sábado, 3 de setembro de 2022

Bolsonaro adia repasses das leis Paulo Gustavo para 2023 e Aldir Blanc para 2024

 


O presidente Jair Bolsonaro (PL) adiou os repasses das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, de auxílio à cultura em estados e municípios, diante da crise causada pela pandemia do coronavírus. A mudança ocorre em medida provisória publicada nesta segunda-feira (29).

O texto da lei Paulo Gustavo previa que o pagamento de R$ R$ 3,86 bilhões para estados e municípios deveria ocorrer em, no máximo, 90 dias após a publicação da lei. Portanto, ainda neste ano.

Com a medida provisória, Bolsonaro acrescentou que o montante será destinado “no exercício de 2023”.

Já a Lei Aldir Blanc falava que o pagamento aos entes da federação deveria ocorrer, em parcela única, “no primeiro exercício subsequente ao da entrada em vigor desta lei e nos quatro anos seguintes”.

O texto publicado pelo chefe do Executivo nesta segunda-feira apresenta um calendário de execução que começa em 2024.

O governo resistia aos pagamentos para o setor cultural, alegando falta de recursos. O Congresso derrubou os vetos de Bolsonaro em julho, após intensa pressão da classe artística pela aprovação dos auxílios.

Com repasses anuais de R$ 3 bilhões da União para estados e municípios, a Lei Aldir Blanc 2 pode representar, segundo especialistas, uma virada no incentivo federal à cultura -ela complementa um vácuo que a Lei Roaunet, por não ter sido implementada em sua totalidade, ainda tem ao não descentralizar os recursos.

A lei é inspirada na lei aprovada pelo Congresso em 2020 que garantiu recursos para o setor durante a pandemia, momento em que os espaços culturais fecharam completamente.

O texto também é uma homenagem a Aldir Blanc, um dos mais importantes compositores do Brasil e autor de “O Bêbado e a Equilibrista”, que foi vítima de Covid em maio de 2020, aos 73 anos.

O entusiasmo com a Aldir Blanc tem alguns motivos. O primeiro deles é que o montante da Aldir Blanc é inédito na Cultura. A Rouanet, por exemplo, movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. O segundo é que, de acordo com pesquisa feita sobre a primeira rodada da lei, este valor chegou a grupos que não eram atendidos por incentivos à cultura.

Já a lei Paulo Gustavo foi um projeto que mobilizou importantes parcelas da classe artística, que estiveram no Congresso em julho para pressionar pela aprovação da medida.

Atores, secretários de Cultura, produtores e outros agentes do setor mobilizaram uma agenda de debates e manifestações para pressionar que os parlamentares votassem pela derrubada dos vetos. Estão em Brasília, por exemplo, os artistas Amir Haddad, Johnny Massaro, Vera Fischer, Babu Santana e Letícia Spiller.

O projeto foi apresentado pela bancada do PT em maio do ano passado e também homenageia o ator e humorista morto naquele mês, em decorrência de complicações da Covid.

O governo se movimentou para que só a Aldir Blanc passasse e que a Paulo Gustavo fosse adiada por representar um impacto financeiro ainda neste ano.

As medidas representam um alívio ao setor, que sofreu os impactos econômicos da pandemia da Covid-19, além de amargar as mudanças na Lei Rouanet.

Uma instrução normativa alterou radicalmente o funcionamento da Rouanet ao limitar os cachês de artistas a R$ 3.000 e ao impedir que um patrocinador invista num mesmo projeto por mais de dois anos seguidos, o que dificulta a perenidade das relações no setor.

A morosidade do mecanismo também é a maior desde 2016 –entre janeiro e agosto de 2021, a secretaria analisou 45% menos propostas em comparação a igual período do ano anterior. Assim, uma proposta leva em média cinco meses para ser aprovada, três meses a mais do que no ano anterior.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

O Portal Brasil Cultura celebra os 200 anos de independência do Brasil

A partir de hoje até o dia 7 de setembro o Portal Brasil Cultura  comemora 200 anos de independência. Como parte da história e guardiã da memória do País,  com seu acervo cuidadosamente preservado, realizamos uma série de atividades para lembrar a data e também o bicentenário de outros fatos importantes que a antecederam. Os eventos incluem exposições, concursos, publicações e homenagens.

A cada ano, será escolhido um homenageado ou um evento a ser celebrado. O tema escolhido para 2021 é a eleição dos deputados brasileiros às Cortes de Lisboa. Em 2020, foi lembrada a Revolução Constitucionalista do Porto. No ano anterior, o homenageado foi José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 2018, os dois séculos da aclamação de Dom João VI como rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em 2017, a Casa lembrou os 200 anos da chegada da imperatriz Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, personagem importante no processo separatista. Nascida em Viena, filha do imperador Francisco I da Áustria e de Maria Isabel de Bourbon, foi educada em uma das mais poderosas cortes europeias da época. Apreciadora de botânica e mineralogia, foi preparada para manter fidelidade à monarquia absolutista. Entretanto, acabou por assumir papel de protagonismo na libertação da colônia de Portugal.

