domingo, 10 de março de 2019

“Ligação de Bolsonaro com os suspeitos de matar Marielle é aterrorizante”, diz sobrevivente do atentado

Marielle e Fernanda Chaves
No dia 14 de março de 2018, uma rajada de tiros atingiu a viatura onde seguia Marielle Franco, no centro do Rio de Janeiro. A vereadora pelo PSOL (extrema-esquerda), cuja carreira política estava em fase ascensional, morreu no ataque. O motorista Anderson Gomes também. A terceira passageira, a assessora Fernanda Chaves, sobreviveu sem nenhuma consequência física.

Durante uma semana, para assinalar um ano sobre a execução, Fernanda enviou depoimentos áudio ao DN, a partir de uma cidade que prefere não revelar e durante o horário de trabalho de um emprego que também opta por omitir, sobre a noite do crime, a perda da amiga íntima e como o crime afetou a sua vida desde então.

Sobre as investigações, a jornalista de 43 anos age com prudência. “Não devo dar respostas, tenho é o direito de recebê-las.” Mas confessa-se assustada por a polícia suspeitar de uma milícia, o Escritório do Crime,cujos chefes têm forte ligação ao clã Bolsonaro.

Do que se recorda daquela noite?

Tínhamos saído por volta das 21.00 de um evento chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas, com jovens negras ligadas ao cinema, à comunicação, à produção. Foi um encontro muito positivo, ficou lotado, e saímos muito satisfeitas. Muito satisfeitas, portanto, entrámos no carro. A Marielle foi para trás, coisa que ela nunca fazia, gostava de ir à frente, porque ela sempre foi muito do tipo copiloto, de reclamar com o trânsito e tal. Nesse dia, ela ainda chegou a abrir a porta da frente, mas atirou as bolsas para lá e brincou com o Anderson, dizendo que ele ia de motorista e ela de madame. Ele então puxou o banco para a frente para lhe dar mais conforto.

Ela queria ficar junto a mim porque precisávamos de escolher fotos do evento e, sobretudo, de combinar uma reunião do dia seguinte que estava a deixá-la ansiosa, já que ela seria proposta como pré-candidata a vice-governadora do Rio pelo PSOL, ao lado do Tarcísio Mota. Penso que ela quis ir atrás, também, porque não queria expor muito essa ansiedade perante o Anderson, até porque ele não era muito íntimo nosso, ele era o motorista substituto.

Estávamos também a falar sobre um artigo dela no Jornal do Brasil, que seria enviado nesse dia e que eu tinha revisto antes de chegar ao evento. Ela perguntou o que eu tinha achado, eu disse que mudara o título e outros detalhes. Vínhamos falando ainda com as famílias por WhatsApp, ela hesitava se passava numa padaria para levar um pãozinho para casa porque a Mónica [companheira de Marielle] estava meio febril e eu falava com o meu marido sobre a minha filha, que também estava febril. E, entretanto, ela ainda comentava sobre o jogo do Flamengo que tinha acabado de começar. Portanto, estávamos as duas com as cabeças baixas a olhar para os celulares quando, de repente, oiço um “eita”, algo do tipo, da Marielle, mas não em forma de susto, ainda acredito que a interjeição se referisse a alguma coisa que ela estivesse a ver no celular e não com algo em que ela tenha reparado do lado de fora. Foi nesse momento que chegou a rajada, os vidros estouraram, eu não vi nada, nada, nada, porque os vidros do Anderson eram de película muito escura, a Marielle estava do meu lado ombro a ombro, ela era grande, de cabelo volumoso, tapou-me a visão. O Anderson deu um “ai”, um gemido baixo, e eu percebi que as mãos dele soltaram o volante. Puxei então o travão de mão. Entretanto, ainda abaixada, com o rosto entre os bancos da frente e as pernas da Marielle, só pensava que tinha havido um tiroteio, porque naquele lugar, no Carnaval de semanas antes, isso havia acontecido. Por isso, saí rastejando para ver se via alguma movimentação por baixo da porta do carro.

Como estava tudo muito silencioso, comecei a chamar pessoas na rua, que se aproximaram, sem entender também o que tinha acontecido. Não encontrava o meu celular, perdido no carro, e pedi para uma senhora chamar uma ambulância. Disse, “por favor, avise que é uma vereadora!”. Mas ao dizer isso as pessoas começaram a tirar fotografias, a filmar, a gerar caos. A polícia chegou então ao local para isolar a área, já eu tinha visto o meu celular a piscar no chão do carro e por isso conseguido ligar para o meu marido e para um colega da coordenação do mandato. Para mim, àquela hora, a Marielle estava apenas desmaiada. É que eu sentia-me tão inteira, tão bem, apesar do sangue e dos estilhaços na cara, que não concebia que ela e o Anderson pudessem estar algo além de desmaiados. Nessa hora, o agente via rádio informou à minha frente “são dois mortos por tiro e uma sobrevivente”. Foi dessa forma que eu soube que a Marielle estava morta. Esse foi um dos piores momentos de todo este processo. Antes eu estava muito nervosa, trémula, abalada mas esforçando-me para ficar racional. Quando ouvi aquilo ali foi difícil não me descontrolar porque não tinha ninguém com quem dividir. E estava preocupada porque sempre trabalhei com a realidade da polícia do Rio e de repente via-me com vários agentes num lugar isolado, escuro. Lembro-me de que os agentes não tinham identificação no uniforme…

