sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

“Quero a esquerda unida, capaz de enfrentar fascistas, milicianos e burros que estão no poder”, diz Jean Wyllys


Em entrevista exclusiva à Fórum, Wyllys falou sobre os motivos de deixar a vida parlamentar: "Eu não posso brincar com a minha vida, porque é a única que eu tenho. E todos sabemos o que aconteceu à Marielle. Também sabemos o que essa família pensa sobre mim”

O Brasil foi surpreendido no dia 24 de janeiro, com o anúncio de que o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) havia renunciado ao seu terceiro mandato. Além disso, o parlamentar decidiu deixar o país, em consequência de ameaças de morte sofridas por ele e seus familiares.

Em entrevista exclusiva à Fórum, Wyllys deixa claro que o fato não vai impedi-lo de continuar lutando pelas causas que sempre defendeu.

“Essa nova vida à qual fui obrigado pelas ameaças não vai me retirar do front. Vou continuar fazendo política no sentido mais amplo. Desde outro lugar, mesmo sem cargo público, vou continuar denunciando as atrocidades desse governo e defendendo como sempre as liberdades individuais, a justiça social e os direitos humanos. Apenas ampliei a trincheira, para a qual voltarei quando estiver inteiro de novo. E também espero poder voltar um dia ao Brasil, quando esse pesadelo acabar”, relata.

Esquerda unida

Apesar de estar fora do Brasil, Wyllys tem acompanhado com atenção o que acontece com a política nacional, como as eleições na Câmara Federal e no Senado, os primeiros passos do governo Bolsonaro e o papel da esquerda nesse momento crucial do país.

Durante a escolha do presidente da Câmara, por exemplo, o campo progressista se dividiu. Enquanto PT e Rede apoiaram a candidatura de Marcelo Freixo (PSOL), o PSB lançou candidato próprio (João Henrique Caldas, o JHC) e o PCdoB e o PDT fecharam com Rodrigo Maia (DEM), que acabou vencendo.

Jean Wyllys é contundente em sua análise, como de costume: “Eu não vou somar a minha voz a essa troca de acusações e recriminações entre diferentes setores da esquerda e entre pessoas que eu respeito e de quem eu gosto”, revela.

“O Brasil passa por uma situação gravíssima, com um governo fascista eleito pelo voto popular, graças à prisão política do Lula. Esse governo chega com uma agenda que tem como eixo fundamental (não é cortina de fumaça, mas a narrativa que lhe permitiu construir hegemonia na sociedade) a negação do direito à existência de diversas minorias, o discurso de ódio, a legalização do preconceito e da discriminação, a perseguição política, o macarthismo mais descarado, a repressão violenta, a desconstrução do sistema de proteção dos direitos humanos e um profundo retrocesso em direitos econômicos e sociais”, acrescenta.

A consequência direta disso, segundo o agora ex-deputado do PSOL, é o iminente risco às liberdades democráticas, aos direitos civis, à liberdade de imprensa, aos direitos sociais.

“Nesse contexto, as brigas internas da esquerda, que sempre foram péssimas, são imperdoáveis. Então, não contem comigo para atacar ninguém. Eu quero uma esquerda unida que seja capaz de enfrentar os fascistas, milicianos e burros que estão no poder e defender as populações mais vulneráveis de qualquer perda de direitos. Quero uma esquerda que, unida, seja capaz de articular lutas democráticas, inclusive, com setores ideológicos mais amplos. Para isso, sim, contem comigo”.

Calamidade

Questionado sobre que balanço faz, depois de tudo que viveu nos últimos anos e ainda está vivendo, com todas as ameaças e retrocessos contra ele e o Brasil, Wyllys volta suas baterias novamente para Bolsonaro e sua equipe.

“Esse governo vai ser uma calamidade, já está sendo. A seleção dos ministros foi algo inacreditável, são pessoas absolutamente incapazes, muitos deles não conseguiriam jamais um bom emprego no setor privado e nem conseguiriam passar num concurso público ou até mesmo na prova do ENEM. Eles chegam ao poder, sem qualquer experiência na administração pública, carregados de ódio, preconceitos e macarthismo. Não entendem a diferença entre a Bíblia e a Constituição Federal, desprezam os direitos humanos, não têm a menor sensibilidade para as questões sociais, são ignorantes, toscos”, analisa.

O ex-parlamentar, portanto, reconhece os tempos difíceis, mas não perde a esperança. “O Brasil vai atravessar um período muito ruim, mas eu espero que haja muita resistência e que a gente consiga recuperar nosso país, para que volte a ser essa terra de esperança e otimismo que já foi nos seus anos melhores”.

Marketing?