Coube a Maria Leopoldina, então princesa regente do Brasil por conta de uma viagem de Dom Pedro a São Paulo, presidir a reunião do Conselho de Estado que deliberou pela independência do Brasil. Em seguida, em carta ao marido, escreveu: “O pomo está maduro, colheio-o já, senão apodrecerá”.

Celebrações

O primeiro marco das comemorações no Parlamento brasileiro dos 200 anos de independência ocorreu em junho de 2008, no Salão Negro do Congresso Nacional, quando a Câmara destacou o segundo centenário da vinda da corte portuguesa para o Brasil, fugindo do exército do imperador francês Napoleão Bonaparte. A chegada de Dom João VI e sua família daria origem à formação do Estado Nacional.

Em 1815, um ano após a derrota de Napoleão e obrigado a justificar sua permanência na colônia, o príncipe regente Dom João elevou o Brasil à condição de reino unido de Portugal e Algarves.

Com a morte de Dona Maria I, Dom João tornou-se rei e, em 1821, se viu forçado a retornar a Lisboa, deixando seu filho mais velho, Dom Pedro de Alcântara Bragança, como príncipe regente. Com a volta de Dom João, cresceu a pressão dos portugueses para que o Brasil retornasse ao status de colônia. Mas o patamar econômico já alcançado aqui não permitiria o rebaixamento. Ao contrário, levaria à independência do Brasil do domínio português.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – PRIMEIRA PARTE

 A independência do Brasil foi declarada em 7 de setembro de 1822 e foi resultado do desgaste das relações luso-brasileiras a partir da Revolução do Porto de 1820.

Dom Pedro I, conhecido como D. Pedro IV em Portugal, foi o grande nome do processo de independência do Brasil.*Dom Pedro I, conhecido como D. Pedro IV em Portugal, foi o grande nome do processo de independência do Brasil.*

A independência do Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1822, e, por meio desse acontecimento, o país conquistou a sua emancipação de Portugal. Nesse dia aconteceu o grito da independência, realizado às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, e dado por Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro I). A independência brasileira foi acompanhada por pequenos conflitos armados, localizados principalmente no Nordeste.

Causas

A independência do Brasil foi declarada em 1822, mas esse acontecimento tem relação direta com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808. A vinda da corte portuguesa para a colônia aconteceu devido à invasão de Portugal realizada pelas tropas napoleônicas, em 1807. À época, Portugal tinha D. Maria como rainha e D. João como príncipe regente.

A vinda da família real para o Brasil resultou em transformações profundas nas áreas cultural, comercial e econômica, e deu abertura para um processo político que resultou na independência da colônia. A primeira grande medida decretada por D. João VI (ele só se tornou de fato D. João VI em 1816) foi a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas, e isso permitiu que os comerciantes brasileiros negociassem diretamente com comerciantes ingleses.

  1. João VI também tomou uma série de medidas que incentivaram o desenvolvimento cultural e a modernização do Brasil, demonstrando o intuito de torná-lo uma parte integrante do reino português e não apenas uma colônia. Isso aconteceu em 16 de dezembro de 1815, quando o Brasil foi elevado à condição de reino. A partir daí, Portugal passou a chamar-se Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

O grande objetivo disso era manter os colonos satisfeitos com Portugal e evitar que o Brasil seguisse o caminho da revolução — como havia acontecido na relação EUA e Inglaterra. Apesar dos avanços, a presença portuguesa no Brasil gerou atritos, e o caso simbólico desses foi a Revolução Pernambucana de 1817.

Essa revolução demonstrava a insatisfação local com mudanças ocorridas após a vinda da família real para o Brasil e foi duramente reprimida. Três anos depois, os problemas vieram de Portugal quando estourou a Revolução Liberal do Porto, em 1820. Os acontecimentos dessa última é que precipitaram o processo de independência aqui.

Portugal enfrentava uma grave crise por conta da invasão francesa do período napoleônico. Na metrópole havia uma grande insatisfação pelas mudanças que aconteciam no Brasil, sobretudo pela liberdade econômica que a colônia havia conquistado. As grandes exigências realizadas na Revolução do Porto foram: o retorno do rei para Portugal; o restabelecimento do monopólio comercial.

A segunda exigência, principalmente, incomodou profundamente os colonos porque deixava claras as intenções da elite portuguesa em perpetuar os laços de exploração colonial. Quanto à primeira exigência, ela resultou no retorno de D. João VI para Lisboa em 26 de abril de 1821. Seu filho, Pedro de Alcântara, permaneceu no Brasil como regente.

Processo

O processo de independência do Brasil avançou e concretizou-se durante a regência de D. Pedro. As Cortes portuguesas, instituição política surgida com a Revolução do Porto, tomaram algumas medidas que foram bastantes impopulares no Brasil: o retorno de algumas instituições originadas no Período Joanino em Portugal, o envio de mais tropas para o Brasil e o retorno do príncipe regente para o país europeu.

