quarta-feira, 6 de março de 2019

Senadora Zenaide escolhe Natal para último dia de folia de momo

Por Robson Pires
A senadora Zenaide Maia decidiu passar o último dia do Carnaval em Natal. O Polo Petrópolis foi o escolhido para a terça-feira (05). Sempre acompanhada do seu esposo, o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, a senadora caminhou entre a multidão, onde conversou com amigos e recebeu o carinho dos foliões. Muitos fizeram questão de registrar o momento com selfs, fotos e abraços.
Grande apreciadora das comemorações carnavalescas, Zenaide Maia não abre mão de prestigiar as folias de momo no Rio Grande do Norte e por isso fez questão de prestigiar algumas cidades no interior e também no Polo Ponta Negra nos primeiros dias do Carnaval.

Nicolás Maduro expulsa embaixador da Alemanha que deu apoio a Juan Guaidó

Por Robson Pires
O regime de Nicolás Maduro declarou o embaixador da Alemanha na Venezuela, Martin Kriener, “persona non grata” nesta quarta-feira, 6, e deu 48 horas para que ele deixe o país. Kriener recebeu Juan Guaidó no aeroporto na segunda-feira, 4, quando o líder opositor voltou à Venezuela após um tour pela América do Sul.
Em comunicado, o governo chefiado pelo ditador Maduro diz que sua decisão se deve a “recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país” pelo diplomata, que “em desacato, compareceu ao aeroporto internacional de Maiquetía para testemunhar a chegada do deputado Juan Guaidó”.
“A Venezuela considera inaceitável que um diplomata estrangeiro assuma, em seu território, uma atuação pública próxima à de um líder político alinhado com a agenda conspiratória de setores extremistas da oposição venezuelana”, disse o governo.
Kriener, ao lado de embaixadores e diplomatas de outras embaixadas europeias, foram ao aeroporto na segunda (4) para apoiar Guaidó, que estava sob risco de prisão ao retornar à Venezuela por desrespeitar uma ordem que o impedia de deixar o país.

segunda-feira, 4 de março de 2019

A era da insensatez e o caso do neto de Lula: Deus não perdoará!

do ConJur

A era da insensatez e odo  caso do neto de Lula: Deus não perdoará!