A ambulância, entretanto, chegou mas eu não queria deixar a cena. Os polícias até diziam “você não está sozinha, está aqui a polícia, você não confia na polícia?”, o que gerou uma espécie de “saia justa”. Mas o meu colega da coordenação e o meu marido entretanto chegaram e convenceram-me a entrar mesmo na ambulância. Acabei por recusar ir para o hospital e fui diretamente para a delegacia na Barra da Tijuca prestar depoimento durante toda a madrugada.

De então para cá, onde esteve?

Amigos meus, advogados da área dos direitos humanos, começaram logo a avaliar que seria importante para mim sair do Rio de Janeiro. E algumas pessoas da polícia também me aconselharam a sair de cena. Eu recebi essa informação como se me tivessem a dizer que bastava ir para o sítio do meu sogro uma semana. Só depois, ao não me ser permitida a ida ao funeral e a todos esses rituais de despedida por ordem de especialistas em segurança, é que eu comecei a entender a gravidade da situação e que eu precisava de sumir, de sumir mesmo do Brasil. O Marcelo Freixo [hoje deputado federal pelo PSOL e padrinho político de Marielle] falou-me, entretanto, da possibilidade de ir para Madrid, ao abrigo de um programa de proteção da Amnistia Internacional. E no dia seguinte bate à porta de casa a [antiga presidente] Dilma Rousseff, que foi de extrema sensibilidade e explicou-nos que a Marielle se tornaria um Chico Mendes [referência do ambientalismo mundial assassinado em 1988]. Ela disponibilizou-se para me ajudar com contactos de entidades fora do Brasil mas eu acabei optando pelo tal acolhimento da Amnistia Internacional, em Madrid, onde ficaria três meses, o tempo do visto.

Como eu saí do Rio achando que em poucas semanas o crime fosse resolvido mas depois senti que não havia expectativa de regresso, que não havia nenhuma informação das investigações, que o assunto até parecia ir morrendo, esses tempos foram muito difíceis emocionalmente. Contraí até uma infeção séria no ouvido, no processo. Quando melhorei, o meu marido, que é jornalista freelance mas teve de abandonar o escritório para ir comigo e com a minha filha de 7 anos, que esteve esse tempo todo fora da escola, insistiu que fizéssemos passeios para me distrair um pouco.

Quando eu estava num deles, em Paris, a polícia civil pediu-me para voltar ao Rio para fazer uma reconstituição do crime. Como a Amnistia Internacional é que teve de pagar essa viagem, que foi de última hora e cara, os fundos do programa que me mantinham em Madrid terminaram após dois meses e não três. Fui então para Roma, a conselho de um amigo diplomata que reforçou que era muito importante ficarmos afastados do Brasil enquanto durassem as investigações e nos acolheu em sua casa. Por lá, algures em junho, como já havia calor na Europa, tinha uma comunidade brasileira em redor e participei até em seminários no Senado italiano sobre direitos humanos a propósito do caso, eu já estava melhor de humor. Na passagem de junho para julho, recorri a um programa de proteção a defensores de direitos humanos no Brasil e voltei. Não voltei para o Rio. Eu não posso voltar ao Rio, o Rio não é opção, pelo menos enquanto não descobrirem os autores e os mandantes, sobretudo os mandantes, do crime. Estou noutra cidade. Eu não sou testemunha ocular, não tenho muito mais a contribuir com informações porque não vi nada, nem percebi nada a não ser a rajada de tiros, logo, não sou propriamente uma testemunha ameaçada. Mas, quando a gente não sabe quem disparou e quem mandou disparar, a gente não sabe como e de quem se proteger, não é? Eu trabalhei toda uma vida no Parlamento do Rio e veio à tona que parlamentares podem estar envolvidos, por isso como é que eu posso voltar a um lugar onde está gente que pode ser responsável do atentado a um carro onde eu estava?

Em que cidade está e em que está a trabalhar?

Prefiro não divulgar ambas as informações. Assim como prefiro não partilhar dados ou fotografias da minha família, do meu marido, da minha filha. Espero que compreendam.

Qual a sua opinião sobre a investigação?