As negociações realizadas entre as autoridades brasileiras e portuguesas ficaram marcadas pela intransigência dos portugueses e contribuíram para aumentar a resistência dos brasileiros em relação a Portugal. Esse distanciamento entre brasileiros e portugueses deu margem para o discurso de independência do Brasil, e é importante frisar que o desejo inicial dos brasileiros não era a separação.

Quando os portugueses exigiram o retorno de D. Pedro, os brasileiros reagiram e criaram o Clube da Resistência, que entregou um documento a D. Pedro, com milhares de assinaturas, exigindo a sua permanência no Brasil. Por causa dessa reação dos colonos é que D. Pedro declarou a sua permanência no país, em 9 de janeiro de 1822, no que é conhecido como Dia do Fico.

Os acontecimentos dos meses seguintes e a continuidade da posição intransigente e desrespeitosa (na visão dos colonos) são os fatores que levaram o Brasil à ruptura com Portugal. Nesse processo, D. Pedro foi muito influenciado por duas pessoas: D. Maria Leopoldina, sua esposa, e José Bonifácio de Andrada e Silva, seu conselheiro.

Em maio, ficou decretado o Cumpra-se, que determinava que as leis decretadas em Portugal só valeriam no Brasil com a aprovação pessoal de D. Pedro; e, em junho, foi convocada eleição para que fosse formada no Brasil uma Assembleia Nacional Constituinte. Ou seja, os colonos demonstravam o interesse de elaborar de uma Constituição.

A relação entre brasileiros e portugueses seguia deteriorando-se, e, no dia 28 de agosto de 1822, notícias chegaram de Portugal. Essas, na verdade, eram ordens, e as Cortes portuguesas exigiam o retorno imediato de D. Pedro para a metrópole. Nessas ordens também estava incluída a revogação de uma série de medidas em vigência no Brasil e classificadas pelos portugueses como “privilégios”.

As ordens foram lidas por D. Maria Leopoldina, que convocou uma sessão extraordinária em 2 de setembro e 1822 e nela assinou uma declaração de independência. Então organizou uma mensagem e enviou-a com caráter de urgência para D. Pedro, que estava em São Paulo. O mensageiro enviado chamava-se Paulo Bregaro.

Nessa ocasião, D. Pedro estava próximo ao Rio Ipiranga e, de acordo com a história oficial, deu o grito da independência após ficar a par das notícias enviadas por sua esposa. Esse acontecimento, porém, não possui evidências que permitam que os historiadores o comprovem. Depois da declaração de independência, D. Pedro foi aclamado imperador em 12 de outubro e coroado no dia 1º de dezembro.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

O que é Ensino Técnico e porque defendê-lo

 

Os cursos técnicos nada mais são do que um acesso ao mercado de trabalho na área que você se interessa, mas não só por conta disso são muito importantes.

ENSINO TÉCNICO: O QUE É

Fazendo parte de uma categoria especial do Sistema de Ensino Brasileiro, os cursos técnicos estão localizados entre o Ensino Médio e o Ensino Superior, sendo capazes, inclusive, de substituir a etapa do Ensino Médio ao integrar suas disciplinas práticas. 

O Ensino Técnico, ao contrário das faculdades, por exemplo, não oferece uma ampla visão de conhecimento para uma formação consolidada, ao ponto dos estudantes tornarem-se cientistas e/ou pesquisadores. Esta etapa é voltada, principalmente, para auxiliar na formação de pessoas para o mercado de trabalho. 

Por conta disso, são cursos focados em disciplinas mais práticas, visando formar trabalhadores aptos às principais funções disponíveis no mercado de trabalho, como administração, construção civil, enfermagem, mecânica, estética, eletrônica, entre outros. 

COMO FUNCIONA O ENSINO TÉCNICO 

No Brasil, os cursos técnicos são divididos em 3 categorias, de acordo com o período de estudo, que varia entre 1 a 2 anos. O chamado Curso Técnico Integrado é aquele que pode ser feito com o Ensino Médio, de forma a substituí-lo parcialmente. Isto é, pode ser realizado logo após o estudante finalizar o Ensino Fundamental, contando com apenas o primeiro ano do Ensino Médio e de 2 ou 3 anos para o Curso Técnico Integrado. 

Já o Curso Técnico Externo, como o próprio nome sugere, é feito paralelamente ao Ensino Médio, podendo ser iniciado caso você já tenha concluído o primeiro ano do Ensino Médio. Por fim, o Curso Técnico Profissionalizante é a opção para quem já concluiu o Ensino Médio completo, mas deseja fazer o Ensino Técnico para uma melhor inserção no mercado de trabalho. 