por Lenio Luiz Streck - 
Por
 Jornal GGN
 

A crueldade humana não tem efeito constitutivo; é declaratório. Assim como a imbecilidade, ela sempre esteve aí. A internet a revelou! Se o mundo tem pessoas horríveis, meu dever é incomodá-las!
Duas frases marcaram a semana: a blogueira Alessandra Strutzel (sim, temos de dar nome aos bois e bois aos nomes!) disse, ao saber da trágica morte do neto de Lula, de 7 anos: “Pelo menos, uma notícia boa”. E a do deputado Eduardo Bolsonaro (Deus acima de todos – eis o slogan da moda): A ida de Lula ao enterro “só deixa o larápio em voga posando de coitado”! Houve ainda muitos outros “pronunciamentos” de ódio e regozijo pela morte do menino de 7 anos.
Até onde chegamos? É o fundo do poço? O que Deus diria disso, ele que, conforme o slogan, “está acima de todos?”
Confesso a vocês – e Rosane, minha esposa e Gilberto, um de meus assistentes, são testemunhas – que esse episódio me abalou profundamente. Embarguei a voz. Triste pela morte da criança e estupefacto e magoado com a raça humana e com a reação das pessoas nas neocarvernas que são as redes sociais. Ah, blogueiros e influenciadores, coachings e quejandos, ah, quantos justos haverá em Sodoma? Abraão será um advogado que lhes conseguirá um HC?
Peço paciência para me seguirem no que vou dizer. No auge do macartismo, em audiência no Senado, o advogado Joseph Welch teve a coragem de perguntar ao senador McCarthy, o homem que deu nome à prática de ver comunismo em tudo:
“Senhor, você perdeu, afinal, todo senso de decência?” Pergunto aos odiadores que comemoraram ou trataram com raiva de Lula o episódio fatídico:“Senhores e senhoras, parlamentares, blogueiros, twuiteiros, whatsapianos e faceboqueanos: vocês perderam, afinal, todo senso de decência?”
Em tempos de hinos nas escolas, na era das acusações de marxismo cultural (sic), eu poderia muito bem falar aqui sobre o macartismo à brasileira. Não vou. Falo, hoje, sobre nosso senso de decência. Ou melhor, tento falar sobre o senso de decência que perdemos.
Também não vou falar — não diretamente — sobre aquilo que, agora, todos já sabem ter acontecido. Lamentavelmente, morreu o neto, de sete anos, do ex-Presidente Lula. Sobre isso, não há o que falar. É o zero total. É Timon de Atenas, de Shakespeare, propondo o fim da linguagem. Shakespeare, logo ele, que bem sabia que a linguagem é a casa do Ser (Heidegger).
Sou um hermeneuta. Bem sei que a linguagem é, como dizia Ortega y Gasset, um sacramento que exige administração muito delicada. Da palavra não se abusa; não se pode colocá-la em risco de desprestígio. É precisamente por isso que sei que sobre a morte de uma criança não se fala; lamenta-se. Chora-se.
Vou (tentar) falar, portanto, repito, sobre o senso de decência que perdemos. Confesso, é difícil: às vezes, a degradação e a desumanidade são tão grandes que também parecem impor o silêncio. Mas como Auberon Waugh dizia sabiamente,
se é verdade que o mundo é um lugar horrível com pessoas horríveis, temos o dever sagrado de incomodá-los sempre que possível.
Eis a minha tarefa: incomodar as pessoas horríveis. O que dizer em tempos nos quais uma legião de imbecis, para usar as palavras de Eco, aproveita-se da morte de uma criança e utiliza as redes sociais para destilar ódio e externar a própria baixeza? É hora do grito de Schönberg: Palavra, oh Palavra, que falta me faz!!!!
O que dizer quando se torna normal que um deputado — o mais votado da história do país — vai às redes sociais, sempre as redes sociais, para dizer que “cogitar” a saída de Lula para o enterro do neto (saída que está prevista na lei, diga-se) “só deixa o larápio [sic] em voga posando de coitado“?
Perdemos, afinal, todo senso de decência? Não, não tenho raiva. Sinto é…pena.
O que Deus, que está “acima de todos”, diria? Ou dirá? Deus, que disse que nunca mais inundaria a terra:
“nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
Deus disse também que sempre que houvesse nuvens sobre a terra, e o arco aparecesse nas nuvens, lembrar-se-ia “da eterna aliança entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies sobre a terra”.
E se o Altíssimo mudasse de ideia? E se Deus dissesse que, afinal, a humanidade deu tão errado que é hora de um novo dilúvio?
E se o critério de seleção para o dilúvio fosse aquilo que se diz, espalha, compartilha, no WhatsApp? Já pensaram? Como falei na coluna passada (ler aqui), que tal se Deus fizer uma PEC e alterar o estatuto do purgatório? Então, a partir de agora, o juízo final será feito por Ele a partir do exame do WhatsApp de cada um (e também do twitter e face). Uma olhadinha e Deus manda para o inferno. Platão foi o primeiro a denunciar as fake news. Platão mostrou que dizer aos néscios que as sombras são sombras é uma coisa perigosa. Pode ser apedrejado. Como o sujeito que saiu da caverna o foi.
Dizer hoje, a quem está mergulhado nas redes e pensa que o mundo são as redes, que esse mundo é imundo, em que o joio fez fagocitose ruim no trigo, pode também ser perigoso. Denunciar isso pode dar apedrejamento. Por isso, Deus acertou em fazer essa PEC alterando o regulamento do purgatório. O critério é simples: uma olhadinha no whatts e face. E, bingo. Vai para o fogo do inferno!
George Steiner bem dizia: tornamo-nos a civilização pós-verbo. A banalização da linguagem, por meio das redes sociais, corrompe a ideia da verdade. O limite do que é socialmente aceito é colocado cada vez mais longe. O que é verdadeiro? Não há mais critérios. O que se pode dizer? Tudo, porque limites já não há.
A era da técnica e das redes sociais, que prometiam a democratização da informação, desenvolveram um vocabulário próprio; estabeleceu-se um novo jogo de linguagem. No lugar do paraíso da horizontalidade, o inferno da barbárie interior que se exterioriza. (“Hipocrisia, que falta você faz”, diz Hélio Schwartsman.) Será que a blogueira que comemorou a morte do neto de Lula externaria o pensamento na fila do banco?
No princípio era o Verbo. E no fim, o que será? No final era o whattsapp? O facebook?
Nenhum homem é uma ilha. A morte de todo ser humano diminui a nós, que somos parte da humanidade. Talvez as palavras, sempre as palavras, de John Donne nunca tenham sido tão urgentes.
Mas um alerta: não pergunte, afinal, por quem os sinos dobram. A resposta pode vir pelo WhatsApp.
(Pergunto mais uma vez aos macartistas que recusam as regras do jogo de linguagem da decência e aderem ao jogo das redes, e já têm – sempre – comentários prontos: senhoras e senhores, perdemos todo senso de decência?)
Post scriptum: gesto humano foi, dentre outros, o demonstrado por Gilmar Mendes, conforme noticiou Mônica Bergamo (aqui). Também me emocionei quando li a matéria de Mônica. E entendi melhor ainda a minha emoção anterior.