Durante esse tempo todo eu tenho evitado divagar sobre as possibilidades da autoria do assassinato. É uma posição pensada porque eu sinto que não tenho de dar respostas, tenho é de recebê-las: o estado brasileiro, a polícia é que me está a dever respostas a mim, a todos nós, ao mundo. No entanto, não dá para negar, pelo perfil do crime, pela arma utilizada, que há envolvimento de milícias. E não é novidade que a família do presidente Jair Bolsonaro tem ligação com as milícias – ele já as exaltou e o filho dele homenageou polícias envolvidos em milícias.

As milícias são grupos armados compostos por polícias, bombeiros, agentes penitenciários – uma espécie de braço armado do Estado atuando no crime, portanto. No fundo, são máfias, porque dominam territórios, cobram às populações por serviços de gás, televisão por cabo ou aluguer de forma criminosa. E agem sobre decisões políticas. As ligações de Bolsonaro e do filho, através de muitos membros dos seus gabinetes, a milícias e, mais precisamente, ao grupo miliciano acusado de executar a Marielle, são aterrorizantes. E têm de ser investigadas e cobradas. Mas a minha avaliação sobre o assunto acaba aí. Quem tem de falar são as autoridades.

Porque acha que a queriam matar?

A Marielle foi morta por causa do seu pensamento: foi um crime político. E a extrema-direita tem que ver com esse crime bárbaro. E as milícias estão ao serviço da extrema-direita. Basta ver quem são os políticos que as homenageiam e quem são os políticos que elas ajudam a eleger. É assustador. E o Brasil tem de dar uma resposta para o mundo.

Marcelo Siciliano, deputado estadual pelo PHS, chegou a ser dado como responsável. Ele nega e afirma-se amigo de Marielle. O que acha?

Acho uma loucura. Diz-se que seria por uma disputa de território mas a Marielle não fazia disputa territorial, não era esse o tipo de atuação dela. Por isso, parece-me um engano. Ou uma enorme cortina de fumo.

Jean Wyllys, deputado do PSOL, abandonou o Brasil por medo das ameaças. A Marielle era ameaçada? Vocês tinham medo?

A Marielle impressionava-se muito com a situação do Jean. Os deputados do PSOL do Rio encontravam-se com frequência, fosse em reuniões, fosse em atividades de rua das sextas-feiras, fosse até num bloco de Carnaval. E o Jean nunca estava. E não estava por causa das ameaças. A Marielle sempre dizia que não suportaria o que o Jean suportava, que jamais conseguiria viver ameaçada, que jamais conseguiria viver enclausurada. Ambos são alvos da extrema-direita, que vive de ameaças. E, quando não ameaça, mata mesmo em vez de disputar ideias na base do diálogo. Agem como monstros, como primatas.

Nós tínhamos medo da violência, claro, como quaisquer cidadãs cariocas. Mas não tínhamos medo de que acontecesse algo do tipo do que aconteceu. Se tivéssemos, teríamos tomado alguma atitude. Ela nunca foi ameaçada, nem de forma implícita. No máximo, de vez em quando havia um ataque de ódio ou outro nas redes sociais. E ela era especialista em segurança, por isso jamais negligenciaria esse lado. Até porque, além do mais, ela era uma apaixonada pela vida. O que ela tinha, por outro lado, era preocupação com as pessoas em redor porque nós tínhamos no gabinete outras mulheres faveladas, negras, LGBT, transexuais, pessoas de religiões de origem africana que, pela roupa ou por outro motivo, causavam incómodo até em vereadores que se recusavam a subir no mesmo elevador… Com ela própria, no entanto, nunca detetámos algo suspeito.

Seria Marcelo Freixo, que tem um histórico de ameaças de milícias, o alvo dos criminosos?

Não, não acredito. Mas acho que quem matou a Marielle quis assassinar uma ideia e aí o Marcelo está incluído, como padrinho político dela, por se sentir que ela era uma continuidade dele.

Qual a sua relação com a Marielle?

Eu conheci-a em 2006, através do Marcelo, na Lapa, lembro-me bem do dia. Eu fui coordenadora de campanha dele a deputado estadual e ela, que já atuava na favela da Maré e cursava Sociologia, começava a aproximar-se da política. Trocamos contactos e passamos a conversar muito. Eleito, o Marcelo convidou-nos a trabalhar com ele. Tornámo-nos colegas, depois amigas, fomos madrinhas de casamento uma da outra, e ela foi madrinha de consagração da minha filha. Entretanto, fui para a Bolívia como correspondente do jornal Brasil de Fato, depois passei por Brasília, como assessora de um outro deputado, mas mantivemos sempre o contacto. Eu participei à distância na campanha dela. E estava com ela no dia da eleição, quando ela se virou e perguntou: “E agora? Tamo junto?” Aí, uns quatro dias depois ela liga-me a perguntar como estava a correr a mudança de Brasília para o Rio. Eu disse: “Espera aí, Marielle, eu te ajudo mas daqui.” Ela respondeu: “Não, você teve a vida toda a fazer assessoria para homem, agora eu fui eleita, não abro mão de te ter aqui na coordenação, conto com isso.” Falei com o meu marido, ele sentiu-se empolgado, e não era para menos porque a eleição dela coincidia com a eleição de um bispo da IURD para prefeito [Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo], o que era extraordinário, empolgante, de facto. E foi assim.