VANTAGENS DO ENSINO TÉCNICO

Além da sua capacidade de impulsionar a inserção do profissional no mercado, o Ensino Técnico também é vantajoso por possuir um período menor de duração em comparação a uma graduação. Assim, o indivíduo é inserido mais rapidamente no segmento desejado e com salários mais atrativos. Para quem está saindo do Ensino Fundamental, o curso técnico também é vantajoso pois pode ser feito paralelamente, garantindo uma inserção mais rápida no mercado de trabalho, que possui uma carência de profissionais com curso técnico.

Contudo, o (des)governo Bolsonaro vem tentando mudar este cenário. Desde o início, o presidente e seus ministros da Economia e Educação vêm apoiando visões ideológicas que buscam mudar esta realidade, deixando as pessoas mais distantes de uma educação com bases consolidadas para apenas mão de obra barata. 

A tal da proposta de reforma do Ensino Médio vem totalmente abraçada com o Ensino Técnico, mas a verdade está distorcida. E ainda, segundo falas do presidente, os jovens brasileiros têm “tara” por formação superior e acaba utilizando disso para reforçar a mudança horária, de grade, entre outras, para que todos os estudantes sejam uma peça do mercado de trabalho. 

Fonte: UBES

Datafolha é melhor para Lula do que para Bolsonaro | Cristina Kirchner s...


Fonte: https://blogdeumsem-mdia.blogspot.com

INTERNACIONAL: A quarta onda de esquerda na América Latina desde a revolução cubana é social-democrata - Por Vijay Prashad*

 Por Vijay Prashad* 

A atual onda de vitórias eleitorais da esquerda e centro-esquerda não reflete inteiramente a situação dos anos 2000, quando uma “maré rosa” se desenvolveu após o avanço da esquerda na Venezuela liderada por Hugo Chávez. Naquela época, os Estados Unidos estavam focados no Médio Oriente, os preços das mercadorias estavam altos e havia um sentimento geral em toda a região contra os regimes militares e neoliberais anteriores.

Em 7 de agosto de 2022, a Colômbia terá um novo presidente (Gustavo Petro) e um vice-presidente (Francia Márquez), ambos defensores dos movimentos de esquerda do país. Eles formarão o primeiro governo de esquerda desde que o país conquistou a sua independência em 1810. Dois meses depois, em 2 de outubro, o povo brasileiro votará na primeira volta das suas eleições presidenciais. As pesquisas mostram claramente que o ex-presidente e líder de esquerda, Lula, tem vantagem sobre o titular de direita Jair Bolsonaro; há até uma sugestão de que Lula possa vencer na primeira volta e impedir a votação da segunda volta em 30 de outubro. Se Lula vencer, então, dos vinte países da América Latina, mais da metade teria um governo de centro-esquerda para a esquerda.

A atual onda de vitórias eleitorais da esquerda e centro-esquerda não reflete inteiramente a situação dos anos 2000, quando uma “maré rosa” se desenvolveu após o avanço da esquerda na Venezuela liderada por Hugo Chávez. Naquela época, os Estados Unidos estavam focados no Médio Oriente, os preços das matérias- estavam altos e havia um sentimento geral em toda a região contra os regimes militares e neoliberais anteriores. Chávez liderou um processo conhecido como bolivarianismo que combinou a integração regional com políticas voltadas para enfrentar problemas sociais profundamente enraizados no hemisfério. Era amplamente reconhecido que a fome não poderia ser abolida, por exemplo, sem um afastamento da dependência dos mercados de capitais do Atlântico Norte e da presença militar dos EUA.

As atuais vitórias eleitorais ocorreram em condições muito mais incertas do que na década de 2000. Por um lado, o imperialismo dos EUA é visto como muito mais frágil do que era há vinte anos, com a debilidade da economia dos EUA, a tentativa desesperada de enfraquecer a China e a Rússia pelos Estados Unidos e um clima crescente em todo o mundo que já não procura seguir os ditames de Washington. É devido a esses desenvolvimentos que se pode ver um novo dinamismo na América Latina, com o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador  evidenciando do tipo de pensamento independente sobre as relações externas que agora é comum da África do Sul à Indonésia.

Mas, por outro lado, a crise inflacionária global, os problemas do crédito e da dívida e a má educação das ameaças de Washington deteve a mão de muitos desses governos para desafiar frontalmente o imperialismo dos EUA. Presos entre uma Guerra Fria imposta pelos EUA contra a China e a Rússia, muitos dos países da América Latina preferem ficar de fora, esperar pela recuperação económica geral e, enquanto isso, fornecer esquemas básicos de bem-estar social como o limite de suas ambições. Não estamos, portanto, a ver o bolivarianismo na sua segunda fase.

Brasil e Colômbia são bons exemplos do novo momento, embora essa orientação geral seja visível tanto no Chile como no México. Nesses países, as classes dominantes – totalmente apoiadas pelo imperialismo norte-americano – permanecem no controlo da economia. Enquanto o governo de centro-esquerda de Gabriel Boric no Chile disse que nacionalizaria as minas de cobre, a sua mão foi detida por esta poderosa burguesia (este ano é o cinquentenário da nacionalização do cobre no Chile pelo presidente Salvador Allende, cujo governo foi derrubado num golpe no ano seguinte). As velhas classes capitalistas mantêm as velhas hierarquias sociais, entrelaçando-as com o poder do imperialismo norte-americano e o narcocapitalismo de nossos tempos. Ao  governo de Petro na Colômbia, por exemplo, já foi dito pelas forças armadas que não vão tolerar nenhuma reforma básica (o general Eduardo Zapateiro renunciou no final de julho para evitar ter de empossar Petro como presidente – essa é a atitude).