RECADO DO NETO DE JANGO PARA EDUARDO BOLSONARO: “LARÁPIO É VOCÊ, SEU PAI E SEUS DOIS IRMÃOS””


Pelo Facebook, João Goulart Neto rebateu a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro que debochava da dor do ex-presidente Lula pela perda do neto Arthur; “Vocês covardes tiveram que prendê-lo para garantir a eleição do bundão de seu pai que nem em 4 mandatos conseguiria chegar a sola do sapato de Lula. Só assim a democracia e a justiça é plena né? Só assim ficou fácil a escalada ao poder de pessoas que não merecem estar onde estão. O de vcs está guardado e a conta já começa a cobrar a cada um do clã miliciano da tua família”, diz Neto.

Por João Goulart Neto, em seu Facebook - Eduardo Bolsonaro,

larápio é você, seu pai e seus outros 2 irmãos!!!

Sobre a despedida de Lula ao seu neto e a escolta até o local eu vou te dizer uma coisa. "Preso comum" Lula não é e jamais será.

Lula é um dos maiores Chefes de Estado que este país já teve, julgado e condenado por uma justiça desigual.

Portanto Jamais será "preso comum" como você seu moleque mimado citou.

Vocês covardes tiveram que prendê-lo para garantir a eleição do bundão de seu pai que nem em 4 mandatos conseguiria chegar a sola do sapato de Lula.

Só assim a democracia e a justiça é plena né?
Só assim ficou fácil a escalada ao poder de pessoas que não merecem estar onde estão.

O de vcs está guardado e a conta já começa a cobrar a cada um do clã miliciano da tua familia.

Ainda quero ver seu pai arregão pedir para sair da presidência por incompetente.

Uma criança morreu e você demostra e reafirma em seu twitter que é um completo IMBECIL!!

Att: João Goulart Neto - PCdoB/PPL

*Com informações do 247

domingo, 3 de março de 2019

'Para os Bolsonaros, família é maior do que partido'

O sociólogo Ricardo Costa de Oliveira
Para professor, mesmo com longa história política, o clã do presidente não construiu uma
As três décadas dos Bolsonaros na política ainda não lhes permitiram construir uma vasta rede de contatos, como fizeram outras oligarquias. Por isso, eles colocam a família acima da política partidária, o que produz crise atrás de crise. A avaliação é do sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e organizador do livro “Família importa e explica” (Liber Ars), que descreve como dinastias políticas se apropriam das instituições em benefício próprio. Ao Globo, ele explicou por que é tão difícil combatê-las.

O que é uma dinastia política?

Uma dinastia política é uma família engajada em atividades políticas. A política brasileira se organiza em torno dessas famílias, que acumulam poder político e econômico. Todas as instituições que deveriam ser o centro da vida democrática são menos importantes do que as famílias. Como nunca houve uma modernização plena no Brasil, uma ruptura ou uma revolução, as forças sociais arcaicas do antigo regime continuam mandando. Os novos atores que emergem se associam aos interesses desse passado arcaico e ajudam a reproduzir a velha ordem. Na Índia, uma sociedade de castas, a proporção de parlamentares pertencentes a famílias políticas é de 30%. No Brasil, esse número chega a 60%.

É natural que filhos médicos, advogados ou empresários sigam a profissão dos pais. Por que isso é um problema quando os antepassados são políticos?

A reprodução das famílias na política não é natural, é socialmente produzida por meio de privilégios e abuso de poder econômico. A reprodução familiar na política brasileira aponta formas de nepotismo estrutural, instituições políticas fracas e pré-modernas. Também não é natural que os filhos dos pobres continuem pobres e que as mulheres, os negros e os índios continuem excluídos, com baixíssima representação política. Há uma cadeia hereditária de proteções e recursos para que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

A família Bolsonaro já é uma dinastia política?