Um ano depois, como vai viver a data?

Estou muito contente porque no dia em que se completa um ano estarei na Universidade de Princeton a convite da [ativista negra norte-americana] Angela Davis, que a Marielle idolatrava, a assinalar a data e a homenageá-la. O nome da última iniciativa em que ela participou, Jovens Negras Abalando as Estuturas, era até baseado numa frase da Angela. Estou contente não apenas pelo evento mas porque saio do Brasil: seria doloroso estar novamente aqui mas afastada dos ritos, das missas, das orações. Não poder ter dado ainda um abraço nos pais da Marielle ou na Ágata, a mulher do Anderson, é talvez o mais difícil.

Do DN
No DCM

Fontehttp://www.contextolivre.com.br

sábado, 9 de março de 2019

PADILHA SOBRE FUNDAÇÃO LAJA-JATO: QUEM ELES ACHAM QUE SÃO?

ELZA FIUZA /ABr
247 - O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) engrossou o coro contra a criação de uma entidade para gerir os recursos de corrupção recuperados pela força-tarefa da operação Laja-Jato. Para ele, o acordo com a Departamento de Justiça dos Estados Unidos com a força-tarefa é simplesmente a privatização de recursos públicos e a entrega de informações sigilosas da Petrobras.

"Em um só acordo com o Departamento Americano, sem autorização da Presidência, do Ministério da Justiça e do Congresso), membros do Ministério Público Federal do Paraná privatizaram os recursos resgatados de corrupção e entregaram informações sigilosas de mercado da Petrobras! Quem eles pensam que são?", questionou o deputado.
Conforme divulgado pelo portal Conjur neste sábado (9), um acordo teria sido firmado entre a força-tarefa da Lava Jato, a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em troca dos R$ 2,5 bilhões que serão entregues pela estatal a uma fundação capitaneada pela República de Curitiba, chefiada por Deltan Dallagnol, a estatal irá repassar informações comerciais sigilosas e suas patentes ao governo norte-americano. Ou seja: a Petrobrás não é mais brasileira e o Brasil passa a ser oficialmente uma colônia.

EVANDRO BORGES: 8 de março de suas lutas sociais

Advogado, Dr. EVANDRO BORGES
O dia 8 de março historicamente foi estabelecido em forma  de uma jornada pelas lutas pela igualdade de gênero, de oportunidades, de um tratamento destinado a mulher de modo civilizado e na busca de um equilíbrio na relação humana entre mulheres e homens, em uma vida mais solidária na família, em uma relação de respeito, com dignidade humana, em uma nova convivência em valores fraternais.
 
A História marca a greve americana que as mulheres morreram queimadas em uma fábrica, e a data foi inicialmente marcada pela internacional socialista, adotada pela revolução bolchevique, na Rússia revolucionária e finalmente em 1975 incorporada pela O.N.U. e posto pelos movimentos sindicais no Brasil desde o início do século passado, para tentar humanizar a revolução industrial.
 
A industrialização exigia das mulheres uma jornada de trabalho extenuante, de dezesseis horas, análoga a escrava, pois, as mulheres não desincumbiam da criação dos filhos, das tarefas familiares, com dupla ou tripla jornada de trabalho, conseguindo aos poucos os êxitos com campanhas intensas, por salário igual, pela diminuição da jornada de trabalho, pelos direitos sociais de cidadania.
 
No Brasil no século XIX as mulheres eram proibidas de frequentar a escolas, submetidas ao analfabetismo, o direito ao voto veio com a revolução liberal de 1930, capitaneada por Getúlio Vargas, o divórcio em Lei de 1977, a igualdade ao pátrio poder com o novo Código Civil de 2002, e para alguns segmentos foi ainda mais sofrido.
 
As agricultoras familiares foram reconhecidas como seguradas especiais recentemente, com direito a aposentadoria aos cinquenta e cinco anos, e agora a proposta do novo governo propõe a idade para aposentadoria aos sessenta anos, desconhecendo o trabalho penoso na agricultura, principalmente, no semiárido, com o sol escaldante ou com chuva, e com uma jornada incansável da criação e educação dos filhos e da família.
 
No Rio Grande do Norte a marcos importante das lutas femininas, uma mulher antes do seu tempo foi Nísia Floresta, abolicionista, republicana, educadora, precisou ir para França, pelas perseguições, seus restos mortais foram trasladados pela República, hoje dando o seu pseudônimo ao Município de nascimento, outrora Papary, com sua obra literária devidamente registrada.
 
