Pablo Marçal (Pros), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU) e Leonardo Péricles (UP), José Maria Eymael (DC) e Roberto Jefferson (PTB).

Os que dizem que irão votar em branco, anular ou deixar de votar somam 3%. Os que não souberam ou preferiram não responder são 2%.

Mil e cem pessoas foram entrevistadas por telefone entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. O levantamento tem 95,45% de confiança.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09344/2022.

Veja abaixo os resultados.

Primeiro turno

Intenção de voto estimulada para presidente

  • Lula (PT) — 44%
  • Bolsonaro (PL) — 35%
  • Ciro Gomes (PDT) — 9%
  • Simone Tebet (MDB) — 5%
  • Felipe D’Avila (Novo) — 1%
  • Soraya Thronicke (União Brasil) — 1%
  • Pablo Marçal (Pros) – 0%
  • Sofia Manzano (PCB) — 0%
  • Roberto Jefferson (PTB) – 0%
  • Vera Lúcia (PSTU) — 0%
  • Leonardo Péricles (UP) — 0%
  • José Maria Eymael (DC) — 0%
  • Branco/Nulo/Não vai votar – 3%
  • Não sabe/Não respondeu – 2%

Segundo turno

O Ipespe/Abrapel também simulou um cenário de segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Em relação à pesquisa anterior, de agosto, o petista manteve os 53%, assim como o atual presidente que manteve os 38%.

Intenção de voto estimulada para presidente

  • Lula (PT) — 53%
  • Bolsonaro (PL) — 38%
  • Branco/Nulo/Não vai votar/Não sabe/Não respondeu – 9%

Fonte: cnnbrasil

Com Potiguar Notícias

sábado, 3 de setembro de 2022

Exposição 200 livros para pensar o Brasil

 Até 16 de setembro, a mostra exibe seleção de livros que estimula avaliações críticas sobre a história do país.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou, na última segunda-feira (29), a exposição ‘200 livros para pensar o Brasil’, que faz parte do conjunto de comemorações e reflexões relacionado ao bicentenário da Independência. A mostra gratuita fica aberta até 16 de dezembro.

Foram selecionados do acervo da BBM os livros que representam e interpretam o Brasil, partindo das mais antigas descrições sobre o território, desde a colônia, até as discussões mais contemporâneas sobre os atuais dilemas da sociedade. Para cada período histórico, a seleção apresenta livros canônicos com projetos de país vitoriosos. Mas também são apresentados os projetos derrotados, as vozes silenciadas e as visões bastante heterogêneas sobre o país.

Autores que vão de Gilberto Freyre a Sueli Carneiro, de José de Alencar a Davi Kopenawa, de Machado de Assis a Carolina Maria de Jesus, os contrastes e confluências percorrem toda a exposição.

O diretor da BBM e um dos curadores, Alexandre Macchione Saes, destaca o caráter abrangente das obras. “Com a exposição 200 livros para pensar o Brasil, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin convida a comunidade para percorrer a rica produção literária, histórica e sociológica brasileira”.

Para ele, o contraste de autores traz um panorama rico da história do país. “Ao reunir autores consagrados com vozes silenciadas ou menos reconhecidas pela crítica, oferecemos a oportunidade de observar os diversos Brasis que devem compor nossa interpretação sobre a sociedade brasileira em seus 200 anos”, completa o diretor.

Os livros foram divididos em seis períodos históricos: pré-Independência (1500-1822); Brasil Império (1822-1889); Primeira República (1889-1930); Brasil moderno (1930-1964); Ditadura civil-militar (1964-1985); e, finalmente, Brasil contemporâneo (1985-2022).

A curadoria ressalta que “Como toda seleção deve ser, a apresentada em 200 livros para pensar o Brasil é apenas um percurso possível para pensarmos o Brasil, que deve ser confrontado com diferentes propostas. Os critérios que definiram a seleção dos 200 livros da BBM devem ser problematizados, oferecendo espaço para que outros 200 livros possam ser incluídos. Afinal, qual deve ser a Biblioteca Brasiliana que pensa o Brasil no século XXI?”