Finalmente, por causa das políticas de austeridade e do legado das ditaduras militares, a classe operária e o campesinato no hemisfério estão relativamente fragmentados e desorganizados. A sua incapacidade de conduzir uma agenda radical em muitos desses países tem sido vista repetidamente. Por exemplo, no Peru, apesar da eleição de Pedro Castillo, de esquerda, do Perú Libre, para a presidência, os movimentos sociais e políticos simplesmente não conseguiram responsabilizá-lo, porque o seu governo se afastou dos seus compromissos. A crise na Argentina em torno do regresso ao FMI também mostra a limitação das forças populares para conduzir a sua agenda por meio de um governo de esquerda. Portanto, é apropriado considerar as possibilidades de ser meramente social-democrata e não socialista neste período.

A doutrina Monroe e a revolução cubana

Duzentos anos atrás, as forças de Simón Bolívar derrotaram os imperialistas espanhóis na Batalha de Carabobo e abriram um período de independência para a América Latina. No ano seguinte, em 1823, o governo dos Estados Unidos anunciou a Doutrina Monroe. À superfície, a Doutrina Monroe apenas diz que a Europa não tem o direito de intervir nas Américas. No entanto, uma leitura atenta do texto, os debates nos EUA em torno desse texto e o uso dessa Doutrina indicam que era a constituição do imperialismo norte-americano, agora já não apenas para as Américas, mas uma Doutrina Monroe Global. Por esta Doutrina, os Estados Unidos  conferiram-se o direito de intervir política e militarmente nos países das Américas quando e onde quisessem. Foi com base nessa doutrina que os EUA intervieram repetidamente na América Central, no Caribe, e na América do Sul, derrubando governos em 2009 (Honduras) e tentando derrubar governos atualmente (Cuba, Nicarágua, Venezuela).

A resistência à Doutrina Monroe surgiu quando ficou claro que os EUA a usariam como uma licença para intervir no hemisfério e não para impedir o imperialismo europeu. Afinal, quando a Grã-Bretanha conquistou as Ilhas Malvinas da Argentina em 1833, os EUA não se opuseram aos europeus, e nem os EUA impediram a entrada de capital europeu para subordinar os novos estados das Américas (descrito em grande detalhe por Eduardo Galeano na sua obra Veias Abertas da América Latina, 1971). A intervenção dos EUA no México em 1846-1848 resultou na anexação de um terço do território soberano do México, uma violação dos direitos territoriais e nacionais do México. Esses eventos – Malvinas, México – mostram a verdadeira face da Doutrina Monroe, instrumento do imperialismo norte-americano no hemisfério que foi praticamente adotado pela Organização dos Estados Americanos, fundada em 1948, a que Fidel Castro chamou  Ministério das Colónias.

A Revolução Cubana de 1959 foi um desafio direto à Doutrina Monroe. A Revolução afirmou os conceitos de soberania (contra a intervenção dos EUA) e dignidade (para o crescimento social do povo). Inspirado no exemplo da Revolução Socialista Cubana, onda após onda revolucionária inundou a América Latina com esperança contra o imperialismo dos EUA e por um avanço da esquerda. A primeira onda foi esmagado pela violência extrema contra o exemplo cubano através dos golpes militares organizados pelo programa norteamericano chamado Operação Condor. Esses golpes do Brasil (1964) à Argentina (1976) ficaram na mão da alternativa cubana. O bloqueio ilegal dos EUA contra Cuba não impediu que a ilha acelerasse o seu socialismo e expandisse o seu internacionalismo. A segunda onda de esquerda – das revoluções da Nicarágua e Granada de 1979 – abriu uma nova esperança, que foi mais uma vez contestada pelos imperialistas através de suas “guerras sujas” na América Central e pela aliança do imperialismo com os narcoterroristas da região.

A terceira onda veio com a eleição de Chávez em 1999 e o avanço do que ficou conhecido como a ‘maré rosa’ na América Latina. A maré foi minada pela guerra híbrida ilegal dos EUA contra a Venezuela, pela queda nos preços das mercadorias e pela fraqueza dos movimentos sociais e políticos para contestar a burguesia entrincheirada em muitos países da região. Em cada uma dessas ondas, brilhou o exemplo de Cuba.