Outros marcos foi da mulher Mossoroense  Celina Guimarães, o primeiro voto feminino, a primeira Deputada Maria do Céu, da primeira Prefeita Alzira Soriano, mas digna de registro Clara Camarão, a índia vestida de homem participou de lutas pela brasilidade, da escritora Macaibense  Auta de Souza, da revolta das mulheres ou motim das mulheres em Mossoró contra o alistamento militar obrigatório dos homens.
 
Hoje, encontra-se na ordem do dia, a luta contra a violência que se abate com a mulher no ambiente familiar, previsto na Lei denominada “Maria da Penha” e o feminicídio, acontecendo em todo o território nacional em face de homicídio pela condição de mulher, amplamente divulgado na mídia nacional, que devem ser combatidos por toda a cidadania, por mais justiça e dignidade social para com a mulher.
 
Em todo o Estado do Rio Grande do Norte há marcado manifestações, em Natal, na Escola de Governo, com a participação da Governadora Fátima Bezerra e uma série de instituições da sociedade civil, em Mossoró com a participação do Sindicato dos Trabalhadores na Lavoura e outras organizações locais, no Seridó em Parelhas e na segunda-feira, dia 11 de março será lançado a Marcha das Margaridas no Estado pela FETARN.

Fonte: Potiguar Notícias

VÍDEO: Ciro diz que Mourão está “flagrantemente escalando um golpe contra Bolsonaro”