Serviço

O quê: 200 livros para pensar o Brasil
Quando: 29 de agosto a 16 de dezembro 2022
Onde: Rua da Biblioteca, 21 Cidade Universitária – SP Sala Multiuso, Subsolo
Horário: das 8h30 às 18h30
Visitas mediadas: mediacaobbm@usp.br
Para mais informações, acesse: www.pensabrasil.usp.br

Fonte: Portal BRASIL CULTURA
Adaptado em 03/09/2022, pelo CPC-RN (Centro Potiguar de Cultura)

Lei eleitoral proíbe assinatura com número de candidato no caderno de votação

A prática, que pode ser considerada como boca de urna, expõe eleitores a pressões indevidas e não serve para recontagem de votos.

Como acontece em toda época de eleição, rumores antigos voltaram a circular e causaram confusão entre as pessoas que acessam as redes sociais. Desta vez, ganhou força na internet um vídeo que estimula eleitoras e eleitores a acrescentar, ao lado da assinatura no caderno de votação, o número de um candidato à Presidência da República.

Segundo o boato, a anotação poderia ser utilizada como forma de auditar as eleições e confrontar o resultado produzido pelas urnas eletrônicas. Mas será que essa teoria tem algum embasamento ou faz diferença no processo eleitoral? Confira no esclarecimento abaixo:

Fato ou Boato?

De início é importante saber que o caderno de votação não é usado para auditar as eleições. Além de repassar uma informação errada, o vídeo ainda estimula a prática de uma conduta proibida no dia da eleição.

A inclusão de informações não solicitadas ao lado da assinatura – como o número da candidatura – pode configurar crime eleitoral passível de reclusão e multa, conforme previsto no artigo 350 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965). Ou seja, o ato adultera documentos oficiais e ainda pode ser encarado como boca de urna. Também não interfere no voto digitado pela eleitora ou eleitor na urna eletrônica.

Caderno não é usado para recontagem de votos

Do ponto de vista técnico, a estratégia é irrelevante, uma vez que o caderno de votação não é utilizado para recontar votos, nem para confrontar o resultado produzido pela urna eletrônica. Isso porque há outro dispositivo que é utilizado para essa finalidade: o Registro Digital do Voto (RDV), que funciona como uma tabela digital que armazena de forma aleatória todos os votos que foram digitados pelo eleitorado na urna.

 A partir do RDV são gerados dois importantes relatórios de transparência do voto eletrônico. O primeiro deles é a zerésima, documento que comprova não haver nenhum voto na urna, e o Boletim de Urna (BU), que contém o resultado da apuração dos votos depositados naquela seção eleitoral.

Saiba mais sobre o Registro Digital do Voto.

Acesse as checagens e esclarecimentos abaixo


Fonte: https://www.justicaeleitoral.jus.br

Após intensas negociações, bancários conquistam reajuste de salários, vales e PLR - Escrito por: Contraf-CUT

IMAGEM: CONTRAF-CUT


No total, 78,37% das bancárias e bancários aprovaram a proposta. Acordo terá validade de dois anos e é uma vitória do movimento sindical em momento de ataques a direitos.


Sindicatos de bancários realizaram assembleias em todo o país nesta quinta-feira (1º/9) e aprovaram, com 78,37% dos votos, a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. O percentual considera os resultados apenas das entidades sindicais que utilizam a plataforma de votação eletrônica disponibilizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Na maior base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o acordo também foi aprovado.

O acordo foi fechado após dois meses e meio de duras negociações, nas quais o Comando Nacional dos Bancários precisou arrancar da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) uma proposta para 2022 e 2023, com reajuste de 8% nos salários, aumento de 10% nos vales alimentação (VA) e refeição (VR), além de um adicional de R$ 1.000,00 em vale alimentação, a ser creditado até outubro de 2022.

A proposta também prevê reajuste de 13% para o teto da parcela adicional da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) neste ano e, para 2023, aumento real de 0,5% (INPC + 0,5%) para salários, PLR, VA/VR e demais cláusulas econômicas. A nova CCT também traz avanços com uma cláusula sobre teletrabalho e também sobre assédio sexual e assédio moral (leia mais sobre o acordo).