Estamos agora na quarta onda um ressurgimento da esquerda desde a Revolução Cubana de 1959. A onda é significativa, mas não deve ser exagerada. Mesmo os governos de centro-esquerda mais brandos serão forçados a enfrentar as graves crises sociais no hemisfério, crises agravadas pelo colapso dos preços das mercadorias e pela pandemia. As políticas contra a fome, por exemplo, exigirão recursos oriundos das diversas burguesias domésticas ou dos direitos arrecadados pela extração de recursos naturais. De qualquer forma, esses governos serão forçados a um confronto tanto com sua própria burguesia como com o imperialismo norte-americano. O teste desses governos, portanto, não estará apenas no que eles dizem sobre esta ou aquela questão (como a Ucrânia), mas como eles agem diante da recusa das forças do capitalismo em resolver as grandes crises sociais do nosso tempo.

*Historiador marxista indiano

Fonte: CTB NACIONAL

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Fátima Bezerra não é da Nova nem Velha Política - Roda Viva - Cassiano Arruda Câmara

 
Imagens do Google


- “Interessante a exclusão no grupo da Velha Política, da governadora Fatima, que vem de mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado da República”...

De um atento leitor que não quer abrir mão do conforto do próprio anonimato, ao questionar o artigo “Nova Política precisa mostrar o que fez além do extermínio”, publicado nesse espaço na última quarta-feira.

Minha resposta: Como não existiu – nem existe – filiação formal à Nova Política (nem à Velha), o rótulo, quando não é assumido, depende da visão do analista ou observador. É o que tento fazer depois da provocação recebida.

É, portanto, uma opinião de quem não tem um cartório com atribuições de distribuir títulos, sobretudo para os políticos em geral, diante de determinado acontecimento.

Velha ou nova

Aos 63 anos (nascida em Nova Floresta, PB, em 5 de Maio de 1955) Fatima é mais velha do que muitos nomes da Velha Política, e muito mais nova do que representantes da Nova Política.

Como se vê, o critério não pode ser esse. Mesmo subjetivos, critérios existem. E, em nenhum deles, a Governadora do RN, se enquadra numa ou noutra classificação.

O início de sua trajetória política tem 40 anos, depois de se formar em Pedagogia na UFRN, quando ingressou no movimento sindical: Foi vice-presidente (1980-1982) e presidente (1982-1985) da Associação dos Orientadores Educacionais, secretária-geral da Associação dos Professores (1985-1987), secretária-geral (1989-1991) e presidente (1991-1994) do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do RN (dos Professores).

Fátima aportou na política partidária em 1981, quando se filiou ao Partido dos Trabalhadores. Sempre contestando o establishment político do RN, a raiz da Velha Política, mesmo com a sucessão interna de vários líderes. 

Vitórias e derrotas

Fátima Bezerra se elegeu deputada estadual por dois mandatos: em 1994, com 8.347 votos; e em 1998, com 30.697 votos. Durante o tempo em que permaneceu na Assembleia foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Interior Também representou o Poder Legislativo potiguar no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e no Conselho Estadual do Meio Ambiente. 

Ainda como parlamentar, foi delegada na IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijing, 1995) e no I e II Fórum Social Mundial (Porto Alegre, 2001 e 2002), e participou do Encontro Internacional em Solidariedade às Mulheres Cubanas (Havana, 1998).

Além disso, nos anos de 1996, 2000, 2004 e 2008, Fátima Bezerra foi candidata à prefeitura municipal de Natal, perdendo, respectivamente, para Wilma de Faria (duas Vezes), Carlos Eduardo Alves e Micarla de Sousa, até que, no ano de 2012, desistiu de concorrer ao cargo e lançou a candidatura de Fernando Mineiro (PT), que também perdeu o pleito em 2012 e 2016. Sempre combatendo a Velha Política. 

Parada federal

No ano de 2002, Fátima Bezerra se candidatou ao cargo de deputada federal  e conseguiu se eleger com a melhor votação do estado, alcançando a soma de 161. 875 votos. Em 2006, foi reeleita com 116.243 votos e, em 2010, com 220.355 votos, ano em que obteve a quinta melhor votação proporcional do país, além de ter alcançado a maior votação que um deputado já recebeu no Rio Grande do Norte. Sempre se colocando contra os chamados “políticos tradicionais”, corpo e alma da Velha Política.

Em 2004, a deputada Fátima atuou como titular da Comissão especial do Ano da Mulher, em 2005, foi escolhida como presidente da Comissão de Legislação Participativa e, em março de 2006, se tornou titular da Comissão Permanente de Educação, Cultura e Desporto. Ainda nesse último ano, atuou como segundo vice-presidente da comissão especial para a PEC que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro.

Já durante o seu último mandato na Câmara Federal, em 2011, Fátima Bezerra ocupou a presidência da Comissão de Educação, um reconhecimento a sua atuação parlamentar.

Alianças de ocasião

Em 2014, se candidatou ao Senado na chapa que apoiava Robinson Faria  para governador. Ela derrotou a ex-governadora Wilma de Faria, do PSB. Fátima Bezerra conseguiu se eleger com a soma de 808 055 votos, representando 54,84% dos votos válidos.

Foi uma típica aliança de conveniência, ai, ela já havia sido aceita pela Velha Política, com a desculpa de enfrentar uma coligação que juntava a representação da política tradicional (Velha) do RN.

Nas urnas de 2018, quando a Nova Política foi sacramentada, numa coligação só de partidos de esquerda – PT, PC do B e PHS – Fátima  derrotou o antigo aliado Robinson Faria, Carlos Eduardo Alves no segundo turno, somando mais de um milhão de votos, 57,60% do total, conquistando o Governo do Estado.

Como a Nova Política terminou assumida por partidários do presidente Bolsonaro, o título não combina com ela, que governando o RN há quase quatro anos, aparece como favorita em todas as pesquisas para a eleição de 2 de Outubro, sem poder ser enquadrada na Nova Política. - Nem na Velha.

Fonte: Roda Viva - Cassiano Arruda

Lula quebra hegemonia de Bolsonaro no TikTok e YouTube - por Bárbara Luz

Foto com óculos juliet foi escolhida pela equipe do petista para estampar as redes sociais | Foto: Ricardo Stuckert.

Na ‘eleição do vídeo’, ex-presidente teve melhor desempenho segundo as métricas de engajamento e alcance dos perfis, aponta levantamento da FGV ECMI.

Um levantamento feito pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas (FGV ECMI), a pedido do jornal Folha de S.Paulo e divulgado nesta quarta-feira (31), mostra que a campanha do candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou a campanha de seu adversário, Jair Bolsonaro (PL), em audiência nas plataformas do TikTok e YouTube no mês de agosto.

Foram usadas métricas de engajamento e alcance dos perfis dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas. A análise vai de 28 de julho a 29 de agosto, portanto, cobre o começo do período eleitoral e as semanas antecedentes.

De acordo com a Folha, Lula explodiu no Youtube e TikTok. Os discursos com apelo emocional do ex-presidente e vídeos de malhação com a legenda “partiu pós-treino”, fizeram o petista ultrapassar o presidente na rede chinesa, que é o novo pilar das campanhas de internet nesta eleição. Já no YouTube, a campanha de Lula tem investido em publicidade e impulsionado vídeos com anúncios, o que tem gerado mais visualizações.

Jair Bolsonaro é o candidato que tem mais seguidores em todas as redes, legado da persona digital trabalhada há anos com o auxílio do filho Carlos Bolsonaro. Em engajamento, o presidente lidera no Facebook e no Instagram, com quase o triplo de curtidas, compartilhamentos, comentários e reações na comparação com Lula. Contudo, esse número não significa que seus conteúdos alcancem mais pessoas, como mostram os dados da FGV.

A Folha analisou os conteúdos em cada plataforma. O vídeo mais viral do canal de Lula no TikTok foi de um comício em Minas Gerais. “Quero ver vocês alegres, quero ver vocês trabalhando, quero ver vocês estudando, quero ver vocês amando, gostando da vida”, diz.

Já outras publicações virais falam da fome e outros feitos do governo petista. Em um deles, o ex-presidente se apresenta como político do povo e chama para “ver o timão”, para um “forró mais tarde” e pergunta se já ouviram “a última da Lud” [a cantora Ludmilla].

Na contra mão de Lula, os conteúdos de Bolsonaro mais expressivos no TikTok refletem bem a sua imagem e exibem ataques à esquerda e à imprensa. Na rede chinesa de microvídeos, apenas seis publicações passam de 2 milhões de visualizações em agosto sendo que três são recortes da entrevista no Jornal Nacional.

O vídeo mais popular tem 6 milhões de views e exibe a palavra “mentira” quando a âncora Renata Vasconcellos diz que ele estava “imitando pessoas com falta de ar” na pandemia. A produção corta para a cena antiga em que ele simula falta de ar e critica o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Sobreposta está a palavra “verdade”.

Já no YouTube, o canal de Bolsonaro é menos expressivo do que seus outros perfis – embora a rede seja povoada por sua militância. Entretanto, no último mês, nenhum dos conteúdos autorais ultrapassou 500 mil visualizações.

Enquanto isso, os conteúdos de Lula mais acessados na plataforma de vídeo são jingles, como o piseiro que canta “faz o L, um coração grandão e desenrola”, com 7,4 milhões de visualizações, e o clipe da campanha “Dois Lados, que Brasil você quer?”, com alcance de 5,2 milhões. Outro destaque é quando o PT nega que fecharia igrejas evangélicas.

Para Marco Ruediger, diretor da FGV ECMI, a superação da campanha de Lula em redes de vídeos está dialogando com a mudança da conjuntura de 2018 para 2022. Na eleição deste ano, a economia se impõe como um tema mais urgente diante de questões morais ou religiosas, segundo ele.

“Tanto Lula como Bolsonaro operam no emocional, ambos são carismáticos, mas acho que as pessoas estão cansadas de agressividade o tempo todo”, diz.

A reportagem da Folha apontou ainda que, para as campanhas eleitorais, “TikTok e YouTube são importantes inovações na comunicação política, com possibilidade de imprimir humor, se aproximar de forma mais leve do eleitor e servir de teste a narrativas emplacadas na TV.”

“O tempo de TV é importante, mas mais importante é que a estratégia digital gire em torno da TV”, afirma Ruediger. “É a eleição do vídeo.”

Imagem: Reprodução Folha

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Com informações da Folha de S. Paulo

E Portal VERMELHO


Humor na urna: nomes de duplo sentido, animal com fama de brega e carona nas celebridades - Por: Layssa Beatriz e Renato Moraes

Após o registro das candidaturas e com o início da propaganda, o eleitor vai esbarrar com alguns nomes não muito comuns. Ao escolherem sua identificação na urna, alguns candidatos optam por nomes ousados e inusitados: de animais, plantas, frutas, comidas, nomes que pegam carona nas celebridades. Tem de tudo.  

Para o publicitário João Maria Medeiros, a estratégia de utilizar nomes exóticos amplia o clima folclórico sobreas as eleições. “Não ajuda em nada”, resume.

Apesar de ser uma estratégia comum, a lei proíbe que o nome seja  “ridículo ou irreverente”.  No entanto, para atrair a atenção do eleitor, candidatos identificam-se pelo nome mais conhecido pelo povo ou até pelos fãs, como é o caso de Cachorrão do Brega (PMB), que viralizou nas redes sociais e virou meme após sua versão da música “Boate Azul”.

“Ele só ganhou essa notoriedade, pelas redes sociais, exatamente por esse exotismo”, avalia João Maria Medeiros. “Não vejo isso como um caminho para que o cara conquiste um espaço importante, como uma cadeira no Legislativo ou mesmo até no Executivo”, acrescentou.

Para Medeiros, o eleitor, apesar de votar em nomes, tem um olhar para além desse aspecto de humor, de folclore em torno do nome do candidato. “Dificilmente esse candidatos conseguem êxito”, reforça.

Uma rápida pesquisa de candidaturas no Nordeste mostra esse lado exótico da eleição. Se tem cachorrão (o do Brega) concorrendo no RN, tem “Preá”, na Paraíba, de onde vem também “O demolidor da corrupção”.

No Maranhão, terra do reggae, a aposta é em outro ritmo. Pelo menos para a “Japa do Arrocha”. Mas assim como no RN, por lá também tem candidato com orgulho de entrar na eleição sem recursos. O “Liso” potiguar tem seu equivalente em terras maranhenses: ‘U’’ Liso”.

A julgar pelo nome, há quem aparentemente entra nessa eleição sem muita esperança de um resultado positivo. É o caso do candidato “Sifu Marcelo Ramos”, de Sergipe. Também de terras sergipanas vem o exemplo de alguém cujo nome de urna pode ter uma série de significados, caso da “Juju Estourada”.

Outro personagem curioso é a “Lady Day”, uma sergipana que trocou o “i” da Princesa Diana para pegar carona na celebridade da Lady Di inglesa e concorrer a uma vaga de deputada estadual pelo MDB no Rio Grande do Norte. A lista no RN continua com “Pintinho Amarelinho”, “Sorriso dos Teclados”, “Caju Frete” e uma inusitada “Preta Opressora”.

A Bahia também contribui para esse cenário com nomes como “Atleta Canela de Aço”, “Pirata Neles”’ e “Tucunaré”.  E já que o assunto é folclore, no Ceará, o pássaro “Cancão” é um dos candidatos. A contribuição do Piauí vem com nomes como “Chico Pança”, “Kátia Picolé” e “Quem Quem”.

Macaco Tião

É engraçado e por vezes bizarro, mas o desejo de engajar o eleitor em um protesto bem humorado a partir de uma referência conhecida é antigo. Em 1988, Macaco Tião, o chimpanzé mais famoso do zoológico no Rio, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro.

A candidatura do animal foi lançada pela revista Casseta Popular como uma brincadeira, mas também um ato de protesto e insatisfação contra as opções políticas da época. Macaco Tião teve 400 mil votos e se a disputa fosse verdadeira, teria ficado em terceiro lugar.

Pior que tá não fica

Em nível nacional, a mais famosa candidatura que se aproveitou da fama conquistada através do humor foi a de Tiririca. No dia 3 de outubro de 2010, Francisco Everardo “Tiririca” Oliveira Silva tornou-se o deputado federal mais votado do Brasil das eleições daquele ano, eleito por São Paulo com 1.348.295 votos.  Tinha como slogan de campanha “Vote Tiririca. Pior que tá não fica”.

Em 2014, foi reeleito com cerca de 300 mil votos a menos que na eleição anterior.  Em 2022, chegou a anunciar que desistiria de tentar a reeleição, depois de perder o número com o qual foi eleito duas vezes para Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Não cumpriu a promessa. Candidato à reeleição, segue apostando na irreverência e mensagens de duplo sentido nas redes sociais.

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

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Fonte: http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com