por
 Kiko Nogueira
 



Balanço da semana: Bolsonaro surtou no carnaval 2019


O grito de protesto contra o governo Bolsonaro ecoou forte no Carnaval 2019. Blocos e escolas de samba desfilaram nas avenidas embalados por sambas e marchinhas temperadas com críticas ao presidente e à extrema direita. Entre os hinos que mais empolgaram as multidões constam o já famoso “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c...” e “Ai, ai, ai, Bolsonaro é o carai”.
Por UMBERTO MARTINS
O capitão não gostou. Para se vingar postou terça-feira (5) no twitter um vídeo com uma performance pornográfica protoganizada por dois jovens cariocas, insinuando que a putaria tinha corrompido de vez a maior festa popular do Brasil, motivo para admiração e atração de turistas de todo o mundo. O gesto tresloucado pegou mal aqui, inclusive entre seus correligionários, e em todo o mundo, onde o episódio causou estupefação e inspirou piadas.
Muitos acusaram o presidente de cometer crime de responsabilidade, atentando contra a dignidade e o decoro do cargo, e três advogados já ingressaram com ação na Justiça contra o capitão. O jornalista Jamil Chade, correspondente do “Estadão” na Europa, narrou que um deputado do Parlamento Europeu, perplexo, chegou a lhe indagar se a notícia não era “Fake News”.
Mas eis que no dia seguinte, sentindo a repercussão negativa e procurando amparo entre os militares, o presidente da extrema direita aprontou mais uma. Disse que a Democracia não existiria no Brasil sem a anuência das Forças Armadas, o que além de despertar indignação entre todos os que prezam a Democracia, está longe de corresponder à verdade e foi interpretado como um recado ameaçador ao Congresso para que os parlamentares aprovem sua indigesta proposta de reforma da Previdência. A Democracia foi conquistada no Brasil contra a vontade dos militares, que promoveram um golpe de Estado em 1964 e saíram da cena política desmoralizados em 1985 após a derrota do seu candidato, Paulo Maluf, no Colégio Eleitoral. Será que vão desejam repetir a lastimável experiência, ignorando as duras lições da história?
Ele quer sufocar os sindicatos
Outro destaque da semana foi a Medida Provisória MP 873, baixada por Bolsonaro no dia 1º de março, véspera do Caraval, com o claro propósito de sufocar financeiramente o movimento sindical brasileiro, colocando novos obstáculos à arrecadação de contribuição dos trabalhadores e trabalhadoras nas bases para a manutenção de suas entidades de classe. Note-se que isto ocorre num momento de luta contra a famigerada reforma da Previdência.
Nota subscrita pelas nove principais dirigentes das maiores centrais considera a MP “um grave ataque contra o princípio da liberdade e autonomia sindical e o direito de organização dos trabalhadores, dificultando o financiamento das entidades de classe no momento em que cresce, no seio da classe trabalhadora e do conjunto da sociedade, a resistência ao corte de direitos de aposentadoria e previdenciários em marcha, com a apresentação da proposta de Reforma da Previdência que já tramita no Congresso Nacional”.
Além de não tratar de tema que reclama urgência, a Medida Provisória contém uma série de outras inconstitucionalidades, de acordo com advogados e juristas. Como resposta os sindicalistas também prometem intensificar a mobilização para o Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência da dupla Bolsonaro/Guedes. Será em 22 de março.
Lula é mesmo um preso político
Também no dia 1º de março, depois de muitas idas e vindas, o ex-presidente Lula foi autorizado pela Justiça a acompanhar o velório e o enterro do seu neto de 7 anos, que faleceu vítima de meniginte. As restrições que precederam a autorização e o forte efetivo policial mobilizado para impedir qualquer contato de Lula com o povo serviram para evidenciar o que os críticos do golpe de 2016 não se cansam de repetir: Lula é um preso político e o desejo majoritário dos brasileiros e brasileiros é ver Lulalivre.
Venezuela
A queda de braço entre Maduro e o golpista Guaidó, lacaio do imperialismo americano, ainda parece longe de um desfecho. O golpista voltou e tenta organizar uma greve do setor público. Já os chavistas preparam grandes manifestações contra o imperialismo e em defesa do governo bolivariano para este sábado (9).
Semana da mulher
Além do Carnaval, esta foi também a “Semana da Mulher”, marcada por debates, manifestações e protestos no Brasil e em todo o mundo. O 8 de Março foi um grito pela igualdade, contra o feminicídio, a discriminação e a violência, da qual as mulheres são as maiores vítimas. No Brasil, o foco maior foi dado pela luta contra a reforma da Previdência e em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais, alvos do governo de extrema direita presidido por Bolsonaro.
Posse de José de Abreu
Autoproclamado presidente do Brasil, o ator José de Abreu tomou posse no inívio da noite de sexta-feira numa animada solenidade diante do aeroporto do Galeão no Rio. Promoteu promover “o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, valores fundamentais que o atual governo resolveu jogar na lata de lixo. Foi aclamado e carregado pela multidão presente à solenidade de posse.
A decadência irreversível dos EUA
Apesar da guerra comercial deflagrada em março do ano passado pelo presidente Donald Trump, os EUA acumularam em 2018 o maior déficit comercial registrado ao longo dos últimos 10 anos, notícia que abalou os mercados de capitais nesta sexta-feira. O rombo somou US$ 891,3 bilhões e só com a China foi de US$ 419 bilhões. Com razão, o presidente norte-americano enxerga no déficit a principal causa da decomposição da hegemonia econômica dos EUA no mundo. Promoveu a guerra comercial proclamando o propósito de revertê-lo, mas os fatos mostram que não teve sucesso, agiu como Dom Quixote contra os moinhos do vento. O déficit de mercadorias é a medida do parasitismo que graça na maior economia capitalista do mundo. Reflete o excesso de consumo sobre a produção e é ao mesmo tempo efeito e causa do processo de de desindustrialização e financeirização que corrompe o tecido econômico e social do país. É um fenômeno que torna a decadência irreversível.
Servidores paulistanos encerram greve
Em assembleia realizada na tarde de sexta-feira (8) os servidores paulistanos decidiram encerrar a greve iniciada em 4 de fevereiro contra a reforma da Previdência do governo Bruno Covas. O acordo que pôs fim ao movimento prevê que não será instituída a contribuição extraordinária para os servidores ativos; não haverá migração dos ativos para o regime complementar e será mantido o teto de R$ 24 mil. O prefeito garantiu o pagamento das aposentadorias e pensões atuais com recursos do tesouro municipal, independente de déficit atuarial do Iprem; o cumprimento do piso da educação com reajustes anuais;abono emergencial para os ativos de nível básico e nível médio até mesa negocial e apresentação de incorporação; mesa negocial para todas as carreiras e pagamento dos dias parados.
Fonte: Portal da CTB

sexta-feira, 8 de março de 2019

‘É preciso dar espaço à mulher’, diz papa Francisco

Por Robson Pires
O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira (8) que é preciso aumentar o espaço da mulher na sociedade e ressaltou seu papel como “tutora” do mundo. Em encontro com o Comitê Judaico Americano, o líder da Igreja Católica aproveitou a ocasião para lembrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado sempre em 8 de março.
“A mulher é aquela que torna belo o mundo, que o tutela e o mantém em vida. Leva a graça que faz coisas novas, o abraço que inclui, a coragem de se doar. A paz é mulher. Nasce e renasce da ternura das mães. Por isso, o sonho da paz se realiza olhando a mulher”, disse.
“Não é por acaso que, no relato do Gênesis, a mulher seja tirada da costela do homem enquanto este dorme. A mulher tem sua origem perto do coração e no sono, durante os sonhos. Por isso, leva ao mundo o sonho do amor. Se sonhamos com um futuro de paz, é preciso dar espaço à mulher”, acrescentou.
Há pouco menos de 15 dias, no entanto, o Papa discursou durante sua cúpula antipedofilia no Vaticano e criticou o feminismo, movimento que defende a igualdade de gênero, afirmando que todas as suas formas são um “machismo de saias”.

Amorim: “As Forças Armadas sabem que os governos Lula e Dilma foram os que mais investiram na defesa da Pátria”.

O ex-ministro e colaborador regular do Nocaute abre sua fala homenageando as lutadoras mulheres de nosso país. Comenta também as gafes do atual presidente que no intuito de consertar suas declarações sobre o carnaval disse que a democracia “é uma dádiva” das Forças Armadas. “Não, a democracia é uma conquista do povo e a Constituição brasileira estabelece que as Forças Armadas existem para defender a Pátria”. Afirma Amorim. “É por esta razão que os governos Lula e Dilma se empenharam tanto em fortalecer as Forças Armadas”.

quinta-feira, 7 de março de 2019

MULHERES SAEM ÀS RUAS CONTRA RETROCESSOS NO DIA 8 DE MARÇO; CONFIRA OS LOCAIS DA MARCHA

Mídia NINJA
As mulheres voltam às ruas nesta sexta-feira (8) em ao menos 22 cidades brasileiras para celebrar o Dia Internacional da Mulher; após as manifestações do #Elenão repercutirem mundialmente contra o discurso do ódio e o sexismo representados pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a edição deste ano alerta para as ameaças de retrocessos com o atual governo, como a proposta de "reforma" da Previdência, o aumento da militarização, a criminalização dos movimentos sociais e o entreguismo dos recursos naturais.


Rede Brasil Atual - As mulheres voltam às ruas nesta sexta-feira (8) em ao menos 22 cidades brasileiras para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Depois das manifestações do #Elenão que reverberaram por todo mundo contra o discurso do ódio e o sexismo representados pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a edição deste ano alerta para as ameaças de retrocessos com o atual governo.

A proposta de "reforma" da Previdência, o aumento da militarização, a criminalização dos movimentos sociais, a política de "entreguismo" dos recursos naturais que afeta a soberania nacional são alguns dos pontos pautados por movimentos e pela Marcha Mundial das Mulheres. As manifestações também vão protestar contra o machismo, a violência de gênero, a desigualdade, o racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs.
O assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), caso ainda sem solução quase um ano após o crime, será destaque na marcha que acontece em Fortaleza (CE) sob a bandeira "Somos todas Marielles".
Na cidade de São Paulo, a partir das 16h, no Masp, e em Campinas, às 16h, no Largo do Rosário, os atos têm como lema "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas por Marielle, em Defesa da Previdência, por Democracia e Direitos". A mesma bandeira de luta ganha espaço também nas cidades de Natal, Mossoró e Parelhas, no Rio Grande do Norte.
Em Salvador (BA), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG) e em Brasília (DF), o destaque é a luta por vida, liberdade, justiça e direitos. O movimento em defesa do aborto legal e seguro e por uma educação não sexista e libertadora ganha voz na marcha em Porto Alegre (RS).
O recente crime da Vale, em Brumadinho (MG) é alvo no protesto de Belo Horizonte (MG) que destaca "O lucro não Vale a vida" chamando a atenção para o passivo ambiental deixado no estado pela ganância das mineradoras. Na Paraíba e em Pernambuco, as mulheres reforçam a luta contra o avanço dos interesses conservadores e neoliberais com o mote "Democracia, Reforma da Previdência e perda de direitos".
Reconhecimento e homenagens
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza no dia 11 de março, a partir da 9h30, uma sessão solene para homenagear o trabalho e a resistência de mulheres com a Medalha Theodosina Ribeiro 2019, iniciativa realizada desde 2012 pela deputada Leci Brandão (PCdoB-SP), em referência à primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo.
Na edição desse ano, em que 18 personalidades serão premiadas, 14 delas são mulheres negras. Todas reconhecidas pelo trabalho e ações que "empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade".
A presidenta e regente do Bloco Afro Ilú Obá de Min, percussionista e arte educadora, Beth Beli; a filósofa e escritora Djamila Ribeiro; a rapper, cantora e ativista da Luta Antirracista Bia Ferreira e a liderança do Movimento de Moradia Maria Helena são algumas das homenageadas.
Confira abaixo os locais da marcha
São Paulo
São Paulo
Local: Masp, na Avenida Paulista
Horário: às 16h
Campinas
Local: Largo do Rosário
Horário: às 16h30
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Local: Candelária, no Centro
Horário: às 17h
Rio Grande do Norte
Mossoró
Local: INSS, no Bairro Aeroporto, com percurso até o centro da cidade
Horário: às 8h
Natal
Local: INSS, na Rua Apodi, com caminhada até a Praça dos 3 Poderes
Horário: às 15h
Parelhas
Local: Cooperativa
Horário: às 7h
Alagoas
Maceió
Local: Praça Deodoro
Horário: às 9h
Pernambuco
Recife
Local: Praça do Derby
Horário: às 14h
Garanhuns
Data: 9 de março
Local: Largo do Colunata
Horário: às 9h
Caruaru
Data: 14 de março
Local: em frente ao INSS
Horário: às 8h
Rio Grande do Sul
Porto Alegre
Local: Esquina democrática e Feira de Economia Solidária o dia inteiro no Largo Glicênio Peres
Horário: às 18h
Livramento
Local: Marcha Binacional, na Praça General Osório
Horário: às 8h30
+ mateada, oficinas e atividades culturais das 10h às 17h30 no Parque Internacional
Rio Grande
Local: Coreto da Praça Tamandaré
Horário: às 16h
Santa Maria
Local: na Praça Saldanha Marinho
Horário: às 16h intervenções culturais e às 18h ato
São Leopoldo
Local: Câmara de Vereadores, na Rua Independência, 66
Horário: às 16h
Caxias do Sul
Local: INSS, às 9h30 e caminhada até a Praça Dante, às 10h30 com atos pela tarde
Minas Gerais
Belo Horizonte
Local: Praça Raul Soares
Horário: às 17h
Juiz de Fora
Local: Parque Halfeld
Horário: às 18h
Simonesia
Local: Praça Getúlio Vargas, no Centro
Horário: às 16h
Ceará
Fortaleza
Local: Praça da Justiça, Murilo Borges
Horário: às 16h
Paraíba
Patos
Local: Concha Acústica
Horário: às 7h30
Pará
Belém
Local: Mercado de São Brás
Horário: às 8h30
Fonte: brasil247.com

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Filmes: "Machuca" - TRÁGICO E DOLOROSO

TRÁGICO E DOLOROSO
Assista este filme para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” na América Latina...

- por André Lux, crítico-spam

Você já se perguntou por que ninguém tem coragem de admitir que seja de “direita” na América do Sul? Assista “Machuca” e vai saber a resposta. Este filme chileno do diretor Andrés Wood se passa durante os últimos meses do governo socialista de Salvador Allende, quando o padre que dirige uma escola para crianças da classe média alta implanta uma política do governo que reserva vagas para alunos oriundos das classes pobres.

Um desses meninos é justamente o Machuca do título, que acaba ficando amigo de Gonzalo, um filho das “elites” e provável alter-ego do próprio cineasta (o filme termina com uma frase em homenagem a um padre real, que obviamente deve ter semelhanças com o personagem de "Machuca").

A amizade dos dois representa o abismo que existe entre as classes sociais, o qual fica escancarado quando um vai visitar a casa do outro. Gonzalo, que mora numa bela residência, tem um pai boa praça, porém ausente e alienado, enquanto sua mãe é a personificação da “dondoca” suburbana fútil e louca por dinheiro (ao ponto de ser amante de um político rico do qual recebe vários “presentes” chiques). A irmã do menino namora uma boçal violento e agressivo que faz parte do “Comando de Caça a Comunistas” chileno.

Já Machuca mora numa favela com a mãe, a irmã e um tio. Seu pai é um bêbado que aparece só para arrancar dinheiro da mãe e dar porrada nos filhos. Só por curiosidade, li um profissional da opinião dizendo que o filme “falha” ao mostrar a pobreza de forma idílica! Concordo com ele, afinal quem é que não sonha em morar num barraco feito de tábuas e lonas enquanto recebe uns sopapos do pai bêbado e cafetão dia sim, dia não?

Enfim, dessa improvável amizade acompanhamos os dois meninos passando por várias situações que servem para reforçar o caos político promovido pelos golpistas que se abatia sobre o país. O tio de Machuca ganha a vida vendendo bandeiras dos partidos de direita e de esquerda nas várias passeatas contra e a favor do governo. E leva os garotos juntos, que ignorantes do que se passava, saiam alegremente repetindo os jargões dos manifestantes, seja de qual tendência eram representantes.

Mas as coisas começam a mudar para Gonzalo quando encontra o namorado truculento da irmã e a própria mãe numa das passeatas, durante a qual a irmã de Machuca é humilhada e agredida por fazer parte da “ralé”. Em outra cena emblemática e muito triste, os pais da high society protestam numa reunião do colégio contra a presença das crianças pobres que, nas palavras deles, não devem se misturar com seus filhos. Uma das mães pobres faz então um tocante discurso sobre a trágica história de toda sua família, só para ser acusada por uma dondoca de “ressentida, rancorosa, volte para o lugar de onde veio!”.

Não quero revelar mais da trama, mas basta dizer que o filme segue o ritmo dos golpistas até a sangrenta derrubada do governo socialista pelos milicos do general Pinochet, que lançaram sobre o Chile a mais brutal e selvagem ditadura da América Latina. Ditadura que foi notável também por ter sido o primeiro regime a implantar - sobre o cadáver de milhares de cidadãos que ousaram lutar por um mundo mais justo e menos desigual - a nefasta ideologia neoliberal, que hoje colocou o mundo de joelhos.

Nem preciso dizer que o final de “Machuca” será terrivelmente trágico e doloroso. E basta assisti-lo para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” por essas bandas...

Cotação: * * * *