Jean Wyllys não se furtou a comentar as acusações que vem recebendo, depois de decidir renunciar ao mandato e deixar o Brasil, de que as ameaças de morte sofridas por ele e sua família não passam de um golpe de marketing?

“Quer dizer que eu saí da minha terra, me afastei da minha família e dos meus amigos, renunciei a um mandato de deputado federal e a quatro anos de salário, deixei meu apartamento, vendi meus móveis, perdi acesso aos meus livros e fiquei desempregado como parte de uma jogada de marketing?”, questiona.

Ele encontra uma explicação para as acusações. “Será que alguém falaria isso, nas mesmas circunstâncias, se eu não fosse homossexual? Olha, a resposta é simples. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, depois de analisar as provas das ameaças recebidas e da brutal campanha de destruição de reputação a que eu fui submetido por essa quadrilha de fascistas, concluiu que minha vida estava em risco e solicitou ao Estado brasileiro proteção para mim e para minha família. Mas nada foi feito”, diz.

Jean Wyllys relembra, ainda, os riscos que correu e justifica sua decisão de deixar o país: “Eu não posso brincar com a minha vida, porque é a única que eu tenho. E todos sabemos o que aconteceu a Marielle, sabemos quem está sendo investigado por esse crime (e no gabinete do filho de quem a esposa e a filha dele estavam lotadas como assessoras). Também sabemos o que essa família pensa sobre mim”, completa.


Lucas Vasques 
No Fórum

Senado pode ter CPI para investigar Judiciário

O Senado pode ter uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Poder Judiciário. O requerimento para averiguar a atuação dos tribunais superiores foi protocolado nesta quinta-feira (8) pelo senador Alessandro Vieira (PPS-SE).
O pedido destaca que “não se trata de perquirir as atribuições do Poder Judiciário, mas, sim, de investigar condutas que extrapolem o exercício regular dessas competências”.
O parlamentar propõe averiguar o abuso de pedidos de vista ou expedientes processuais para retardar ou inviabilizar decisões de plenário, a diferença do tempo de tramitação de pedidos a depender do interessado e o excesso de decisões contraditórias para casos idênticos. Ele também sugere que seja investigado o desrespeito ao princípio do colegiado, a diferença do tempo de tramitação de pedidos, a depender do interessado e a participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura.
“Nosso objetivo é abrir a caixa-preta deste Poder que segue intocado, o único que segue intocado na esfera da democracia brasileira. E só existe democracia quando a transparência chega a todos os lugares. A democracia não pode ser seletiva”, afirmou o senador, no plenário. Nos bastidores, a investigação vem sendo chamada de “Lava Toga”.
Por Robson Pires

Estatais são como ‘filhos que fugiram e hoje são drogados’, diz Guedes

Por Robson Pires
O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou nesta sexta-feira (8) as estatais brasileiras a “filhos que fugiram de casa e hoje são drogados”. Em sua visão, disse, todas deveriam ser privatizadas, mas o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os militares pediram que algumas permaneçam estatais.
“Eu falava que tinha que vender todas [as estatais], mas naturalmente o nosso presidente, os nossos militares olham para algumas delas com carinho, como filhos, porque foram eles que as criaram. Mas eu digo, olha que seus filhos fugiram e hoje estão drogados”, disse, em evento sobre privatizações no BNDES.
Guedes não citou nomes das empresas, mas o governo já decidiu, por exemplo, que não privatizará a Petrobras. Em discurso no evento, Guedes disse que o governo brasileiro não pode mais carregar “ninhos de corrupção”, que dão prejuízo para garantir apoio político em troca de cargos públicos.
“A velha política morreu. Não sabemos qual é a nova, mas sabemos que a velha política morreu. As estatais não vão alimentar mais aquela forma de fazer política”, afirmou. Ele defendeu que privatizações podem ajudar a cortar gastos públicos e permitir foco em investimentos sociais, como saúde, educação e segurança.

CBF anuncia homenagem às vítimas de incêndio: ‘Futebol brasileiro está de luto’

Por Robson Pires,
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai fazer homenagens às vítimas do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo em suas competições, nos próximos dias, e avisou que os jogadores da seleção brasileira sub-20 vão entrar em campo com uma faixa preta no braço em seu último jogo no Sul-Americano da categoria, no domingo.
“O futebol brasileiro está de luto. A CBF se une em solidariedade e orações às famílias das vítimas e ao Flamengo, neste momento de enorme tristeza. Que todos tenham muita força para ultrapassar este momento trágico, que interrompeu sonhos de protagonismo nos gramados e fora deles”, registrou a entidade, em comunicado.
“Todas as partidas de competições organizadas pela CBF terão um minuto de silêncio, na próxima rodada, em homenagem às vítimas. A seleção brasileira sub-20 entrará em campo, na rodada final do Sul-Americano da categoria, usando luto nos uniformes. As bandeiras da sede da CBF serão mantidas a meio-mastro, durante o luto oficial decretado pelas autoridades”, informou a CBF.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Movimentos populares se articulam para alterar MPs de Bolsonaro no Congresso