É uma dinastia recente, de 30 anos, mas é. Jair Bolsonaro organizou um complexo de nepotismo primeiro com a ex-mulher, depois com os filhos, e também cunhados e irmãos. Essa relação entre parentesco e poder político viabiliza uma máquina mais forte e mais importante do que os partidos. Bolsonaro não chegaria aonde chegou se não tivesse construído sua linhagem política com filhos, as ex-mulheres e outros parentes. Até Carlos Bolsonaro, que é vereador no Rio, colocou um primo em Brasília, Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, para circular nos ministérios desde a posse.

Os Bolsonaros vêm do baixo clero da política. Isso influencia como eles gerenciam sua dinastia?

Por serem uma família emergente, os Bolsonaros operam com mais agressividade, uma vez que eles não têm uma rede de contatos antiga e estabelecida. Eles atropelam qualquer um. É só observar os filhos do presidente. Ninguém sabe quem manda mais, se o pai ou os filhos. Para eles, os vínculos familiares são mais importantes do que os vínculos partidários. É por isso que eles mudaram tanto de partido e podem mudar de novo. E é por isso que Gustavo Bebianno (ex-secretário-geral da Presidência), um nome importantíssimo, foi rifado depois de bater de frente com Carlos Bolsonaro. O que importa para eles é a família. Isso gera crises permanentes, porque a família atravessa qualquer protocolo, qualquer decoro. Não há mais Presidência da República, mas uma família que troca informações e atravessa o interesse público. O partido político, o ministério, as relações público-privadas, tudo isso é secundário se comparado à família.

Como lidar com as dinastias políticas?

Em primeiro lugar, precisamos de leis efetivas e rigorosas. Em segundo lugar, precisamos modernizar a cultura partidária. Muitas legendas são siglas de aluguel lucrativas que permitem movimentações espúrias e são controladas por famílias. Se tivéssemos poucos partidos, que fossem sérios, ideológicos e programáticos, diminuiria a deslealdade partidária. E, por último, precisamos daquilo que é básico em qualquer sociedade: uma cultura política que conscientize a população contra o clientelismo e o nepotismo.

Ruan de Sousa Gabriel
No O Globo

Contribuinte pode aproveitar feriado para preparar declaração do IR

Por Robson Pires
O programa para fazer a Declaração do Imposto de Renda deste ano já está disponível desde a última semana. Assim, quem quiser aproveitar o feriado prolongado do carnaval pode juntar os documentos, preencher os dados e deixar tudo pronto para enviar a declaração entre as 8h do dia 7 de março e as 23h59 de 30 de abril deste ano, pela internet.
Quem tem restituição para receber, quanto mais cedo enviar mais rapidamente recebe o valor. Entretanto, quem deixa para os últimos dias recebe maior correção pela taxa básica de juros, a Selic. Além disso, as restituições são liberados prioritariamente para idosos acima de 80 anos, contribuintes entre 60 e 79 anos, pessoas com alguma deficiência física ou mental ou doença grave e contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.
Lotes de restituição
As restituições do Imposto de Renda serão feitas em sete lotes, a partir de junho deste ano: o primeiro sairá no dia 17 de junho; o segundo em 15 de julho; o terceiro, no dia 15 de agosto; o quarto em 16 de setembro; o quinto, no dia 15 de outubro; o sexto em 18 de novembro; e o sétimo em 16 de dezembro.

Carnaval de Brasília tem sistema de segurança unificado

Por Robson Pires
O governo do Distrito Federal tem esquema de segurança unificado durante o carnaval. Este ano, pela primeira vez, o Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), que antes tinha uma atuação mais esporádica, em eventos de logística mais complexa, está sendo mobilizado em caráter permanente, como núcleo principal do sistema.
O novo formato de segurança visa atender um público que deve passar de 1,6 milhão de foliões, dos quais, espera-se, 25 mil sejam turistas. A programação da festa, realizada entre os dias 2 e 5 de março, compreende mais de 200 blocos de rua.
De acordo com a assessoria de imprensa do governo distrital, o Ciob foi inaugurado em junho do ano passado e é formado por 20 órgãos, incluindo a Defesa Civil, a Secretaria de Cultura, forças de segurança, Metrô e Companhia Energética de Brasília (CEB). O coordenador de Operações da Subsecretaria de Operações Integradas, tenente-coronel Márcio Vasconcelos, explica que a aproximação entre as diferentes áreas proporcionará uma melhor organização das equipes.
“Os órgãos trabalharão com base em três vertentes, objetivos: diminuição do tempo-resposta [de atendimento dos agentes]; otimização dos meios materiais e humanos, já que se consegue saber quem se manda e em que quantidade se manda; e, em terceiro lugar, o estabelecimento de protocolo de atuação”, esclarece Vasconcelos.