“Precisamos analisar o resultado da campanha levando em conta a conjuntura de ataques aos direitos dos trabalhadores, com as instituições bancárias seguindo uma orientação do governo para que sejam retiradas cláusulas de direitos e não houvesse reajustes acima da inflação, mesmo com a carestia que vemos nos preços”, analisou a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Mesmo assim, ela diz, a categoria conseguiu manter os direitos da Convenção Coletiva, aumentar o vale alimentação e a PLR [Participação nos Lucros e/ou Resultados]. "E obtivemos um reajuste nos salários bem próximo ao índice de inflação para este ano e a garantimos aumento real para todas as cláusulas econômicas em 2023. Os Sindicatos estão de parabéns, assim como toda a categoria, que participou massivamente das assembleias”, completou.


Fonte: CUT NACIONAL

Pesquisa Rádio Cidade/Item para o governo do Rio Grande do Norte

 

Foto reprodução

Em uma nova pesquisa de intenção de votos feita pelo Instituto Item, encomendada pela Rádio Cidade e divulgada nesta sexta-feira (2), a governadora Fátima Bezerra (PT) segue na liderança para o Governo do RN.

No cenário estimulado, quando os nomes dos concorrentes são ditos aos entrevistados, a petista aparece com 42%. Em seguida vem o o senador Styvenson Valentim (Podemos), com 19,5%; e depois o ex-vice-governador Fábio Dantas (Solidariedade) com 16%. Clorisa Linhares (PMB) aparece com 2,5%, Daniel Morais (PSOL) com 1,5%, Rosalia Fernandes (PSTU) com 1% e Antônio Bento (PRTB) com 0,5%. Indecisos são 16%. 

No cenário espontâneo, Fátima é citada por 31% dos entrevistados, enquanto Styvenson aparece com 12,5% e Fábio com 10,5%. Clorisa tem 2%; Daniel, Rosália e Rodrigo Vieira (DC) têm 1% cada; Antônio tem 0,5% e os demais candidatos somam 1,5%. Indecisos são 39%.

Rejeição

A atual governadora do RN também lidera o ranking de rejeição da pesquisa, com 25%. Na sequência vem Styvenson, com 16%; Fábio Dantas, com 13,5%; Rosália com 6%; Antônio Bento com 5%; Daniel Morais com 4,5% e demais candidatos com 3,5%. Indecisos permaneceram 20%.

Segundo turno

Também foram avaliados dois quadros distintos de um potencial segundo turno. Em ambas as possibilidades, a governadora Fátima Bezerra seria vencedora do certame. Confira:

Primeiro cenário (Fátima e Styvenson)

  • Fátima – 44%
  • Styvenson- 31%
  • Indecisos – 25%

Segundo cenário (Fátima e Fábio)

  • Fátima – 45%
  • Fábio – 29%
  • Indecisos – 25,5%

Fonte: Novo Notícias

Com Potiguar Notícias

Cidadania negra e antirracismo: mostra conta história da resistência negra em SP

 


Exposição no Memorial da Resistência de São Paulo traz mais de um século de história da luta da por direitos humanos e resistência da população negra.

Um panorama histórico de mais de um século de lutas por direitos da população negra no estado de São Paulo: é a proposta da exposição “Memórias do Futuro: Cidadania Negra, Antirracismo e Resistência”, no Memorial da Resistência da capital paulista. Inaugurada em junho, a exibição gratuita segue em cartaz até maio de 2023.

São mais de 450 itens em exposição, entre fotos, cartazes e documentos. A exposição conta com a presença de obras dos fotógrafos Jesus Carlos, Mariana Ser, Monica Cardim e Tiago Alexandre e com a participação dos artistas Bruno Baptistelli, Geraldo Filme, João Pinheiro, Moisés Patrício, No Martins, Renata Felinto, Sidney Amaral, Soberana Ziza e Wagner Celestino.