Cerca de 2 mil comunidades que têm processo de regularização fundiária em aberto no Incra podem ser prejudicadas pela MP 870. Foto: Agência Brasil
Quilombolas criticam titulação de terras em mãos do Ministério da Agricultura e pedem retorno da função para o Incra.
do Brasil de Fato
Movimentos populares se articulam para alterar MPs de Bolsonaro no Congresso
Cristiane Sampaio, do Brasil de Fato | Brasília (DF)
Quilombolas criticam titulação de terras em mãos do Ministério da Agricultura e pedem retorno da função para o Incra
Representantes de comunidades quilombolas têm se articulado junto a parlamentares do Congresso Nacional para tentar alterar trechos da Medida Provisória (MP) 870, editada por Jair Bolsonaro (PSL) após a posse presidencial.
Ao reformular a estrutura administrativa do Poder Executivo federal e reduzir de 29 para 22 o número total de ministérios, a MP também realizou uma redistribuição de competências que atingiu interesses sociais e populares.
Uma delas diz respeito à titulação de terras quilombolas, que era de competência do Incra – vinculado, durante o governo de Michel Temer (MDB), à Casa Civil – e agora fica a cargo do Ministério da Agricultura (Mapa), tradicionalmente operado sob a influência da bancada ruralista.
Os quilombolas questionam a retirada da competência do Incra, destacando que o processo de regularização fundiária dessas comunidades inclui responsabilidades que fogem do escopo do Mapa, como é o caso das questões socioculturais e antropológicas.
Por conta disso, a Confederação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) se articula para pressionar os parlamentares a aprovarem uma emenda que devolva essa competência para o Incra. No vocabulário legislativo, as emendas são os meios pelos quais os deputados e senadores propõem alterações no texto das medidas em tramitação.
A socióloga Givânia Silva, integrante da coordenação nacional da Conaq, afirma que o receio das comunidades é que haja um definitivo sufocamento da política de titulações, que vive um processo de desaceleração desde os últimos anos.
Ela destaca que a mudança para o Mapa poderá comprometer ainda mais a situação das cerca de 2 mil comunidades que têm processo de regularização aberto junto ao Incra. A dirigente acrescenta que a interrupção da política afetaria o cumprimento do artigo 68 da Constituição Federal, que obriga o Estado brasileiro a reconhecer os territórios remanescentes de quilombos e titular definitivamente as comunidades.
Como as MPs só podem ser alteradas via emendas, os quilombolas tentam essa via de resistência num cenário legislativo dominado por parlamentares ruralistas.
“Estamos diante de um parlamento bastante complexo, senão muito difícil, mas nós iremos continuar no debate e pressionando pra que eles compreendam que, ao sumir com essa estrutura ou colocar ela de qualquer jeito [no Mapa], o que se está fazendo não é outra coisa senão negando a Constituição”, afirma Givânia Silva.
Consea
Outra mudança trazida pela MP 870 que já é alvo de articulações entre parlamentares e segmentos populares para apresentação de emenda diz respeito à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Composto por representantes da sociedade civil e do poder público, o órgão exercia o controle social na formulação e na avaliação de políticas públicas relacionadas ao tema, sendo vinculado à Presidência da República.
Agora, atores envolvidos no assunto tentam reativá-lo e defendem que ele seja alocado no Ministério da Cidadania.
“É a brecha que a gente encontrou na própria medida provisória, que diz que o gestor da política nacional de segurança alimentar e nutricional agora é o Ministério da Cidadania, mas o mais importante, neste momento, é conseguir a volta do Consea. Com a extinção dele, o sistema ficou todo desestruturado”, destaca a ex-secretária-executiva do órgão, Marília Leão, acrescentando que o Consea dava as diretrizes para conselhos locais e regionais que atuam dentro da mesma pauta de segurança alimentar.
A extinção do órgão vem sendo alvo de críticas desde o início do ano e será pauta de uma mobilização popular nacional agendada para o próximo dia 27.
Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP), coordenador do Núcleo Agrário do Partido dos Trabalhadores e um dos interlocutores do campo popular dentro do Poder Legislativo, a alteração da MP 870 exige um diálogo amplo, que alcance diferentes setores.
“Acredito que, se a gente fizer um trabalho articulado entre os parlamentares do bloco de oposição no Congresso e as entidades do campo e demais movimentos sociais, é possível sensibilizar outros setores da sociedade pra serem parceiros e, assim, conseguirmos influenciar outros parlamentares pra gente derrotar o governo nessa iniciativa”.
Outras MPs
Além da MP 870, o Congresso Nacional tem, neste começo do ano legislativo, uma fila de mais 21 medidas provisórias aguardando análise. Dessas, 20 são do governo de Michel Temer (MDB) e uma do governo Bolsonaro, a MP 871, que é considerada uma introdução para a reforma da Previdência e atinge trabalhadores rurais.
Entre as demais, estão, por exemplo, as MPs 855 e 856, que dizem respeito à privatização de empresas ligadas à Eletrobras; a MP 863, que permite até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras; e a MP 864, que autoriza a União a transferir um montante de R$ 225,7 milhões para Roraima, para que o dinheiro seja aplicado na intervenção federal que vigora no estado desde dezembro do ano passado.
Edição: Mauro Ramos
Fonte: https://jornalggn.com.br