O PODER DA TV - Negação da política pela mídia ajudou a levar Bolsonaro ao poder, diz pesquisador

JN
Jornal Nacional é o ícone do poderio jornalístico da TV Globo, líder de audiência desde 1971
por Eduardo Maretti, da RBA 
Segundo João Brant, programas "jornalísticos" policialescos estimulam a violência e atacam a presunção de inocência, além de reforçar e legitimar processos de tortura e violência policial.
São Paulo –  O entendimento democrático de que a informação deve ser compreendida a partir do interesse dos cidadãos no Brasil não vigora. Aqui, os meios de comunicação – leia-se redes de televisão – impõem uma visão segundo a qual eles é que são os titulares únicos da liberdade de expressão. 
Em sua tese de doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), o pesquisador João Brant discute o lobby e as estratégias das empresas de televisão para fazer pressão política junto aos poderes da República. A tese é intitulada "A atuação das empresas de televisão como grupo de interesse: estratégias e táticas de pressão no caso da política de classificação indicativa".
“Estudo o lobby das empresas de TV a partir do caso da política de classificação indicativa. O auge do enfrentamento entre empresas e poder Executivo se deu entre 2006 e 2007. Embora seja um caso antigo, ele só se resolveu em 2016, quando o STF derrubou a posição do Executivo", explica Brant.
Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade da regra do Estatuto da Criança e do Adolescente que obrigava as emissoras de TV a veicular programas de acordo com o horário estabelecido pela classificação indicativa. A maioria dos ministros considerou a imposição do horário ilegal, por configurar censura prévia.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi movida pelo Partido Trabalhista Brasileiro contra dispositivos da lei, então defendida pela Presidência da República.
Para o pesquisador, o papel desempenhado pelas empresas de comunicação na história recente do país levou grande parcela da sociedade a desacreditar a política como atividade organizadora da sociedade. “Isso é fatal e afeta o funcionamento da democracia”, diz. “Não à toa, isso nos levou a um quadro de negação do sistema político, o que é parte constituinte da eleição do Bolsonaro.”
Em entrevista à RBA, João Brant falou sobre o lobby dessas empresas, suas estratégias de poder, liberdade de expressão e a violência social estimulada por programas “jornalísticos” policialescos. 

“Há estudos de que esses programas estimulam práticas e comportamentos violentos. Mais do que isso, estimulam medidas de solução de conflitos que passam por fora do sistema de Justiça, atacando a presunção de inocência. Também reforçam e legitimam processos de tortura e violência policial.”

Confira abaixo os principais trechos da entrevista: 
O lobby 
– Empresas de televisão, por um lado, são parecidas com outras empresas. Buscam influenciar os processos de decisão que as afetam por meio de várias estratégias que caracterizo como ‘ordinárias’: negociação no Executivo, pressão direta nos tomadores de decisão, divulgação de estudos e pesquisas que as favoreçam, mobilização de parceiros e até judicialização. Por outro, elas têm estratégias ‘peculiares’, que só existem porque controlam parte do acesso à esfera pública.
– Elas têm à sua disposição o uso da própria mídia a seu favor, o que um grupo como a CNI (da Indústria) ou a CNA (da Agricultura) não têm. A pesquisa demonstra que eles não precisam necessariamente usar esses recursos para que eles lhes beneficiem diretamente. O uso direto desses recursos, por meio do direcionamento de sua cobertura jornalística e de sua programação, não é a forma principal de exercício de seu poder. O fundamental é o lastro que o controle do acesso à esfera pública confere às estratégias ordinárias de pressão política pelas empresas.
O poder
– A visão da Globo sobre economia, por exemplo, condiciona sua cobertura sobre o tema. Mas a pesquisa é sobre os interesses específicos, como grupo empresarial. E para esses casos eles não usam todo seu poder de fogo. No caso que estudei, enquanto o jornal O Globo tinha uma cobertura enviesada a favor dos interesses da empresa, o Jornal Nacional praticamente silenciava sobre o tema.
– É como se fosse uma guerra fria. Eu te pressiono para tomar uma decisão sem usar minha arma mais pesada, porque você sabe que eu posso usá-la se precisar. Poder, nesse caso, não é apenas usar seu cacife todo. É ter o cacife como forma de pressão para se obter o que se quer. É o que a literatura chama de poder presumido.
– No caso do Parlamento, o poder das empresas está ligado à sua capacidade de calibrar a visibilidade de atores que dependem da mídia para manter sua viabilidade política. Para o Judiciário e para atores-chave do Executivo (como ministros e presidente), o poder está ligado à capacidade de emprestar reputação positiva ou negativa, condicionando a imagem pública e o prestígio dos agentes políticos.
– É reveladora a capacidade das empresas de mobilizar arenas alheias ao processo decisório, usando o Poder Legislativo e setores do próprio governo para pressionar as áreas responsáveis pela decisão – no caso da classificação indicativa, o Ministério da Justiça. A capacidade de atuar com ‘alarmismo político’ combinou-se, nesse caso, com tentativas pontuais de acuamento político e pessoal sobre agentes públicos.

Liberdade de expressão e classificação indicativa 

– Os meios de comunicação tentam fazer valer uma visão como se eles fossem os titulares únicos e principais da liberdade de expressão, quando a liberdade de expressão e de informação deve ser entendida sobretudo a partir de um interesse do cidadão e da cidadã brasileiros.
– Havia uma disputa de entendimento sobre se a Constituição permitiria ou não que a classificação indicativa levasse à indicação de horários específicos para a veiculação de programas, se um filme recomendado para 18 anos poderia ser exibido às três da tarde. A defesa que o Executivo fez e conseguiu passar em 2007 era de que não podia exibir porque isso dificultava a aplicação da regra: se a criança precisa sozinha olhar um quadradinho escrito 18 anos e desligar a TV, isso não vai acontecer.
– As emissoras defendiam que a aplicação da regra deveria ser classificativa, e não impositiva. As empresas conseguiram ganhar no STF. Portanto, hoje, qualquer programa pode ser exibido em qualquer horário e as empresas não serão multadas em caso de descumprimento de um horário recomendado pelo Ministério da Justiça.
A violência na TV
– O debate sobre a violência dos programas jornalísticos, principalmente os policialescos, é muito importante. Acho que a discussão é não só a banalização, mas o estímulo à violência dado pelos programas que passam no Brasil inteiro. Há estudos de que esses programas estimulam práticas e comportamentos violentos. Mais do que isso, estimulam medidas de solução de conflitos que passam por fora do sistema de Justiça, atacando a presunção de inocência. Também reforçam e legitimam processos de tortura e violência policial.
– Há uma gravidade muito grande na naturalização desse tipo de programa. Não há uma resposta fácil sobre o que fazer, porque determinadas questões podem ser entendidas como censura, e obviamente não queremos nenhuma prática de censura. Mas acho que precisamos entender antes de tudo os efeitos sociais desses programas, e há responsabilidade das empresas que os promovem, com a violência que legitimam.
Globo, Record e Band
– O crescimento da Globo nos anos 1970 se dá numa combinação entre opções empresariais bem-sucedidas e de qualidade, principalmente da dramaturgia, no caso da Globo, com um apoio explícito da ditadura militar em duas direções: promover uma infraestrutura que facilitasse a chegada da Globo em todos os rincões do Brasil, a partir da exploração do uso dos satélites da Telebrás, e com a tentativa de dificultar a chegada de concorrentes de peso.
– Em 1979 e 1980 a ditadura resolve não distribuir concessões para o grupo Abril e Jornal do Brasil, e sim ao SBT (TVS do Silvio Santos na época) e Adolpho Bloch, da Rede Manchete, depois Rede TV. Isso gera crescimento e domínio de mercado pela Globo e dificuldade dos concorrentes. Não é à toa que estamos falando de alguém que está em primeiro lugar na audiência desde 1971. Como comercialmente se torna difícil manter programação de qualidade, Bandeirantes e Record buscaram modelos alternativos. 
– A Band, com arrendamento de espaço para igreja, o que é do meu ponto de vista ilegal, mas há leniência por parte do poder público; e, no caso da Record, uma associação com a IURD, que faz com que a própria igreja pague um valor alto pela compra de horários. Essa prática de arrendamento de horário é ilegal e deveria ser coibida. 
– Há a necessidade de estimular pluralismo e diversidade por um conjunto de medidas que protejam o interesse público: mais canais, mais pluralismo, mais diversidade. Deveria haver uma avaliação das concessões a cada 15 anos sobre se cumpriram ou não o papel de interesse público e se contribuem ou não para um cenário de diversidade e pluralismo. O público precisa ter o direito de receber isso. Isso pode ser feito por uma mudança radical no sistema de comunicação brasileira.
Publicidade 
– As verbas publicitárias públicas têm um papel tanto maior quanto menor é a emissora. As grandes empresas dependem menos das verbas públicas, ainda que tenham significação razoável. O que a Europa faz em certos casos é aplicar um fator de diminuição na verba distribuída aos grandes para que não se gere um círculo vicioso de crescimento e monopolização.
Mensalão e o processo contra Lula
– Segundo conclusão de tese da professora Liziane Guazina, da UnB, a cobertura dos veículos naquele caso ajudou a criar uma lógica contra a política, de enfrentamento à política. Não é só de um viés político em relação a um grupo político ou outro, mas funciona como um questionamento de legitimidade do próprio funcionamento da política. 
– Isso pode ser entendido como natural num processo em que muitos dos procedimentos da política são pouco visíveis ao público e o público pode ver isso como imoral ou ilegal. Mas, na verdade, o problema é que gera uma sensação de cinismo e ceticismo que afeta de forma muito negativa a cultura  política do país. Todo mundo passa a desacreditar a política em si como atividade organizadora de uma sociedade. Isso é fatal e afeta o funcionamento da democracia e não à toa nos levou a um quadro de negação do sistema político, o que é parte constituinte da eleição do Bolsonaro.
Artigo 220 da Constituição
– O artigo 220 se tornou uma utopia e isso é muito grave, porque esse é o único setor em que a Constituição proíbe o monopólio e oligopólio. A Constituição reconhece que não estamos falando apenas de um setor econômico, mas de um setor  com enorme influência no processo democrático. Mesmo que economicamente o monopólio não gerasse grandes prejuízos  ao consumidor, na prática ele gera para a sociedade, por manter o controle num só grupo do debate público.
– A situação é hoje muito mais complicada do que era há 30 anos, quando a Constituição foi promulgada. Hoje, os meios de comunicação social se confundem com meios de distribuição de infraestrutura. Você tem empresas de telecomunicação que têm TVs por assinatura, empresas de TV que controlam distribuição de conteúdo por vídeo sob demanda, uma série de propriedades cruzadas entre esses setores, o que faz com que a definição de mercado relevante, monopólio e oligopólio se torne mais complicada. Mas uma nova definição deveria ser feita à luz de um novo cenário, e não no cenário de 1988.