Foto: Isabella Matheus

A curadoria feita pelo oociólogo e escritor Mário Augusto Medeiros da Silva, com apoio da pesquisa documental feita pela historiadora, Pâmela de Almeida Resende, e pela pesquisadora do Memorial da Resistência, Carolina Junqueira Faustini, é baseada nos trabalhos realizados por ele sobre às lutas lideradas pela população negra brasileira, que constitui, desde suas origens, uma das principais forças contestadoras da repressão e da violação de direitos humanos cometidas na história do nosso país.

Estrutura da exposição

As experiências coletivas no estado são abordadas em oito eixos: Territórios negros e memórias em disputa: a persistência no espaço; Associativismo, clubes, entidades e irmandades: A Força do Coletivo; Imprensa Negra Paulista e Circulação das ideias: A Comunicação como Meio de Luta; Literatura Negra: O Direito à Imaginação; Espaços de sociabilidade e resistência: as ruas, os salões e os palcos como lugares de direitos; Repressão, Vigilância e Resistência, 1930-1980; Redemocratização e Nova República: A Democracia é uma luta negra e Enfrentando a tripla opressão – O século XXI é negro, feminino e nosso.

Painel Fio da Memória. Soberana Ziza

Ainda na área externa, o público é recebido por um painel com mais de 20 metros de largura e quase 5 de largura, feito pela multiartista e grafiteira Soberana Ziza. Batizado de “Fio da Memória” foi um trabalho inspirado na força das palavras das mulheres negras.

Dentro do espaço de mais de 600 metros quadrados, os eixos estabelecidos vão desde o período colonial, passando pelos grêmios recreativos e clubes de lazer; pela imprensa negra que já existia antes mesmo da Abolição; assim como a literatura com destaque para Carolina Maria de Jesus, Lino Guedes e Oswaldo de Camargo; as expressões artísticas retratadas nos grupos e escolas de samba; teatro folclórico, bailes Black e Hip Hop.

A repressão tem papel de destaque, reunindo documentos de vigilância do Departamento de Ordem Política e Social (Deops) – que funcionava no mesmo prédio onde hoje fica o Memorial – e mostra as perseguições às práticas religiosas de matrizes africanas e afro-brasileiras por meio da Delegacia de Costumes e testemunhos do Acervo do Memorial.

Manifestações mais recentes, o Movimento Negro Unificado e a Coalizão Negra por Direitos, também são retratados, bem como o feminismo negro e a presença de intelectuais negras nacionais e internacionais em debates e publicações.

“Não basta não ser racista: é necessário ser antirracista. Conheçamos um pouco da história da vida negra de São Paulo e suas lutas, vitórias, alegrias e dores. O presente e o futuro exigem muito dessa coragem de todas e todos nós”, afirmou o curador Mário Medeiros.

Foto: Isabella Matheus

“Entendemos que é urgente nos indagarmos enquanto cidadãos sobre a nossa responsabilidade na perpetuação do racismo e como podemos nos engajar na luta antirracista para construir uma sociedade verdadeiramente democrática. Esta exposição é um convite para seguirmos os fios tecidos por mulheres e homens negros em torno de suas memórias e fabulações por um futuro”, complementou coordenadora do Memorial, Ana Pato.

A mostra foi criada em colaboração com organizações e coletivos convidados, como a Coalização Negra por Direitos, a revista O Menelick 2º Ato, as Capulanas Cia de Arte Negra e o Ilú Obá de Min, em parceria com os arquivos e acervos de cultura negra no AEL – Unicamp, no Arquivo Público do Estado de São Paulo, no Museu da Imagem e do Som, na Pinacoteca do Estado, no Memorial da Resistência e no Condephaat.

Esta exposição é um convite para seguirmos os fios tecidos por mulheres e homens negros em torno de suas memórias e fabulações por um futuro.

SERVIÇO

Exposição: Memórias do Futuro: Cidadania Negra, Antirracismo e Resistência
Quando: em cartaz até 08 de maio de 2023
Onde: Memorial da Resistência de São Paulo – Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia
Horário: quarta a segunda, das 10h às 18h (fecha às terças)
Faixa etária: Livre
Entrada: Gratuita

Os ingressos do Memorial estão disponíveisaqui e na bilheteria do prédio.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA