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sábado, 11 de abril de 2015

DEMOCRACIA: DA DITADURA À REFORMA POLÍTICA, EX-SECUNDARISTA FALA DA “REBELDIA CONSEQUENTE”

Augusto Buonicore, secundarista da UBES nos anos da ditadura, relembra o Congresso de Reconstrução da entidade em 1981
Em abril se completa 51 anos desde que a ditadura militar iniciou suas manobras no Brasil, e apesar das feridas deixadas no país, nos últimos meses houve registros de manifestações pedindo intervenção militar e comemoração ao golpe. Para o movimento estudantil, quem faz tal tipo de ato desconhece a história e o regime de exceção ao qual o povo brasileiro foi submetido.
A censura que perseguiu a democracia brasileira também deixou suas marcas nos secundaristas, para quem os direitos eram ainda mais restritos.
Relembrando a importância da liberdade e para saber mais sobre a luta dos estudantes nos “anos de chumbo”, o site da UBES entrevistou Augusto Buonicore, que no período de reabertura democrática da política brasileira esteve à frente do movimento secundarista. Augusto participou da reconstrução da União Campineira dos Estudantes Secundaristas (UCES) em São Paulo e do primeiro congresso da UBES após o golpe militar.
“Se a repressão nas universidades era dura naqueles anos de chumbo, pior era a situação nas escolas secundárias. Ali, de fato, a democracia nunca havia chegado. Qualquer tipo de contestação ocasionava a suspensão e expulsão dos estudantes rebeldes”, conta.

A repressão

O incêndio na Casa do Poder Jovem, na Praia do Flamengo (RJ), 132, em 1964, e a morte do secundarista Edson Luís, em março de 1968, foram alguns dos acontecimentos que acentuaram o tom de repressão do regime.
“Lembro que os secundaristas deram muitos mártires à causa da liberdade no país durante a ditadura, cito dois deles: Joel Vasconcelos dos Santos, Antonio Guilherme Ribeiro Ribas. Centenas deles foram presos e torturados, muitos ainda estão desaparecidos”, comenta Augusto.
Foram dez longos anos sem a possibilidade de organização estudantil, até que jovens como Augusto começaram a driblar os bloqueios dos militares. “Comecei a militar em 1978, em 1981 eu era vice-presidente do Centro Cívico da Escola Carlos Gomes, quando junto à Associação Secundarista de Campinas (ASC) paralisamos as aulas em apoio a uma greve nacional convocada pela UNE por mais verbas para educação”, relata Augusto.
O líder estudantil conta que na época toda a diretoria foi cassada, o presidente impedido de fazer matrícula e os demais membros da diretoria suspensos e impedidos de compor às próximas chapas. “As suspensões e expulsões eram muito comuns nas escolas, os diretores eram verdadeiros ditadores e não queriam perder nenhuma parcela desse poder”, explica.
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São Paulo, 1980. Estudantes detidos por distribuírem panfleto intitulado “A luta pela anistia ampla, geral e irrestrita continua!”.

Congresso de reconstrução

Entre outubro e novembro de 1981 aconteceu no Paraná o Congresso de Reconstrução da UBES, reunindo cerca de dois mil secundaristas. O evento impulsionou a reativação das organizações estaduais e municipais, entre elas a UCES, onde Augusto foi secretário geral.
“Isso não caiu do céu“, diz Augusto. Ele lembra que as situações de luta eram pouco favoráveis aos estudantes. A delegação de Campinas foi com um ônibus velho ao congresso que aconteceu em um ginásio desativado de Curitiba. Batidas policiais revistando estudantes na região onde aconteceu o evento, policiais infiltrados entre os delegados para emitir relatórios sobre o movimento estudantil eram alguns dos comentários que circulavam.

Quem luta, conquista!

O regime militar teve início em 1964 e terminou em 1985. Para Augusto foram tempos difíceis que só chegaram ao fim com a luta dos estudantes ao lado dos trabalhadores que cumpriram papel ativo na luta pela Lei da Anistia e na campanha pelas ‘Diretas Já’. E, principalmente, na conquista de maiores espaços democráticos dentro das escolas.
“Na comemoração dos 30 anos desde a derrota ao regime militar cabe destacar a conquista do meio-passe em vários estados, a conquista da Lei do Grêmio Livre (1985) que substituiu os centros cívicos controlados pelas diretorias das escolas e o voto aos 16 anos, estabelecido na Constituição de 1988”, comemora.

Rumo à Reforma política

Para UBES, o ano de 2015, além de comemorar os 30 anos do fim da ditadura militar, relembramos as gerações de estudantes que lutaram pelo direito à democracia.
“Avançar na democracia hoje é, entre outras coisas, fazer uma reforma política que reduza o peso do poder econômico nas eleições eliminando o financiamento privado de campanhas, criar melhores condições institucionais para que os trabalhadores – especialmente negros e mulheres- possam ter uma maior representação, e democratizar a mídia”, finaliza Augusto.
Suevelin Cinti, da Redação. - UBES

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