sábado, 2 de março de 2019

Governo edita MP para reforçar caráter facultativo da contribuição sindical

O governo prevê que a autorização prévia do empregado deve ser
O governo prevê que a autorização prévia do empregado deve ser "individual, expressa e por escrito"
Foto: Rovena Rosa / Arquivo Agência Brasil
O pagamento agora deverá ser feito por boleto, enviado àqueles que tenham previamente autorizado a cobrança.
Estadão Conteúdo
O governo do presidente Jair Bolsonaro editou a Medida Provisória 873 para reforçar o caráter facultativo da contribuição sindical. O texto ainda extingue a possibilidade de o valor ser descontado diretamente dos salários dos trabalhadores. O pagamento agora deverá ser feito por boleto, enviado àqueles que tenham previamente autorizado a cobrança.
A MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de 1º de março. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, explicou em sua conta no Twitter que a medida é necessária devido ao "ativismo judiciário, que tem contraditado o Legislativo e permitido a cobrança".
Marinho é ex-deputado federal e, em 2017, foi relator da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. Foi ele quem incluiu no texto a medida que pôs fim ao imposto sindical, cobrança até então obrigatória a todos os trabalhadores. A contribuição sindical equivale ao valor recebido por um dia de trabalho.
"A MP deixa ainda mais claro que contribuição sindical é fruto de prévia, expressa e individual autorização do trabalhador", explicou o secretário na rede social.

Negociação coletiva

O texto também deixa claro que nenhuma negociação coletiva (que ganhou força sobre a legislação após a reforma trabalhista) ou assembleia geral das entidades terá poder de devolver ao imposto sindical o status obrigatório.
Pelas novas regras, o boleto bancário (ou equivalente eletrônico) precisará ser previamente solicitado e obrigatoriamente enviado à residência do empregado ou, na impossibilidade de recebimento, à sede da empresa. Quem descumprir essa medida poderá ser multado.
A MP ainda deixa claro que é vedado o envio da cobrança sem que haja autorização "prévia e expressa" do empregado.
O governo prevê que a autorização prévia do empregado deve ser "individual, expressa e por escrito". Não serão admitidas autorização tácita ou substituição dos requisitos por requerimento de oposição (quando o trabalhador indica ser contrário ao desconto).
O desconto da contribuição assistencial - recolhida quando há celebração de acordo ou convenção coletiva - também deverá ser previamente autorizado.
Resultado de imagem para imagens de jair bolsonaro
Foto> Google
Bolsonaro: Inimigo do Movimento Sindical Brasileiro!

Blogueira que comemorou morte do neto de Lula pede “desculpas”

Foto: Reprodução/Facebook Alessandra Strutzel
Em uma primeira postagem, Alessandra Strutzel classificou a morte do neto de Lula como uma “boa notícia”; agora, tenta se justificar e afirma que fez a postagem para “ver a reação das pessoas”.
Alessandra Strutzel, que se diz blogueira e youtuber, resolveu tentar remediar as consequências de sua postagem, comemorando a morte do neto do ex-presidente Lula.
“Espero que me desculpem. Quero que todos saibam que eu jamais iria comemorar a morte de uma pessoa, e muito menos a morte de uma criança.
Com a postagem que fiz, que era compartilhamento da postagem de outra pessoa, eu só queria saber como as pessoas reagiriam, mas agora eu sei que fiz isso de uma forma muito infeliz.
Fico contente com a reação negativa, porque isso mostra que as pessoas não perderam a sensibilidade, mas fico muito triste por ver que mesmo as pessoas que me conhecem tenham achado de verdade que eu seria capaz de um mal (sic) sentimento”, tentou se justificar.
No entanto, a primeira postagem é muito clara: “Pelo menos uma notícia boa”, escreveu ela em seu Facebook com um emoji de coração e um rosto feliz, junto à notícia da morte de Arthur.
O fato provocou revolta até mesmo em muitos de seus seguidores, o que fez com ela removesse a publicação. No entanto, prints se espalharam pelas redes.
Fonte: Revista Fórum

Justiça suspende bloqueio de recursos do Tesouro Estadual do RN

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Por Robson Pires
A Ação Civil que determinava o bloqueio de recursos mensais da conta única do Estado para a segurança pública foi suspensa pelo Tribunal e Justiça nesta sexta-feira, 1º de março. A nova determinação assegura que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte deve cumprir a destinação de recursos para a segurança em conformidade com o que for aprovado na Lei Orçamentária Anual para o exercício do ano de 2019.
A sentença, proferida pelo desembargador João Rebouças, compreendeu que, diante da grave situação econômica do Estado, comprovada por meio do Decreto nº 28.689 de calamidade financeira fiscal, o bloqueio comprometeria a ordem e economia pública, já que a pasta da segurança pública é custeada quase a totalidade por recursos ordinários, originários exclusivamente da conta única do Tesouro estadual.
Se permanecido, o bloqueio dos recursos dificultaria a gestão da arrecadação e prejudicaria a realização de despesas em outras áreas igualmente essenciais, como saúde, educação e assistência social, além de ser possível prejudicar o pagamento da folha salarial.

Acabou o carnaval de Macau - Por Robson Pires



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A Justiça potiguar atendeu o pedido do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e determinou a suspensão imediata do Carnaval de Macau 2019, a partir desta sexta-feira (1º). A ação civil pública com pedido de liminar ajuizada pela Promotoria de Justiça da cidade alega que o Corpo de Bombeiros não identificou o protocolamento de qualquer documento para vistoria e autorização de funcionamento.
Em caso de descumprimento da decisão, será imposta multa no valor de R$ 100 mil por dia a ser aplicada ao prefeito de Macau. A suspensão estará em vigor até que a organização do evento apresente ao Juízo da comarca de plantão o Atestado de Vistoria e aprovação do Corpo de Bombeiros.

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Créditos: Lézio Junior