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

MÁ GESTÃO Sonegação, falcatruas e renúncias tiram mais de R$ 85 bi do INSS


Previdência
Previdência pública deve perder este ano cerca de R$ 54,56 bilhões com renúncias previdenciárias
A apropriação indébita dos patrões mostra um retrato gravíssimo de como a falta de fiscalização contribui para o rombo da Previdência, diz ex-ministro da Previdência.
CUT – Enquanto o projeto do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para endurecer as regras para os trabalhadores e trabalhadoras se aposentarem segue em ritmo acelerado, o combate à sonegação e falcatruas de empresas e a discussão sobre as renúncias previdenciárias andam a passos lentos.
Previdência pública deve perder este ano cerca de R$ 54,56 bilhões  com renúncias previdenciárias – desonerações de folha, exportação rural, filantropia e tributos de empresas pequenas e as optantes do Simples Nacional, que não recolhem 20% de contribuição ao INSS. Este valor é quase 12% maior do que os R$ 46,3 bilhões de renúncia previdenciária que o ilegítimo Michel Temer deu às empresas no ano passado.
O rombo nos cofres do INSS sobe para R$ 85,81 bilhões se somarmos as renúncias previdenciárias e a apropriação indébita. Por ano, os patrões descontam dos salários dos trabalhadores e trabalhadoras, mas não repassam ao caixa da Previdência, cerca de R$ 31,25 bilhões, segundo a CPI da Previdência
Para o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, a apropriação indébita dos patrões mostra um retrato gravíssimo de como a falta de fiscalização contribui para o rombo da Previdência.
"Se a empresa não recolhe a parte que é descontada dos funcionários, isto é crime. E este rombo pode ser muito maior porque a parte que cabe ao trabalhador é de 10% e a da empresa, 20%. Se ela não repassa nem a que recolheu, imagine a dela própria. Isto significa que só neste tipo de sonegação pode-se chegar a R$ 93 bilhões", calcula Gabas.
O ex-ministro diz ainda que as empresas que fazem essas falcatruas costumam reincidir no crime. "Além de não recolher o que devem, quando pagam as dívidas, pagam apenas metade. Se devem 100, recolhem 50. Se têm mil trabalhadores dizem que têm 600 e vai deixar de recolher sobre os demais 400", diz Gabas.
Para o secretário de Administração e Finanças da CUT, Quintino Severo, é preciso que haja um mecanismo para que os trabalhadores possam acompanhar mensalmente se sua Previdência foi recolhida, ao contrário do que fez em janeiro passado o governo Bolsonaro que editou uma Medida Provisória restringindo o acesso de dados públicos
"Enquanto precisamos de mais transparência, Bolsonaro toma a medida lamentável de restringir o acesso aos dados públicos. Isto vai impedir a verificação das contas do governo, se os encargos e os benefícios previdenciários dos trabalhadores estão sendo pagos ou não".
E essa será uma das principais bandeiras do ato da CUT e demais centrais sindicais, no próximo dia 20, quando será realizada uma Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora em defesa da aposentadoria e da Previdência Social. Na ocasião, os sindicalistas deliberarão um plano de lutas unitário.

Fiscalização tem de ser aprimorada

O ex-ministro da Previdência lembra que a Receita Federal é o órgão responsável pela fiscalização da Previdência, mas é preciso melhorar a fiscalização e colocar a máquina pública para cobrar as contribuições em atraso.
 "Hoje há créditos previdenciários que ultrapassam os R$ 500 bilhões. Uma parte já foi parcelada, outra parte confessada a dívida, outra está em fase de questionamento judicial. Tudo isso demora muito a ser cobrado e para cobrar, precisa melhorar a legislação de cobrança, inclusive as dívidas tributárias".
"Em 2017, entre créditos previdenciários e tributários o valor ultrapassava R$ 2 trilhões e 400 bilhões", afirma Gabas.

Modelo de renúncia previdenciária precisa ser revisto

Tanto Gabas quanto Quintino acreditam que é preciso que o modelo de renúncia previdenciária seja revisto para que não se cometa injustiças, pois segundo eles, ela não é de todo mal aos trabalhadores.
"Muitas empresas que aderem ao Simples Nacional realmente precisam de incentivos fiscais, mesmo algumas filantrópicas, mas não é o caixa da Previdência que tem de pagar por esses incentivos", diz Gabas.
Os bilhões de renúncia fiscal comprovam cada vez mais que a reforma da Previdência se justifica menos, complementa Quintino Severo. Para ele, quem deve arcar com as renúncias fiscais é o Tesouro Nacional, e não o caixa da Previdência.
"A Previdência não tem nada a ver com essas decisões. Mesmo uma política pública importante e fundamental, como a aposentadoria dos rurais, deveria ser responsabilidade do Tesouro Nacional porque quando eles pagam impostos nenhum centavo vai para a Previdência, e sim para o caixa do Tesouro".

Filantropia

Gabas questiona ainda o "modelo de filantropia", em que vários ministros decidem a quem dar renúncia, mas nenhum ministério assume o custo, repassam tudo para o INSS.
Ele explica que quem decide quais hospitais que são filantrópicos é o Ministério da Saúde. Já no caso das universidades, quem decide é o Ministério da Educação, das empresas agrícolas, o Ministério da Agricultura.
"Ora, o Ministério da Saúde que coloque em seu orçamento o desconto que vai ter o hospital; o da Educação, as escolas e o da Agricultura, as empresas agrícolas. Não tem de colocar na conta da Previdência", defende Gabas.
Quanto ao Simples Nacional, o ex-ministro reconhece sua importância para a economia, mas diz que é preciso que cada segmento seja responsável por sua renúncia fiscal e que os critérios sejam mais rigorosos ao se aprovar a renúncia de cada tipo de empresa.
"Se o pequeno produtor rural tem de pagar 2,1% de imposto de renda porque o latifundiário, grande exportador, tem de ser isento, não pode pagar nada de tributo como é o caso das máquinas agrícolas? Não tem sentido", questiona.
"Precisamos discutir essas questões antes de mexer na Previdência", diz Gabas.
Segundo ele, a Previdência tem desafios a ser enfrentados como o envelhecimento da população, mas é possível enfrentar isso sem desmontar o modelo atual de proteção previdenciário.
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA

Xadrez do eixo Bolsonaro-Lava Jato



A derrota de Renan Calheiros nas eleições para a presidência do Senado é mais um passo na escalada da violência e na desestabilização do que resta de democracia no país.

Peça 1 – os paradigmas da transparência e da fisiologia

A eleição do inacreditável Davi Alcolumbre (DEM-AP) para presidente do Senado, expôs duas hipocrisias que, por força das redes sociais, se tornaram verdades.

O pararadigma da transparência

Porque o voto secreto foi considerado um avanço nas modernas democracia?

Primeiro, por impedir a pressão dos mais fortes sobre os mais fracos. Dois exemplos simples:
  • a pressão das milícias sobre os eleitores dos territórios conquistados;
  •  a pressão do Executivo sobre o parlamento, em todas suas instâncias.
Segundo, por reduzir as barganhas. Na votação em aberto, as barganhas são extremamente facilitadas, porque o alvo da pressão é obrigado a comprovar que entregou o combinado.

Houve uma intensa e maliciosa campanha pelo Twitter contra a votação secreta. Tendo sido instituída para impedir as barganhas e as pressões espúrias, nesse circo-hospício brasileiro, se transformou em atentado à transparência.

Renan saiu da disputa quando o PSDB exigiu que seus senadores abrissem voto. Entre os tucanos, havia dois votos favoráveis a Renan. Com o voto em aberto, recuaram. E por que recuaram? Para não se expor a represálias do Executivo (através do braço armado da Lava Jato), é óbvio.

O paradigma da fisiologia

Há duas formas de apoiar o poderoso, visando benefícios:

1. Defendendo o poderoso contra ataques de terceiros.

2. Atacando os terceiros, sem explicitar o apoio ao poderoso.

Peça 2 – o partido da Lava Jato

E aí se entra no ativismo político e nas relações que se consolidam entre Lava Jato e o governo Bolsonaro.

Há duas formas de apoio:

1. O apoio explícito, que consiste em defender o governo.

2. O apoio envergonhado, que consiste em atacar os adversários do governo e se calar ante seus erros.

A Lava Jato se encaixa como uma luva na segunda forma de apoio.

Além do articulador político do governo, Onyx Lorenzoni – “absolvido” por Sérgio Moro após um pedido de desculpas por financiamento ilícito de campanha – a Lava Jato caiu de cabeça na campanha pró-Alcollumbre. Seu papel consistiu em atacar Renan e defender o voto em aberto.

E, assim como Sérgio Moro, não se pronunciar sobre as rumorosas ligações de Flávio Bolsonaro com as milícias, nem sobre o risco de se ter as milícias com linha direta com o sistema de poder.

Além da Lava Jato, Alcolumbre teve o apoio de senadores da Rede, como Randolphe Rodrigues, mostrando que, assim como Aldo Rebelo, assimilou perfeitamente as janelas de oportunidade da política. A demagogia correu solta no Twitter.

Finalmente, o papel do PSDB, obrigando seus senadores a votar compulsoriamente em Alcolumbre, mesmo sabendo que sua eleição cria um fator adicional de instabilidade no país.

Mais uma vez, o fígado se sobrepõe à lógica, mesmo sabendo que o caminho mais correto para reformas negociadas seria Renan.

Com sua atitude, o PSDB fortalece a mistura de fundamentalismo religioso com milícias, que caracteriza o governo Bolsonaro, abre caminho para o populismo de direita, e para o mais desbragado fundamentalismo religioso, conforme o Twitter do pecador convertido Onyx Lorenzoni.

Peça 3 – o papel do Senado e o jogo democrático

O Senado é o primeiro filtro para conter inconstitucionalidades do Executivo. É o algodão entre cristais, para evitar embates maiores com o STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente do Senado tem o papel de interlocução não apenas com o STF, mas com o governo. É função que exige experiência, conhecimento e capacidade de negociar.

Cabe ao Senado aparar os exageros de projetos de lei draconianos, impedir o avanço de propostas inconstitucionais, fazer a interlocução com os demais poderes. Daí a importância do cargo de presidente do Senado.

Pelo comportamento nas prévias, o senador eleito, Davi Alcolumbre (DEM-AP) parece do nível de Severino Cavalcanti. Já foi denunciado por incorrer em deslizes do baixo clero, como falsificar notas fiscais com gastos de combustíveis, e por frequentar escritórios de doleiros.

Com o esquema Bolsonaro conquistando a cidadela do Senado, o próximo passo será a conquista da Procuradoria Geral da República e do Supremo. Essa função será assumida pela Lava Jato que, definitivamente escancarou seu ativismo político.

Com a retaguarda de Sérgio Moro, a Lava Jato lançou as primeiras escaramuças contra a Procuradoria Geral da República e alimentou Lorenzoni com denúncias conta Renan no dia das eleições. E conta, no STF (Supremo Tribunal Federal), com o apoio de Luís Roberto Barroso, o homem que previu a “refundação” que jogou o país de volta à idade das trevas.

Em um quadro ideal (para o Bolsonarismo) o desenho final é o de Sérgio Moro avançando na repressão política, tendo na Lava Jato e na Polícia Federal seu braço armado.

Faltou apenas combinar com os russos. E, por isso mesmo, tem a pedra das milícias no meio do caminho.

Nas próximas semanas, o jogo ficará mais pesado. E ficará cada vez mais difícil à Lava Jato o álibi de que apenas combate a corrupção, sem nenhum viés político.

Na sexta-feira passada, segundo os Jornalistas Livres, foi nomeado como Secretário Especial para a Câmara dos Deputados, representando a Casa Civil, o médico Carlos Humberto Manato, que fez parte da Scuderie le Coq, precursora das milícias e dos escritórios da morte. A nomeação foi assinada por Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni.



Fonte: Luís Nassif - No GGN

A CRIAÇÃO DE JUAN GUAIDÓ: COMO OS ESTADOS UNIDOS FABRICARAM O LÍDER DO GOLPE NA VENEZUELA


"É uma lógica de laboratório: ele foi criado para isso"

Juan Guaidó é o resultado de um projeto de uma década supervisionado pelos treinadores de elite de Washington para derrubar governos. Enquanto posava como um defensor da democracia, ele passou anos na vanguarda de uma violenta campanha de desestabilização.

Antes do fatídico dia 22 de janeiro, menos de um em cada cinco venezuelanos tinha ouvido falar de Juan Guaidó. Apenas alguns meses atrás, este homem de 35 anos era um personagem sombrio em um grupo de extrema direita politicamente marginalizado, intimamente associado a atos horríveis de violência nas ruas. Mesmo em seu próprio partido, Guaidó era uma figura de nível médio na Assembléia Nacional, dominada pela oposição (...)

Mas depois de uma única ligação telefônica do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, Guaidó se proclamou presidente da Venezuela. Ungido como líder de seu país por Washington, um político até então desconhecido foi transferido para o cenário internacional como o líder selecionado pelos Estados Unidos para a nação com as maiores reservas de petróleo do mundo.

Ecoando o Consenso de Washington, o comitê editorial do New York Times descreveu Guaidó como um "rival crível" para Maduro, com um "estilo refrescante e uma visão para o avanço do país". O comitê editorial da Bloomberg News o aplaudiu por buscar a "restauração da democracia" e o Wall Street Journal o colocou como "um novo líder democrático". Enquanto isso, o Canadá, numerosas nações européias, Israel e o bloco de governos de direita latino-americanos conhecidos como Grupo de Lima reconheceram Guaidó como o líder legítimo da Venezuela.

Embora Guaidó parecesse ter se materializado do nada, ele era, de fato, o produto de mais de uma década de preparação assídua pelas fábricas de elite dedicadas à mudança de governos pelos Estados Unidos. Junto a um grupo de ativistas estudantis de direita, Guaidó foi treinado para minar o governo de orientação socialista da Venezuela, para desestabilizar o país e, algum dia, para tomar o poder. Embora ele tenha sido uma figura menor na política venezuelana, passou anos demonstrando calmamente seu valor nos corredores do poder de Washington.

"Juan Guaidó é um personagem que foi criado para essa circunstância", disse a Grayzone Marco Soco, um sociólogo argentino e principal cronista da política venezuelana. "É a lógica de um laboratório: Guaidó é como uma mistura de vários elementos que criam um personagem que, com toda a honestidade, provoca riso e preocupação."

Diego Sequera, jornalista e escritor venezuelano da agência de pesquisa Misión Verdad, concordou: "Guaidó é mais popular fora da Venezuela do que no interior, especialmente nos círculos de elite da Ivy League e Washington", disse Sequera para Grayzone: "Ele é um personagem bem conhecido lá, ele é previsivelmente de direita e considerado fiel ao programa."

Enquanto Guaidó se vende hoje como o rosto da restauração democrática, ele passou sua carreira na facção mais violenta do partido de oposição mais radical da Venezuela, colocando-se na vanguarda de uma campanha de desestabilização após a outra. Seu partido foi amplamente desacreditado dentro da Venezuela e é parcialmente responsável por fragmentar uma oposição muito fraca.

"Esses líderes radicais não têm mais do que 20% nas pesquisas de opinião", escreveu Luis Vicente León, o maior pesquisador da Venezuela. Segundo León, o partido de Guaidó continua isolado porque a maioria da população "não quer guerra". "O que eles querem é uma solução."

Mas esta é precisamente a razão pela qual Guaidó foi selecionado por Washington: não se espera que ele lidere a Venezuela em direção à democracia, mas que leve ao colapso um país que tem sido, ao longo das últimas duas décadas, um bastião da resistência à hegemonia norte-americana. Sua ascensão improvável marca o ápice de um projeto de duas décadas para destruir um forte experimento socialista.

APONTANDO A "TROIKA DA TIRANIA"

Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, os Estados Unidos lutaram para restabelecer o controle sobre a Venezuela e suas vastas reservas de petróleo. Os programas socialistas de Chávez podem ter redistribuído a riqueza do país e ajudado a tirar milhões de pessoas da pobreza, mas também colocaram um objetivo nas costas. Em 2002, a oposição de direita venezuelana o derrubou brevemente com o apoio e reconhecimento dos Estados Unidos, antes que o Exército restabelecesse sua presidência após uma massiva mobilização popular. Em todas as administrações dos Estados Unidos, de George W. Bush a Barack Obama, Chávez sobreviveu a vários planos de assassinato antes de sucumbir ao câncer em 2013. Seu sucessor, Nicolás Maduro, sobreviveu a três atentados contra sua vida.

O Governo Trump imediatamente elevou a Venezuela ao topo da lista de metas de mudança de regime a partir de Washington, chamando-a de líder de uma "troika da tirania". No ano passado, a equipe de segurança nacional de Trump tentou recrutar membros do Exército para formar uma junta militar, mas esse esforço fracassou.
Segundo o Governo venezuelano, os Estados Unidos também participaram de um complô com o codinome "Operación Constituición", para capturar Maduro no palácio presidencial de Miraflores, e outro chamado "Operación Armagedón", para assassiná-lo no desfile militar de julho de 2017. Pouco mais de um ano depois, os líderes da oposição exilados tentaram matar Maduro com drones durante um desfile militar em Caracas.

(...) Proveniente de um dos estados menos populosos da Venezuela, Guaidó ficou em segundo lugar nas eleições parlamentares de 2015, obtendo apenas 26% dos votos exigidos para assegurar-lhe um lugar na Assembleia Nacional (...)

Guaidó é conhecido como o presidente da Assembléia Nacional, dominado pela oposição, mas nunca foi eleito para o cargo. Os quatro partidos da oposição que compunham a Mesa da Unidade Democrática da Assembléia decidiram estabelecer uma presidência rotativa. A vez da Voluntad Popular[partido de Guaidó, que foi liderado por Leopoldo López] estava a caminho, mas seu fundador, Lopez, estava em prisão domiciliar. Enquanto isso, seu segundo em comando, Guevara, havia se refugiado na embaixada chilena. Um personagem chamado Juan Andrés Mejía teria sido o próximo na linha, mas, por motivos que só agora são claros, Juan Guaidó foi selecionado.

"Há um raciocínio de classe que explica a ascensão de Guaidó", observou Sequera, analista venezuelano. "Mejía é da classe alta, estudou em uma das universidades privadas mais caras da Venezuela e não podia ser facilmente vendido ao público da maneira que poderiam fazer com Guaidó. Por um lado, Guaidó tem características mestiças comuns à maioria dos venezuelanos e parece mais um homem do povo. Além disso, ele não tinha sido superexposto na mídia, por isso poderia se tornar quase qualquer coisa ".

Em dezembro de 2018, Guaidó cruzou a fronteira e viajou para Washington, Colômbia e Brasil para coordenar o plano de realizar manifestações em massa durante a posse do presidente Maduro. Na noite anterior à cerimônia de juramento de Maduro, o vice-presidente Mike Pence e a chanceler canadense Chrystia Freeland ligaram para Guaidó para expressar seu apoio.

Uma semana depois, o senador Marco Rubio, o senador Rick Scott e o deputado Mario Diaz-Balart, todos parlamentares ligados ao lobby de exilados cubanos de Direita na Flórida,  se reuniram com o Presidente Trump e o Vice-Presidente Pence na Casa Branca. A pedido deles, Trump concordou que, se Guaidó se declarasse presidente, ele o apoiaria.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, se encontrou pessoalmente com Guaidó em 10 de janeiro, segundo o Wall Street Journal. No entanto, Pompeo não soube pronunciar o nome de Guaidó quando o mencionou em uma entrevista coletiva em 25 de janeiro, referindo-se a ele como "Juan Guido".

Até 11 de Janeiro, a página da Wikipedia de Guaidó foi editada 37 vezes, destacando a luta para moldar a imagem de uma figura sem rosto que é agora um quadro para as ambições de Washington para mudar um Governo. No final, a supervisão editorial de sua página foi entregue à elite do conselho "bibliotecário" da Wikipedia, que o declarou presidente da Venezuela "em disputa".

Guaidó pode ter sido uma figura obscura, mas sua combinação de radicalismo e oportunismo atendeu às necessidades de Washington. "Aquela peça interna estava faltando", disse um membro do Governo Trump sobre Guaidó. "Era a peça de que precisávamos para tornar nossa estratégia coerente e completa."

"Pela primeira vez", Brownfield, ex-embaixador dos EUA na Venezuela, dirigiu-se ao New York Times: "Você tem um líder da oposição que está claramente mostrando que quer manter as forças armadas e a polícia do lado ao lado dos anjos e dos mocinhos".

Mas o Partido Voluntad Popular de Guaidó formou as tropas de choque dasguarimbas que causaram a morte de policiais e cidadãos comuns. Ele até se vangloriara de sua própria participação em tumultos de rua. E agora, para conquistar os corações e mentes dos militares e da polícia, Guaidó teve que apagar essa história encharcada de sangue.

Em 21 de janeiro, um dia antes do início do Golpe, a esposa de Guaidó publicou um vídeo pedindo aos militares que se levantassem contra Maduro. Seu desempenho careceu de entusiasmo e inspiração, ressaltando as perspectivas políticas limitadas do marido.

Quatro dias depois, em uma entrevista coletiva com apoiadores, Guaidó anunciou sua solução para a crise: "Autorizar uma intervenção humanitária!"

Enquanto aguarda a assistência direta, Guaidó continua sendo o que sempre foi: o projeto favorito das forças cínicas externas. "Não importa que ele caia ou se queime depois de todas essas desventuras", disse Sequera sobre a figura do Golpe, "para os americanos, é dispensável.
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*Via Conversa Afiada, do site Misión Verdad - trecho de reportagem de Dan Cohen y Max Blumenthal (clique aqui para ler o original, em Espanhol).